17 de out de 2018

O que fazem os C-levels de uma organização?

Udacity Brasil

CEO, CFO, COO, CTO, CIO… Os papéis desempenhados pelos C-levels de uma organização — isto é, as pessoas que encabeçam e dirigem as diversas áreas da empresa — nem sempre são claros para quem começa a se aventurar no mundo corporativo. Afinal, quais as responsabilidades de cada um desses cargos? Quais deles são realmente necessários a uma empresa? Que tipo de profissional deve ocupá-los?

Também chamado de C-suite, esse grupo de executivos é o mais importante e influente dentro da organização corporativa. Se, por um lado, seus membros são os mais bem remunerados; por outro, são os que chamam para si mais responsabilidade, cabendo a eles decisões de alto risco que definem o futuro da empresa.

Por isso, algumas características comuns são essenciais a todos os C-levels, como a capacidade de liderança. Especialistas acreditam que usar a tecnologia e a comunicação estrategicamente, por exemplo, é uma habilidade que tem se tornado fundamental para esses profissionais.

“Habilidades técnicas são apenas um ponto de partida, o mínimo. Para ser bem sucedido como um executivo de nível C, o indivíduo precisa ser um bom comunicador e um pensador estratégico”, define a pesquisa The New Path to C-suite, realizada pela Harvard Business Review.

Cada cargo do C-suite, no entanto, tem suas especificidades, e a configuração do grupo varia de acordo com as demandas de cada setor, com o tamanho da empresa e com o modelo de negócio. A seguir, explicamos o que fazem os principais membros do C-suite.

CEO: capacidade de liderança

O mais alto cargo executivo de uma empresa é ocupado pelo CEO (Chief Executive Officer). Ele atua como representante máximo da organização e gerencia suas atividades como um todo, definindo a visão corporativa e desenvolvendo estratégias para atingir os objetivos da marca. Para tomar essas decisões, o CEO geralmente se apoia nos conselhos e análises de outros membros do C-suite, nomeados por ele.

Em termos práticos, as tarefas de um CEO podem incluir a criação de planos de negócio, a validação das receitas, orçamentos e relatórios e a conexão com investidores. Por lidar com vários setores simultaneamente, a pessoa que ocupa esse cargo deve revelar um perfil multitarefas e estar disposta a assumir grandes responsabilidades, já que o sucesso ou o fracasso da empresa são associados, em geral, à figura e ao desempenho do CEO.

A formação técnica do CEO é menos importante do que sua capacidade de liderança e tomada de decisões em cargos anteriores, por isso ele pode vir de qualquer carreira dentro da empresa antes de ocupar o cargo.

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CFO: olhar estratégico para os números

Todas as operações financeiras da empresa ficam sob a responsabilidade do CFO (Chief Financial Officer), ou seja, tudo relacionado a balanços de contabilidade, ações, pesquisas de investimento e análise de recursos passa pelo seu crivo. Entre as suas principais funções, está a avaliação dos riscos e benefícios de cada empreendimento e, portanto, o CFO trabalha lado a lado com o CEO na hora de encontrar novas oportunidades de negócios.

Nas últimas décadas, especialistas têm notado uma mudança no perfil desses profissionais. Além de lidar com os números brutos, eles devem estar atentos às operações corporativas de um modo geral. “Os CFOs do futuro operarão em todo o mundo e farão parcerias com áreas não financeiras em iniciativas de expansão internacional. Assim, eles precisarão de uma sensibilidade comercial e de uma mentalidade global”, concluíram os analistas da Harvard Business Review.

Para Todd Ford, CFO da Coupa Software, também se espera que os CFOs usem com mais frequência a tecnologia e a coleta de dados para obter informações precisas que sirvam de base para decisões inteligentes. “Para fazer tudo isso, obviamente você precisa falar a linguagem das finanças, mas também precisa estar profundamente envolvido nas operações”, escreve na Venture Beat. Por isso, de acordo com ele, a função do CFO tem se confundido com a do COO (veja abaixo).

Já Sergio Monsalve, sócio na firma de investimento de risco Norwest Venture Partners, afirma que o CFO é cada vez mais protagonista na direção das empresas. “À medida que as estratégias de negócios e as decisões da diretoria tornam-se mais dependentes da análise financeira e dos insights em tempo real, o CFO naturalmente se torna mais central para as operações de negócios”, avalia. Segundo ele, isso cria uma tendência: muitos CFOs têm assumido a cadeira de CEO na progressão de suas carreiras.

COO: gerenciamento de operações

Garantir um dia a dia saudável no funcionamento da empresa é papel do COO (Chief Operating Officer). É ele quem gerencia as operações corporativas, reunindo dados de áreas como desenvolvimento, recrutamento, folha de pagamento, departamento jurídico e administração. Com isso, a pessoa que ocupa esse cargo deve ser capaz de “prever” os melhores movimentos para o futuro da empresa — ela, inclusive, é responsável pela execução dos planos e diretrizes validadas pelo CEO, ocupando o segundo lugar na hierarquia do C-suite.

Nem todas as empresas possuem um COO e, em geral, as que precisam dele são aquelas que realizam operações em larga escala. No entanto, segundo Todd Ford, existe uma tendência de fusão dos papéis de CFO e COO: enquanto o chefe de finanças acumula funções de operações (como mostramos acima), o COO também acaba desenvolvendo conhecimentos em finanças. “Me parece redundante ter os dois cargos em uma empresa”, defende ele.

CIO: tecnologia aplicada aos negócios

O CIO (Chief Information Officer) é o líder em tecnologia da informação dentro de uma empresa. Naturalmente, esse cargo vem ganhando destaque conforme o conhecimento em tecnologia se torna decisivo para qualquer empresa. Afinal, é ele que deve entender como as novas tecnologias podem ser aplicadas estrategicamente aos negócios. “Esses membros da equipe executiva conseguiram intermediar o relacionamento complexo entre os líderes de negócios e o departamento de TI”, conclui a pesquisa da Harvest Business Review.

Nesse sentido, um CIO deve não só ter habilidades técnicas em programação, codificação e mapeamento de dados, por exemplo, mas também entender como essas funções podem ser úteis para o gerenciamento de riscos e para as estratégias de negócios. Isso significa, cada vez mais, compreender como as empresas podem tratar os milhões de dados coletados — em outras palavras, o CIO precisa saber usar os conhecimentos em TI e dados para fins lucrativos.

CTO: tecnologia aplicada aos serviços

Algumas empresas possuem uma cadeira de CTO (Chief Technology Officer) desvinculada do cargo de CIO; outras podem juntar as duas funções em uma única pessoa. A diferença entre os dois perfis está na finalidade do conhecimento em tecnologia: enquanto o CIO a aplica aos negócios, o CTO usa insumos tecnológicos para o desenvolvimento de produtos e serviços, oferecendo inovação aos consumidores.

Em artigo para o Huffington Post, Anurag Harsh, CMO da empresa de inteligência artificial IPsoft, explica a diferença. “O foco de um CIO é geralmente o lucro (bottom line)”, escreve. Já as prioridades do CTO, segundo ele, estão “nos consumidores externos e na receita (top line)”. Os dois papéis, no entanto, exigem habilidade para gerenciar os grupos de TI dentro da organização.

CMO e CRO: marketing e vendas

Dois papéis em ascensão no C-suite são os diretores de marketing e de vendas. As atribuições de um CMO (Chief Marketing Officer) podem incluir desde o desenvolvimento de produtos e de promoções até o atendimento ao cliente e as relações públicas, tudo sob o escopo das estratégias de marketing.

Já o CRO (Chief Revenue Officer) é o responsável pelas vendas. Essas posições podem ser ocupadas pela mesma pessoa, que se torna uma ponte entre o CEO a área comercial, tanto nas plataformas físicas quanto nas digitais.

A pesquisa da Harvard Business Review destaca a importância crescente dessas funções com o desenvolvimento tecnológico: “A tecnologia — em particular, os canais digitais como pontos de contato — continuará a dominar a estratégia de marketing e de vendas no futuro. A demanda por recursos de segmentação crescerá conforme as empresas lidam com uma população mais diversificada de clientes que esperam produtos e soluções sob medida, bem como níveis mais altos de serviço”.

CDO: o poder dos dados

A importância crescente da coleta, tratamento e análise de informações para o rumo dos negócios tem feito com que as empresas invistam em um CDO (Chief Data Officer), responsável por transformar o cada vez maior volume de dados em lucro. Este gráfico do Visual Capitalist mostra que, em 2019, 90% das grandes empresas do mundo terão um executivo focado em tecnologia da informação.

Além do conhecimento técnico aprofundado em ciência de dados para gerenciar as equipes de estatísticos que processarão todos os números relevantes, o CDO também precisa se valer de uma visão estratégica para saber como aplicar as informações aos negócios. “O meu papel é disponibilizar os dados para atender às necessidades da empresa no desenvolvimento de novos produtos, serviços e ofertas”, explica Mário Faria, primeiro CDO brasileiro, em entrevista à revista Exame.

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