14 de mar de 2018

O que é data storytelling e como utilizá-la nos negócios

Udacity Brasil

Já faz alguns anos que o termo Big Data ocupa um lugar de destaque em meios corporativos ou acadêmicos. Segundo a consultoria McKinsey, Big Data se refere a “conjuntos de dados cujo tamanho está além da capacidade de captura, armazenamento, gerenciamento e análise que ferramentas típicas para bases de dados têm”.

Isso significa que, em muitos casos, esse volume, que também é variado e cresce velozmente, se tornou tão grande que ferramentas tradicionais de análise de dados, como uma planilha de Microsoft Excel, simplesmente não dão conta da tarefa.

O maior desafio da área é traduzir os dados brutos e complexos (que podem ser vídeos, imagens ou áudios, entre outros formatos) em dados confiáveis e que gerem valor para o negócio.

É o que ressalta a importância do data storytelling, uma técnica usada para melhorar a apresentação e a visualização de informações obtidas em dados.

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Para que um número maior de colaboradores de uma empresa consiga utilizar seus resultados e insights – e assim acabar com o isolamento de conhecimento de algumas áreas em relação às outras –, os dados precisam ser compreendidos por pessoas de diversas áreas e backgrounds.

É preciso, portanto, que sua compreensão não seja restrita apenas àqueles que têm familiaridade com números e estatísticas.

Em 2009, o economista-chefe do Google, Hal R.Varian, resumiu a situação da seguinte maneira: "A habilidade de manipular dados – saber como entendê-los, processá-los, extrair valor dele, visualizá-lo, comunicá-lo – será tremendamente importante nas próximas décadas".

Em suma, cientistas de dados precisam dominar não apenas as habilidades técnicas necessárias, mas ter visão de negócios e orientada pelos objetivos da organização.

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Onde storytelling e big data se encontram

O campo de visualização de dados se tornou parte fundamental do segmento porque contar uma história com começo, meio e fim facilita o caminho para todos cheguem ao mesmo ponto.

Especialistas em data storytelling dizem que há três elementos principais envolvidos: dados, visual e narrativa.

A narrativa ajuda a explicar os dados, enquanto peças visuais esclarecem o que eles significam e destacam padrões e outros aspectos interessantes. Juntos, narrativa e visual conseguem engajar o público de uma maneira que os dados, sozinhos, não conseguem.

Na prática, isso significa relacionar os dados apresentados com inúmeros outros que sejam relevantes, de índices macroeconômicos a resultados passados da companhia ou horários de pico em diferentes países.

“O trabalho de um cientista de dados só tem sentido se ele facilitar a vida de alguém ou trouxer descobertas aplicáveis. Manter uma relação próxima com essas pessoas e os desafios que elas têm no dia a dia é a única forma de diminuir o gap entre os dados e o que eles podem nos dizer sobre o mundo”, resume Talita Barcelos, especialista em data science da Udacity.

_Infográfico interativo do jornal The Guardian foi premiado ao compilar diversas bases de dados sobre casamento homoafetivo nos EUA_

Também é importante permitir que as pessoas possam clicar e se aprofundar em um indicador caso queiram, algo conhecido como self-service analytics.

O resultado desse esforço é um painel de dados claro, atraente e objetivo, que evite um questionamento do tipo "para que serve esse número?" e substitui uma apresentação de PowerPoint esquecida na caixa de entrada de e-mails.

Há no mercado ferramentas de visualização de dados bastante populares, como Power BI, da Microsoft, e Tableau, que oferecem tutoriais e podem ajudar data storytellers em potencial a aprimorarem suas habilidades. (A Tableau, inclusive, é parceira da Udacity nos programas Nanodegree Analista de Dados e Fundamentos de Data Science II.)

E quando os fundamentos de data storytelling estão fortalecidos – ou seja, a história que os dados contam está clara, assim como o melhor caminho para contá-la –, não há limites para a criatividade.

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5 dicas para construir uma narrativa com dados

Aqui está um breve guia para quem tem interesse em utilizar data storytelling para construir uma boa narrativa com base em dados. É importante ressaltar que o mundo da análise de dados é vasto e esta é uma introdução breve ao tema.

Para aprender mais, você pode se aprofundar com cursos e pesquisas – as possibilidades online são inúmeras.

1. Comece levantando dados concretos e relevantes

O primeiro passo é encontrar os dados brutos que serão apurados. Com base nas habilidades técnicas e no conhecimento dos desafios da empresa, o cientista de dados pesquisará, entre as estatísticas disponíveis, as informações relacionadas ao problema em questão.

2. Faça a análise estratégica das informações

Com os dados filtrados, é hora da análise. É provável que as respostas buscadas estejam contidas nas informações levantadas, mas, para extraí-las, é preciso identificar as perguntas certas e a forma mais adequada para elaborá-las.

Nessa fase, cientistas de dados cruzam informações e chegam a conclusões e hipóteses que podem justificar uma métrica ou um resultado de uma maneira mais convincente e clara do que se apenas apresentassem números brutos.


_Acima, infográfico interativo do jornal The New York Times mostra como eleitores votaram, por bairro, etnia e renda, na primária democrata de 2016_

3. Estude o público-alvo da apresentação

Como qualquer tipo de peça de comunicação, a apresentação dos dados deve ser feita com um público-alvo em mente, seja a diretoria da empresa ou a equipe de uma área específica.

Em uma apresentação para a equipe de vendas de uma empresa, por exemplo, pode ser mais relevante apresentar dados sobre variáveis de performance, sugestões de boas práticas comprovadas ou dicas personalizadas para cada colaborador. Já em uma apresentação para altos executivos, são necessários dados mais estratégicos e uma terminologia menos técnica.

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4. Utilize recursos visuais fortes

O texto e os números são apenas uma parte da apresentação. Para transmitir a mensagem com clareza, é importante utilizar recursos visuais fortes, com uma boa diagramação e destaque para os elementos mais importantes. É possível utilizar até mesmo imagens que agreguem valor ao conteúdo.

Naturalmente, a grande estrela do data storytelling são os dados e a história que eles contam. A função dos recursos visuais é realçar as informações: use-os de maneira criativa.

5. Conte com exemplos práticos para identificação

Por fim, lembre-se de colocar exemplos práticos na apresentação: um conteúdo é assimilado mais facilmente pelo público se for apresentado com exemplos que façam sentido na rotina de trabalho.

Além de simular hipóteses futuras, utilize referências de situações passadas e cases que remetem ao cenário apresentado quando for possível.

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.