4 de abr de 2018

Applied Intelligence: o que lideranças devem saber para trabalhar com inteligência artificial

Udacity Brasil

Já estamos no futuro. A inteligência artificial (AI, em inglês) é uma realidade que não pode mais ser ignorada dentro das empresas. Quanto antes os líderes entenderem isso, melhor – tanto para os negócios quanto para a equipe.

As possibilidades que a AI traz para a gestão são infinitas e variam de acordo com cada modelo de negócio. Ela é usada, de maneira geral, para que máquinas aprendam, classifiquem, processem e analisem dados para tomar decisões racionais por conta própria.

Além de agilizar e baratear o custo de produção, as tecnologias que utilizam inteligência artificial liberam a mão de obra das funções metódicas e permitem que ela possa trabalhar de maneira criativa, agregando mais ao negócio.

Apesar de tantos benefícios, o fato é que muitas organizações ainda estão no início dessa jornada, tentando dar os primeiros passos para implementar sistemas de AI. É justamente por isso que há tantas oportunidades pelo caminho.

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O que é Applied Intelligence

Poucas empresas já alcançaram o estágio avançado da implementação da inteligência artificial, ou seja, em grande escala. As que atingiram esse feito estão praticando a chamada "Applied Intelligence".

Esse conceito está sendo usado pela consultoria internacional Accenture para descrever a capacidade de implementar as tecnologias e a engenhosidade humana em todas as frentes do negócio, com o objetivo de solucionar desafios complexos e gerar novos fluxos de receita.

De acordo com projeções da Accenture, o total comprometimento das empresas com a implementação de AI poderia gerar 38% de aumento de receita até 2022 em todo o mundo.

Inteligência Artificial: o que os líderes precisam saber

Afinal, como as lideranças executivas podem colocar a Applied Intelligence em prática para garantir a modernização e o sucesso em todas as frentes do negócio? Como sair do campo das ideias e implementar de fato os sistemas de inteligência artificial aos processos?

Em entrevista à Udacity, Paulo Ossamu, diretor executivo da Accenture Strategy, elencou tudo aquilo que os líderes precisam saber atualmente sobre AI para manter a competitividade e o êxito das empresas. Confira:

1. Invista em formação de pessoas

A questão da formação dos funcionários é primordial. No entanto, um estudo da Accenture revelou que apenas 3% dos executivos têm a intenção aumentar significativamente o investimento em programas de treinamento e reciclagem dos funcionários nos próximos três anos.

A dica é incentivar sempre a aquisição de novos conhecimentos e invistir na constante atualização dos funcionários da área de TI. Assim, seu time estará conectado ao que existe de mais moderno na área e poderá trazer bons resultados para a companhia.

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2. Contrate profissionais que conheçam sobre AI

Busque no mercado por profissionais que dominem a temática e tenham boa formação e experiência na área. Eles farão a diferença na equipe, agregando insights sobre o assunto.

3. Inspire-se em boas práticas do exterior

No Brasil, a maioria das empresas ainda está atrasada quando se trata da implementação de AI. Portanto, é sempre positivo e necessário procurar por referências e se inspirar em cases de sucesso de companhias do exterior que já adotaram sistemas altamente tecnológicos.

Um bom exemplo a ser conhecido é da Fast Retailing Co., multinacional japonesa de comércio varejista. A companhia implementou um dispositivo habilitado para AI para seus atendentes de loja. A tecnologia fornece dados em tempo real sobre estoque, pedidos e devoluções, liberando os funcionários para dedicar mais atenção aos clientes.

A empresa, que no último ano registrou vendas recordes e um aumento de lucro de quase 39%, planeja usar a inteligência artificial para melhorar a velocidade das vendas e quer aumentar a receita em quase 70% até 2021.

Outro case de sucesso é da Morgan Stanley, empresa global de serviços financeiros. A multinacional norte-americana está facilitando o trabalho de seus 16 mil consultores financeiros através da introdução de AI.

A tecnologia permite aprender mais sobre cada cliente, de modo que os consultores podem agir de maneira proativa e mais efetiva, recomendando investimentos adequados, que levam em conta as especificidades da situação financeira de cada um.

Já a Dynamic Group, fabricante americana de plásticos, utilizou a tecnologia para enfrentar a escassez de mão de obra especializada em sua linha de produção. Para resolver o problema, adotou robôs leves que trabalham de maneira colaborativa lado a lado com humanos. Assim, conseguiu redistribuir as tarefas dos funcionários.

O resultado foi eficiência quadruplicada, redução de erros e desperdícios e, para completar, os trabalhadores deixaram de fazer tarefas repetitivas e extenuantes, que agora são exercidas pelas máquinas.

Na rede de hotéis Marriott, a AI vem sendo usada na busca por diferenciação no mercado. A companhia tem um conselho de AI com especialistas de diferentes áreas e oferece a diferentes startups a chance de experimentar seus produtos nos hotéis europeus da empresa. Exemplo disso é o Mario, um robô que atua como recepcionista no Marriott Ghent, na Bélgica. Ele fala 19 idiomas e ajuda a equipe a registrar os hóspedes.

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4. Esteja aberto: seja criativo e colaborativo

Para conseguir implementar a AI nas empresas de forma adequada e eficaz, é necessário ter abertura e criatividade para enxergar oportunidades de onde e como aplicá-la em seu processo produtivo. Também é preciso ter visão de futuro e saber atuar de forma colaborativa com novos parceiros, consultorias, empresas e startups, que ajudarão a acelerar todo esse processo.

5. Não tenha medo da AI: abrace-a

Não veja a Inteligência Artificial como inimiga. Muito pelo contrário! Ela veio apenas somar forças. Os líderes que entendem isso alcançam ótimos resultados e motivam a equipe. É preciso saber que a tecnologia não irá roubar empregos e sim transformará os postos de trabalho e a forma de atuação da mão de obra.

Haverá uma mudança de mindset. Os profissionais deixarão de ter tarefas repetitivas e tediosas (as máquinas farão isso!) e sobrará mais tempo para pensar de maneira abrangente e estratégica, facilitando a tomada de decisões.

Um bom exemplo a ser citado é um time de médicos pesquisadores de Harvard. Recentemente, eles criaram uma técnica para identificar com maior precisão de células de câncer de mama. Antes disso, os médicos alcançaram 96% de precisão nos diagnósticos que faziam, contra 92% de precisão das máquinas treinadas para isso.

Porém, trabalhando juntos, com a nova técnica, médicos e computadores atingiram uma precisão de 99,5%! Ou seja, mais pacientes agora poderão ter seus diagnósticos corretos graças à interação dos humanos com a tecnologia de ponta.

6. Sempre leve em consideração as questões éticas da AI

Adotar a Inteligência Artificial é essencial, mas a preocupação com a ética deve sempre estar presente, principalmente no que diz respeito ao uso de grandes volumes de dados disponíveis (Big Data). É preciso ter bem claros os limites do que pode e do que não pode ser usado pelos sistemas de AI, seja por questão de privacidade dos dados ou mesmo pela qualidade deles.

O profissional do futuro necessitará de guidelines, padrões e direcionamento para atuar de forma correta com a Inteligência Artificial. Nesse sentido, é sempre válido estimular a reflexão, promover discussões e observar os erros e os acertos de outras empresas para escolher o melhor caminho a seguir no campo da ética.

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.