O que os recrutadores de grandes empresas de tecnologia avaliam?

Recrutadores de Empresas de Tecnologia

Você é desenvolvedor, analista de sistemas, cientista da computação e está ainda trilhando o árduo caminho para ter seu talento reconhecido por um grande player do mercado mundial de TI? Se seu sonho é ser contratado por uma das grandes empresas de tecnologia, tão importante quanto estar capacitado para a oportunidade é entender o que os recrutadores esperam encontrar em meio a um oceano de candidatos semelhantes.

Uma antiga campanha publicitária de uma empresa do setor de cosméticos dizia em seu slogan: “você jamais terá uma segunda chance de causar uma primeira impressão”. A constatação, embora dura, não poderia exprimir melhor a realidade e reforça a importância de conhecer adequadamente todas as nuances dos processos seletivos, tendo consciência de que, para as empresas, contratar um funcionário errado pode custar o equivalente a até o triplo do salário dele. Este “detalhe” ajuda a explicar o esforço extremo das organizações em mapear o perfil psicológico, know-how e interesse de longo prazo na empresa por parte dos candidatos.

Mas o que é levado em consideração na hora de escolher os candidatos que passarão às próximas etapas de um processo seletivo em empresas de tecnologia?

Paixão e iniciativa

Um estudo realizado há alguns anos pelo site norte-americano CareerBuilder mostrou que 87% dos empregadores não gastam mais do que 15 minutos para escolher os candidatos que virão a preencher suas vagas de emprego. O levantamento ainda revelou que 47% dos recrutadores sabem logo nos primeiros 5 minutos de uma entrevista se determinado candidato é adequado ou não para fazer parte da organização.

No Facebook, por exemplo, a primeira fase do processo seletivo consiste de testes eletrônicos, como puzzles, em que o candidato é desafiado a escrever códigos de teste (de acordo com orientações fornecidas na hora), dentro de um tempo rigorosamente cronometrado. Em caso de aprovação, ele é contactado para uma entrevista presencial.

Embora clichês, perguntas como “o que você pretende fazer em seu primeiro dia na empresa?” ainda são comuns no processo seletivo do Facebook e têm como objetivo analisar o nível de iniciativa do candidato. Outras, ligadas a experiências profissionais anteriores, como “por que você deixou seu emprego anterior?”, buscam avaliar aspectos como ética, eventuais dificuldades nas relações interpessoais, além do nível de maturidade profissional do interessado na vaga.

Marca pessoal

Assim como as empresas passam a vida desenvolvendo estratégias para criar marcas fortes, você também precisa pensar em fortalecer sua própria identidade aos olhos dos recrutadores. Currículo, portfólio de projetos e LinkedIn são alguns exemplos de instrumentos que representam o profissional, e por isso devem ser devidamente elaborados para ganhar a força de persuasão necessária sobre o recrutador, que deve percebê-lo como fit para a posição ofertada.

Em redes sociais corporativas, como LinkedIn, não é preciso colocar detalhes de atividades, mas sim as palavras-chaves ligadas às suas competências (até para que, quando o recrutador fizer uma busca ativa por skill, ele o encontre). Também devem figurar tempo de experiência com metodologias ágeis, informação sobre conhecimento de tecnologias emergentes (como realidade virtual) e link para seu portfólio de projetos online.

Formação mais prática que teórica

Responda rápido: você entraria em uma aeronave comandada por um piloto que está prestes a ter sua primeira experiência real a mais de 10 mil pés? Certamente não. E por quê?

Naturalmente, de nada adianta ser um expert nas provas teóricas de análise preditiva, sem nunca ter trabalhado, de fato, com um software de Data Mining, ou sem nunca ter sido estimulado na universidade a desenvolver estratégias de dados para empresas (como projetos simulados de previsão de demanda, utilizando aprendizado de máquina). Lembrando a máxima do filósofo Juahrez Alves, “a experiência começa de maneira indireta na teoria e se consagra na prática”.

Liderança, habilidades cognitivas e interpessoais

Se você é profissional de TI, existe uma chance remota de você nunca ter sonhado em trabalhar no Google. Segundo o jornal espanhol El País, a multinacional recebe cerca de 2,5 milhões de currículos anualmente. O de Fran Ruiz, ex-jornalista de Madri, foi um deles.

Após se inscrever no Google Careers (página destinada a prospectar novos talentos), Ruiz conta ao jornal espanhol que passou por 7 entrevistas, a maioria delas, focadas na análise da capacidade de resolver problemas e de liderança. Mas não é somente o Google que busca tais aptidões.

A maioria dos processos de seleção das grandes empresas de tecnologia, em todas as partes do mundo, possuem eventos práticos de recrutamento, com estudos de caso e simulação de projetos. A intenção é se desviar da monotonia retórica (e nem sempre verossímil), para permitir que o profissional demonstre na prática suas habilidades técnicas (modelo hands-on), além de sua facilidade de gerenciar e se relacionar com times multidisciplinares. Estratégias inovadoras — como gamification — também são utilizadas para avaliar a capacidade do candidato de tomar decisões estratégicas.

Vale lembrar que os atuais ciclos rápidos de desenvolvimento dos projetos de TI (como Scrum e DevOps) exigem postura proativa dos profissionais, os quais devem ser capazes de fornecer sugestões de melhorias, redesenho de processos e integrações diversas.

Conhecimento atualizado sobre as demandas do mercado

O mercado de tecnologia se reinventa todos os dias (novas linguagens e frameworks, aplicações inusitadas, códigos -fontes disponíveis para todos, bibliotecas, etc), logo o desafio do profissional desta área é acompanhar todas estas mudanças.

Por exemplo: os smartphones se tornaram canais básicos para acesso à internet (no “longínquo” 2015, 63% dos acessos mundiais já partiam de gadgets). Se você é programador, mas se formou há mais de 8 anos (quando a explosão da era mobile ainda não tinha tomado corpo) e não sabe construir aplicações móveis em Java, não faz ideia de como usar as Intents do Android, nem possui qualquer intimidade com programação em linguagem Swift (utilizada pelos frameworks de desenvolvimento para iOS), você pode encontrar dificuldades de avançar nos processos seletivos para algumas vagas mais cobiçadas nas grandes empresas de tecnologia. Claro, tudo depende do escopo da vaga.

Já se foi o tempo em que se acreditava que estudo era um episódio do início de nossas vidas. Em uma era em que o lançamento de hoje é o antiquário de amanhã, qualificação profissional e lifelong learning é um verdadeiro mantra, que deve fazer parte de toda nossa trajetória, permanentemente.

Para aprender mais sobre o processo de recrutamento nas grandes empresas de tecnologia, assista ao Webinar “O que busca um recrutador de profissionais de tecnologia em uma empresa de alto nível?” realizado pela Udacity Brasil.



Webinar: o que busca um recrutador de profissionais de tecnologia em uma empresa de alto nível?

Webinar: o que busca um recrutador de profissionais de tecnologia em uma empresa de alto nível?