12 de jun de 2018

Além da Bitcoin: conheça 4 outras aplicações de blockchain

Udacity Brasil

Embora o blockchain, um livro-razão público, compartilhado e confiável que guarda todas as transações feitas dentro de seu sistema, seja usado tradicionalmente para processar transações monetárias como aquelas em Bitcoins, ele pode ir (muito) além desse contexto.

Um bloco de blockchain pode guardar diversos tipos de informação, de valores numéricos a identidades, contratos, credenciais e imagens, entre outros – o que já dá uma ideia das possibilidades de negócios que essa tecnologia trás.

Veja abaixo quatro outras aplicações atuais de blockchain e conheça o curso de blockchain da Udacity!

Assista ao webinar: Blockchain: o que é e como funciona

Identidade

E se em vez de ter um CPF, um RG, uma CNH, um título de eleitor e um cartão do SUS, cada brasileiro tivesse um par de chaves criptográficas e um hash referente ao local de armazenamento de seus dados num blockchain? Da mesma maneira que um cartório poderia garantir a autenticidade e a segurança de seus documentos, seria possível garantir a autenticidade de documentos pessoais.

Um sistema desses facilitaria a consulta e a comprovação de identidade: por meio de um aplicativo, a pessoa poderia garantir que é ela mesma. Quando houvesse necessidade de comprovar sua identidade, ela usaria sua chave privada para dar à pessoa ou instituição demandante o acesso a seus documentos. Em último caso, poderia existir até uma chave eletrônica física.

Além da praticidade desse sistema, o armazenamento desses dados em blockchain garantiria que não pudessem ser adulterados. Isso dificultaria enormemente casos de fraude de identidade.

Haveria, naturalmente, o risco de perda ou roubo da chave privada de uma pessoa. Esse risco, no entanto, seria menor do que o risco de perda ou roubo de documentos atualmente. Alguém que obtenha o seu RG pode tentar falsificá-lo para usar sua identidade, mas alguém que obtivesse a sua chave criptográfica privada não seria capaz de alterar seus dados no blockchain. Bastaria uma verificação fotográfica para que a fraude fosse detectada.

Já há empresas pensando nessa possibilidade. A ShoCard, por exemplo, oferece sistemas de identidade calcados em blockchain para empresas, instituições financeiras e linhas aéreas, por exemplo. Embora de menor escala, essas aplicações podem ser o primeiro passo na construção de um sistema nacional – talvez até global – de registros de pessoas físicas por blockchain.

Armazenamento de dados e privacidade

Serviços de armazenamento de dados na nuvem como os oferecidos pelo Google, Apple, Amazon e Microsoft permitem que arquivos sejam armazenados remotamente em servidores da empresa. E por mais que esse armazenamento seja seguro, há sempre o risco de que ele seja acessado. Uma autoridade estatal, por exemplo, pode forçar o Google a mostrar os dados que um de seus usuários armazenou no serviço.

Isso não seria possível se os dados estivessem armazenados em um blockchain descentralizado e criptografado. A união desses dois fatores tornaria impossível encontrar a localização e o conteúdo preciso dos arquivos de um usuário sem que ele explicitamente o autorizasse mediante o fornecimento de sua chave privada de criptografia.

As possibilidades não param por aí. Se o blockchain fosse tão descentralizado quanto o do Bitcoin, qualquer pessoa poderia oferecer espaço em seu computador para que o sistema armazenasse arquivos. Isso abriria as portas para a criação de um “marketplace” de armazenamento. O espaço vago no HD do seu computador poderia gerar alguns trocados a mais no fim do mês.

Já há uma empresa chamada Storj fazendo justamente isso. O serviço que eles oferecem é o de armazenamento descentralizado de dados via blockchain – e está fazendo sucesso. No momento de redação desse texto, a página de criação de novas contas mostra o seguinte aviso: “Devido à demanda extrema, estamos limitando a ativação de novas contas”.

Cadeia produtiva

Pense em um diamante: como é possível se assegurar de que não se trata de um "diamante de sangue", como são conhecidos aqueles extraídos de zonas de guerra? Ao longo dos anos, essa se tornou uma grande preocupação da indústria de joias como um todo.

Foi pensando nisso que a joalheria De Beers Group, uma das maiores do mundo, resolveu desenvolver uma nova plataforma de blockchain, a Tracr, para acompanhar as pedras preciosas desde o começo e evitar que isso aconteça. Recentemente, a Signet Jewelers, a maior varejista global de diamantes, se juntou ao programa.

Ainda em desenvolvimento, a plataforma acompanhará a jornada de um diamante ao longo de toda a cadeia de produção. Cada diamante registrado na plataforma terá seu próprio certificado digital, o que permitirá que ele seja acompanhado da mina à vitrine. Segundo a De Beers, a versão beta da Tracr já acompanhou com sucesso uma centena diamantes de alto valor – e não é difícil imaginar como um sistema do tipo pode ser útil para acompanhar cadeias de produção de outras indústrias.

Gestão pública

Em maio de 2018, o governo do Piauí anunciou que Teresina será a primeira cidade do mundo a implementar blockchain para a gestão de transporte público. O sistema será acessível a todos e guardará todas as informações sobre transporte coletivo, como relatórios de viagens e ordens de serviços.

A implementação será feita em parceria com a Organização dos Estados Americanos e a Fundação Hyperledger, que tem diversas blockchains de código aberto e ferramentas relacionadas. A ideia é facilitar o monitoramento e controle de operação de infraestrutura – e estar atento a qualquer modificação.

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