6 de jul de 2018

Beyond Sports: a startup que utiliza realidade virtual para treinar atletas

Udacity Brasil

Logo antes do início da Copa do Mundo de 2018, a Beyond Sports anunciou com pompa que a seleção alemã estava utilizando suas soluções de realidade virtual. A eliminação precoce dos campeões pode ter tornado essa divulgação menos interessante, mas ainda indica quão promissora é a tecnologia: se a rigorosa Alemanha estava disposta a apostar nela, é uma boa ideia entender do que se trata.

Fundada em 2014, a startup holandesa utiliza, além de VR, realidade aumentada, data science e inteligência artificial para criar soluções aplicadas ao futebol e que permitam rastrear jogadas de qualquer perspectiva e criar cenários personalizados baseados em dados reais. Ou seja, se depender da companhia, uma partida decidida nos pênaltis do ponto de vista de quem chuta (ou defende) está a poucos anos de distância.

Atualmente, são quatro frentes: treinamento (para melhorar a performance de jogadores), análise de partidas (insights para tomada de decisão), broadcasting (para transmitir partidas de novos ângulos) e engajamento de público (para criar aplicações imersivas).

A ideia em si veio acidentalmente em idos de 2013, quando Sander Schouten, hoje COO da Beyond Sports, falava sobre Google Glass com um analista de vídeo da seleção holandesa, Max Reckers. Por acaso, também tinha com ele um óculos de realidade virtual com um vídeo-padrão de montanha-russa.

Depois da experiência, o analista logo viu que aquela novidade era interessante e levou Sanders para o escritório do treinador Louis Van Gaal. Depois de testar o gadget, Gaal se empolgou. "O que mais podemos fazer com isso?", perguntou.

Teaser da Beyond Sports mostra um pouco do espaço de treinamento em realidade virtual da empresa

Daí veio o estalo de Sander: utiliza realidade virtual para que os jogadores, treinadores, fãs e quem mais quisesse pudesse ver o jogo de uma nova maneira, totalmente imersiva, e tivessem insights de consciência espacial e tomada de decisão.

Foram anos de testes e desenvolvimento – principalmente em colaboração com o o time holandês Ajax e com a Universidade de Utrecht – para chegar no momento atual, que inclui treinamento interativo e repetição de jogadas para entender o que deu certo e o que deu errado.

"Nosso mecanismo proprietário de visualização tem tido muito sucesso ao trazer mapeamento cognitivo, treinamento tático e experiências imersivas para o primeiro plano da indústria esportiva", resumiu o CEO Jeffrey Saunders.

Além da Alemanha, a startup já conta com diversos clientes para sua tecnologia imersiva, inclusive a seleção holandesa, o time inglês Arsenal e o canal Fox Sports. E a lista deve crescer: em junho, a empresa anunciou uma rodada de investimentos-semente de 2,36 milhões de dólares e planos de expansão para outros esportes e países, especialmente pela América do Norte.

É lá, e principalmente nos EUA, que estão bilhões de dólares relacionados ao futebol americano que podem fazer a Beyond Sports crescer exponencialmente. Um dos novos investidores, David Blitzer, é inclusive co-fundador do grupo HBSE, que tem os times Philadelphia 76ers e New Jersey Devils no portfólio.

Não é difícil entender que a demanda por experiência imersivas, especialmente em eventos que reúnem fãs tão apaixonados quanto campeonatos de futebol, existe – e há empreendedores correndo para atendê-la. Quem sabe o que a Copa do Mundo de 2022 trará?

Especial da Wired mostra as diversas possibilidades da realidade virtual para atletas

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Sobre o autor
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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.