10 de jul de 2018

Amazon Web Services: por que a nuvem da Amazon está à frente da concorrência

Udacity Brasil

A Amazon foi criada em 1994 por Jeff Bezos, que teve a ideia de inaugurar uma livraria online. Na época, ele pesquisou muitos produtos até concluir que livros seriam a melhor opção. Talvez nem ele mesmo conseguisse imaginar que, catorze anos depois, um dos ramos que cresce mais rapidamente da sua empresa é o de computação na nuvem.

Sim. Para quem não sabe, dentre os inúmeros produtos que a gigante da tecnologia oferece atualmente está um serviço de computação na nuvem. Uma companhia dedicada ao segmento, a Amazon Web Services (ou AWS para os íntimos), tem se revelado uma “galinha de ovos de ouro” para a empresa.

No final de abril de 2018, a Amazon divulgou que seus web services haviam gerado 5,44 bilhões de dólares em receita nos três meses anteriores. Em termos de lucro, foi US$ 1,4 bilhão, o equivalente a 73% de todo o lucro que a Amazon teve no trimestre.

Os números podem impressionar, mas eles devem ser pouco perto do que ainda está por vir. Isso porque a receita do serviço, de acordo com a rede estadunidense de notícias CNBC, a receita gerada pelo AWS vem crescendo num ritmo de mais de 40% anualmente.

Vídeo da Udacity explica como funciona a computação em nuvem

A história da Amazon Web Services

Segundo a Amazon em entrevista para a Udacity, o serviço foi criado em 2006, a partir de uma experiência da empresa com computação em nuvem.

A empresa, naturalmente, já tinha uma infraestrutura de tecnologia que usava dar suporte à sua operação de e-commerce. Mas a rápida expansão pela qual a loja da Amazon vinha passando trouxe a necessidade de uma infraestrutura que não tivesse apenas grande capacidade de armazenamento e processamento, mas que fosse também escalável.

Ou seja: a empresa precisava de uma infraestrutura de tecnologia que conseguisse atender à demanda de épocas mais movimentadas (como o fim de ano, por exemplo) e “se encolher” para economizar energia nos momentos mais tranquilos.

Nesse sentido, a criação de uma infraestrutura própria de computação na nuvem foi uma saída. E a ideia de comercializar essa infraestrutura veio em seguida – e foi daí que veio o crescimento gigantesco do setor da empresa. Atualmente, a Amazon Web Services é uma empresa separada da Amazon – e a Amazon, que lhe deu origem, é um de seus clientes.

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A importância da computação na nuvem para os negócios

Antigamente, se você precisava de um servidor para a sua empresa, basicamente precisava comprar um. Isso significava não apenas adquirir a máquina, como também saber qual máquina adquirir para se adequar ao uso que você pretendia fazer dela, ter um espaço para instalar a máquina e alguém para cuidar da manutenção, alguém para configurá-la adequadamente e garantir seu funcionamento otimizado e segurança, entre outras despesas.

Como se pode imaginar, tratava-se de um investimento vultoso e, em alguns casos, intimidante. Mas era um investimento que muitas empresas precisaram fazer, apesar das dificuldades, num momento em que praticamente toda a economia mundial estava migrando para a internet. E, nesse momento, quem não fizesse essa transição corria um grande risco de deixar de existir.

Uma das grandes sacadas da computação na nuvem é eliminar boa parte das dificuldades que giram em torno desse investimento. Com a ampliação do acesso a internet de banda larga, em vez de comprar uma máquina, arrumar um lugar e pessoas para cuidar dela, você podia simplesmente adquirir um servidor remoto da Amazon Web Services, por exemplo.

Graças à velocidade da conexão, a comunicação com aquele servidor seria quase tão rápida como se ele estivesse na sua empresa. Mas ele contaria também com o know-how e os profissionais da AWS para configurá-lo e mantê-lo funcionando e seguro. Essa ideia de “levar sua empresa para a nuvem” é um fator que facilita a entrada de muitas empresas na internet.

Andy Jassy, CEO da AWS, fala sobre o histórico, a competição e o futuro da empresa.

Não é só isso. O uso da computação na nuvem tem a vantagem já citada de escalabilidade. Se você tem uma loja online que vende muito no Natal, por exemplo, não precisa adquirir uma infraestrutura gigantesca que só vai funcionar a todo vapor uma vez por ano. Usando serviços de computação na nuvem, pode contratar quantas máquinas precisar, quando precisar.

E atualmente, com o crescimento da demanda por inteligência artificial e machine learning – tarefas que demanda muito poder de processamento –, a computação na nuvem é uma maneira de levar essas capacidades a empresas que, por si só, não conseguiriam investir em uma infraestrutura de tecnologia capaz de fazer frente a esses desafios.

Nas palavras da empresa em entrevista à Udacity, “a nuvem da AWS permite que as empresas e organizações mantenham o foco no que realmente diferencia seus negócios – analisar petabytes de dados, fornecer conteúdo de vídeo, criar excelentes aplicativos móveis ou até explorar Marte – e deixar com a AWS o trabalho pesado da infraestrutura de tecnologia necessária”.

Quem são os clientes da Amazon Web Services?

Devido à importância que a computação na nuvem tem para os negócios hoje em dia, seria possível imaginar que empresas de todas as áreas podem ser clientes da AWS. E, de fato, esse é o caso.

Entre alguns clientes citados estão GE, Nubank, Philips, GuiaBolso, Magazine Luiza, Hospital Sírio-Libanês, OLX, Johnson & Johnson, Dow Jones, Pinterest, Kroton e até mesmo o Ministério do Planejamento do Brasil.

Esses clientes “entendem que, com a nuvem, podem economizar recursos, aumentar a segurança e garantir uma melhoria de desempenho e adoção rápida de novas tecnologias” – muito mais do que se eles próprios decidissem criar e manter sua própria infraestrutura.

Justamente pela presença online ter se tornado algo tão básico para o sucesso de um negócio, a lista de clientes do serviço de computação na nuvem da Amazon deixa claro que não há um setor específico que possa se beneficiar.

Empresas de todas as verticais podem se aproveitar desse tipo de produto para otimizar seus fluxos e até mesmo criar novos serviços, como fazem companhias que oferecem acesso a softwares (o Software as Service, ou Saas) ou plataformas (Platform as Service, Paas) na nuvem. A categoria em que a própria AWS se encaixa, nessa estrutura de cloud computing, é oferecer infraestrutura como serviço (Infrastructure as Service, ou IaaS).

Também não há um “tamanho” a partir do qual seja vantajoso a empresa contratar um serviço de computação na nuvem: a decisão depende bastante do negócio que a organização oferece. Por isso, pode fazer sentido que uma empresa já comece a trabalhar com computação na nuvem desde o começo.

Segundo a Amazon, os clientes da companhia vão de startups que nasceram na AWS a empresas tradicionais, "que vêm passando por uma transformação digital e levam cada vez mais processos para a nuvem”.

Computação na nuvem para games

Se as descrições acima lhe deram a impressão de que computação na nuvem é uma área muito importante para games, você tem toda a razão. Afinal, jogos com qualquer tipo de funcionalidade online – seja uma partida de pôquer online ou um campeonato de League of Legends – precisam de servidores para hospedar seus recursos e jogadores, e nesse caso também a computação na nuvem pode ser mais adequada do que uma infraestrutura própria.

Alguns clientes usam a AWS para criar servidores globais em jogos multiplayer, com escalabilidade e velocidade, imprescindíveis para garantir a experiência ideal mesmo com picos de acessos.

Ou seja: a escalabilidade dos serviços de computação na nuvem permite que os jogos online continuem fluindo bem tanto em dias mais tranquilos quanto em dias em que todo mundo resolve jogar ao mesmo tempo (como quando o jogo recebe alguma novidade).

Para jogos de luta, em que um único quadro (normalmente um intervalo de tempo equivalente a 1/60 de segundo) pode ser a diferença entre ganhar ou perder, é imprescindível que as partidas transcorram com o mínimo possível de lag. Nesse sentido, os serviços escaláveis de computação na nuvem ajudam bastante.

Mas não é apenas nesse aspecto que a Amazon Web Services fornece serviços para games. A empresa oferece também um serviço chamado Lumberyard, que permite desenvolver jogos em 3D e integrá-los com recursos na nuvem de processamento e armazenamento, e o GameLift, voltado para jogos multiplayer, que facilita a criação do back-end desses jogos, bem como sua implementação, gerenciamento e escalabilidade.

Nessa área, alguns dos clientes da AWS são a Ubisoft, Naughty Dog, Bandai Namco, Supercell, TGF e Fanatee. Entre elas estão as responsáveis por séries de games como Uncharted, Dark Souls, Assassin’s Creed e o sucesso mobile Clash of Clans.

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Como o Amazon Web Services fica à frente da concorrência?

A Amazon não é, nem de longe, a única empresa a oferecer serviços desse tipo. A AWS concorre com soluções semelhantes de outros gigantes da tecnologia, como o Google (que tem o Google Cloud), a Microsoft (Azure) e a IBM (IBM Cloud).

E, no entanto, a empresa é a líder do setor. Segundo dados mais recentes do Synergy Research Group, o Amazon Web Services responde por mais de 30% das receitas globais com computação na nuvem. Dentre seus concorrentes, a Microsoft é a única que tem uma fatia superior a 10% do mercado.

O grande fator que permite que a AWS mantenha essa vantagem, nas palavras de representantes da empresa, é o seu “ritmo acelerado de inovação”. De acordo com ele, só em 2017 foram lançados 1430 novos serviços e ferramentas para os produtos de computação em nuvem da empresa.

Há outro fator que provavelmente também ajuda: preço. A Amazon afirma que os investimentos em melhorias de performance e eficiência das operações dos servidores e data centers da AWS se revertem em quedas nos custos, que são então repassadas aos clientes.

A empresa pratica reduções periódicas nos preços. É uma estratégia de negócio. Até agora, já foram feitas 66 reduções desse tipo, o que ajuda a tornar o serviço da AWS mais competitivo num mercado povoado por concorrentes ameaçadores.

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O futuro da Amazon Web Services

As áreas de inteligência artificial e machine learning vêm sendo um grande foco de investimentos para empresas, e com a AWS não é diferente. Oferecer a seus clientes a capacidade de realizar tarefas desse tipo é praticamente uma exigência num mercado tão disputado assim.

Por isso, a empresa vem investindo em soluções e produtos dessa área. Um deles é o SageMaker, uma plataforma que permite que desenvolvedores e cientistas de dados criem, treinem e implementem modelos de aprendizagem de máquina de forma escalável na nuvem. Ciência de dados é outra área que vem recebendo investimentos importantes, e faz sentido que a Amazon tenha um produto voltado para ela.

Há ainda o Amazon Rekognition, um serviço de aprendizagem profunda que consegue detectar pessoas, objetos e até mesmo algumas atividades em vídeos, e o AWS DeepLens, uma câmera sem fio programável que ajuda desenvolvedores a aplicar as tecnologias mais recentes da inteligência artificial.

Outra novidade interessante é a Alexa for Business. A Alexa é a assistente de voz da Amazon, semelhante à Siri ou à Google Assistente, e esse produto leva a assistente para o escritório. A ideia é que ela seja uma assistente que possa ser alcançada a qualquer momento por comando de voz e realizar tarefas do dia a dia de um negócio.

Isso é o que está em vista no horizonte, já que conforme as tecnologias de processamento e rede avançarem, novas portas se abrirão para a computação na nuvem.

No futuro, por exemplo, será possível jogar os lançamentos mais recentes da indústria de games com o máximo de fidelidade gráfica mesmo em computadores antigos. Basta que algum computador da nuvem realize todo o processamento do jogo, envie as imagens ao jogador via streaming e transmita os comandos dele de volta ao servidor.

Ainda deve levar algum tempo para que criar uma infraestrutura capaz de suportar essa possibilidade em grande escala. Mas vendo um nicho de mercado, a AWS é certeira: vale a pena transformar essa ideia em realidade e ganhar mais alguns pontos de mercado.

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