28 de mar de 2018

10 tecnologias promissoras em 2018, segundo o MIT

Udacity Brasil

Desde 2001, a publicação MIT Technology Review, do Massachussetts Institute of Technology, faz uma lista anual com as 10 tecnologias mais promissoras do mundo.

Para selecioná-las, os editores consideram principalmente seu potencial de impacto. Se for capaz de ter um efeito profundo na vida das pessoas, a tecnologia já pode disputar um espaço, mesmo se ainda estiver num laboratório e não à venda em uma prateleira.

Confira quais foram as tecnologias selecionadas pelo MIT este ano abaixo:

Impressão 3-D em metal

Imprimir objetos de metal, e não apenas de plástico, está ficando cada vez mais barato: em 2017, a companhia Markforged vendeu uma impressora do tipo por menos de US$ 10 mil e a GE, uma das maiores empresas do mundo, pretende apresentar sua versão em breve.

Isso significa que, no futuro próximo, objetos de metal complexos poderão ser feitos rapidamente sob medida – e você nunca mais vai sofrer por não encontrar uma peça que não é mais fabricada.

Empresas também se beneficiam bastante: poderão ter um controle maior sobre seus métodos de fabricação, incluindo da estrutura de materiais, e oferecer uma variedade maior de produtos e serviços personalizáveis.

Embriões artificiais

Recentemente, embriologistas da University of Cambridge conseguiram criar um embrião de camundongo realista utilizando apenas células-tronco, sem óvulos ou esperma envolvidos.

Em breve, quando o processo for dominado e puder ser replicado para embriões humanos – o que inevitavelmente trará consigo debates éticos sobre seu uso –, vai facilitar enormemente as pesquisas sobre desenvolvimento da vida humana.

Um ponto de destaque para o MIT? A possibilidade de explorar edição de genes.

Cidades com sensores

Em parceria com a Sidewalk Labs, empresa de inovação urbana que faz parte da Alphabet, dona do Google, Toronto será pioneira de uma nova frente de “cidades inteligentes”.

O projeto, que será testado em uma parte da cidade canadense, será o primeiro a integrar (com sucesso) urbanismo e tecnologia de ponta, como carros autônomos e robôs que atuam como carteiros.

A ideia é reconstruir a área com base em dados captador por sensores – de ar, de som, de atividades humanas – para torná-la mais barata, agradável e ambientalmente correta, e abrir software e sistemas ao público para que qualquer um possa criar aplicações.

O projeto levará anos (obras só começam em 2019), mas já atraiu a atenção de diversas outras metrópoles, como Boston e São Francisco.

Inteligência artificial para todos

Inovações na área de inteligência artificial (IA) estão deixando essa tecnologia mais barata e fácil de implementar, e não só por gigantes como Amazon, Google e Microsoft.

O avanço está sendo facilitado pelas mesmas empresas, que estão de olho no potencial explosivo que essa tecnologia tem em tantos setores – que vão precisar da consultoria e dos serviços de nuvem que essas grandes empresas agora oferecem.

O Google tem a biblioteca de código aberto TensorFlow, focada em software de machine learning, e a Cloud AutoML, que traz sistemas pré-treinados. Já a Amazon apresentou o Gluon, uma biblioteca de código aberto de deep learning, em parceria com a Microsoft.

A ideia é tornar o trabalho com IA tão comum e acessível quanto o trabalho com aplicativos para celular e, assim, fazer jus à sua fama – e explorar essa nova demanda de mercado.

Duelos de redes neurais

Sistemas de inteligência artificial estão dando seus primeiros passos para ter algo similar à imaginação humana. Trata-se da abordagem GAN (Generative Adversarial Network), que coloca duas redes neurais para disputar o que é real e o que não é. Assim, aprendem quais variações de uma tema (cavalos, zebras, pessoas) são corretas e quais não fazem sentido (como uma pessoa com duas cabeças).

Funciona da seguinte maneira: as duas redes recebem o mesmo conjunto de dados para treinar. Uma é chamada de geradora e tem a tarefa de criar variações de imagens que já viu. A outra, chamada de discriminadora, deve identificar se essas imagens pertencem ao conjunto de dados original ou são produzidas pela geradora.

“Com o tempo, a rede neural geradora se torna tão boa em produzir imagens que a discriminadora não consegue achar as falsas. Essencialmente, a geradora foi ensinada a reconhecer e então criar imagens realistas”, escreve o MIT Technology Review, adicionando que há sistemas que podem reproduzir versões muito diferentes de algo, como transformar uma rua ensolarada numa com neve.

Veja sistemas de inteligência artificial transformarem zebras em cavalos e vice-versa

E não são só imagens que estão em questão: há sistemas capazes de criar sons também. “Alguns especialistas acreditam que há um sentido em que GANs estão começando a entender a estrutura por trás do mundo que veem e escutar. E isso significa que IA pode ganhar, além de um senso de imaginação, uma habilidade mais independente para entender o que vê no mundo.”

Em termos de aplicações práticas, pense no treinamento de um carro autônomo, que ainda precisa de experiência no mundo real para entender como lidar com pedestres. Com um aprendizado de máquina cada vez mais independente, no futuro ele poderá sair de uma garagem pela primeira vez totalmente preparado para qualquer tipo de situação.

"Peixes de Babel” da vida real

Quando Douglas Adams escreveu O Guia do Mochileiro Das Galáxias, apresentou ao mundo o “peixe de Babel”, um animal que você pode inserir no ouvido e, assim, ter traduções simultâneas de qualquer idioma em tempo real.

O Google se inspirou na ideia para criar o fone Pixel Buds, que funciona com celulares Pixel (também do Google) e utilizam o Google Translate para criar traduções praticamente simultâneas. Enquanto um fala utilizando o fone de ouvido, o outro escuta a tradução no telefone e vice-versa.

Não é perfeito, alertam os editores. Mas é um grande começo: num mundo feito de inúmeros dialetos e idiomas, a comunicação eficaz é peça-chave para o progresso.

Gás natural de emissões zeradas

É muito provável que, durante a esperada transição energética para uma matriz totalmente renovável, o mundo ainda dependa bastante de gás natural, que tem emissões de carbono consideráveis.

Há uma empresa americana, no entanto, que está testando uma tecnologia para gerar energia pelo mesmo preço e capturar o dióxido de carbono produzido pelo processo através de alta pressão e calor. O CO2 seria então comercializado, potencialmente para fabricantes de cimento, plástico e outros materiais a base de carbono.

Privacidade online total

De frente com tantos escândalos relacionados à gestão de dados pessoais online, muitos se perguntam: seria possível proteger suas informações de verdade na era da internet? Uma nova ferramenta criptográfica pode ser a solução.

Trata-se de um protocolo de criptografia chamado de “zero-knowledge proof”, que existe há décadas mas tem ganhado notoriedade nos últimos anos, principalmente entre grandes empresas do setor financeiro que querem tornar suas transações anônimas.

Graças ao sucesso do mercado de criptmoedas como Bitcoin, que utilizam um processo chamado blockchain em que é possível cruzar dados para descobrir a origem de transações, este protocolo pode avançar rapidamente.

O banco de investimentos JP Morgan, por exemplo, adicionou um método chamado zk-SNARK (que significa “zero-knowledge succinct non-interactive argument of knowledge”) para trazer anonimidade para seus clientes – e outros podem seguir seu exemplo.

Vidência genética

Chega de tarô para tentar descobrir o que vai acontecer. No futuro, será possível fazer previsões sobre sua saúde e inteligência através da leitura de DNA.

Versões iniciais dessa oportunidade já existem hoje graças às empresas de mapeamento de DNA como 23andMe e a grandes estudos sobre genética humana, que criaram uma base inicial sólida. A tendência é que a tecnologia se aprimore, os dados se acumulem e as previsões se tornem cada vez mais certeiras.

Computadores quânticos

The prospect of powerful new quantum computers comes with a puzzle. They’ll be capable of feats of computation inconceivable with today’s machines, but we haven’t yet figured out what we might do with those powers.

Vez por outra, uma manchete traz novidades sobre os avanços na computação quântica, que utiliza sistemas quânticos (e qubits) ao invés de binários (bits digitais) para funcionar e assim aumenta enormemente sua capacidade de processamento.

Embora ainda não se saiba claramente o que um computador quântico tornará possível – apenas tentar criá-lo já é suficientemente desafiador –, uma possibilidade seria projetar moléculas com extrema precisão, o que permitiria enormes avanços na medicina e no setor energético.

Isso porque os computadores atuais não são capazes de simular o comportamento das moléculas mais simples: as interações são tantas que fica complexo demais, rápido demais.

Por isso a animação com uma notícia recente da IBM, que anunciou que seus pesquisadores conseguiram modelar uma molécula de três átomos em um computador quântico de sete qubits.

“Químicos já sonham com novas proteínas para remédios muito mais eficazes, novos eletrólitos para baterias melhores, compostos que poderiam transformar luz solar em combustível líquido diretamente e células solares muito mais eficientes”, empolga-se a publicação.

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