12 de set de 2017

Carros autônomos no Brasil: quando serão uma realidade?

Udacity Brasil

A chegada dos carros autônomos no Brasil pode estar mais perto do que você imagina. Já existe tecnologia nacional em desenvolvimento para transformar em realidade a utilização de veículos automatizados que dispensam o motorista. É bem provável que, em pouco mais de uma década, esse tipo de carro já esteja rodando pelas ruas do país.

E isso deve acontecer mesmo com todos os entraves na legislação e infraestrutura viária brasileira. Nesse artigo, vamos explicar mais sobre as iniciativas de pesquisadores brasileiros nessa área e quais são os principais desafios para que os carros autônomos comecem a trafegar no Brasil.

A disputa pelo pioneirismo lá fora

A busca pelo carro que dirige sozinho está acontecendo em diversas empresas e países, sendo que uma das iniciativas mais notórias é a Waymo, uma divisão da Alphabet (holding da Google) que, em parceria com a Fiat Chrysler Automobiles, espera levar a novidade às ruas em breve.

Outras empresas como Uber também investem na novidade e existem projetos avançados em testes em países da Ásia, com destaque para Cingapura e Japão.

Mas, apesar de não entrar na disputa pelo pioneirismo, o Brasil também possui seus avanços no desenvolvimento dessa tecnologia: na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), está sendo criado o projeto IARA (Intelligent Autonomous Robotic Automobile): carro autônomo que pode ser testado ainda neste ano em uma estrada.

No campus da USP de São Carlos também há pesquisadores envolvidos na concepção de um carro autônomo: o projeto Carina. Mas se a tecnologia já está em testes, porque pode demorar mais de uma década para vermos esse tipo de veículo nas ruas?

De acordo com Helio Perroni Filho, que participa do projeto IARA, da UFES, os principais desafios são a legislação insuficiente, a infraestrutura ruim e, claro, a falta de interesse e investimento de grandes empresas e do governo: “Acredito que só devem chegar ao Brasil daqui uma década ainda. E quando chegar, será alheio ao esforço do governo e das empresas automobilísticas”, avalia o pesquisador.

Para Helio, que é doutor em Ciência da Computação pela Universidade de Tsukuba, Japão, a tecnologia não é o principal problema: “Temos pessoas com competência e qualificação suficientes para desenvolvê-los aqui, mas falta investimentos e apoio governamental”, ressalta.

Segundo o doutor, os carros autônomos devem mudar a forma que o transporte individual é feito. Em vez de ter um veículo na garagem e arcar com todos os seus custos, uma pessoa poderá, no futuro, pagar uma taxa mensal para poder usar livremente veículos controlados por computadores que trafegam sem parar pelas cidades. “Isso mudaria a forma do transporte individual, reduzindo os custos e amenizando demandas desagradáveis como a de procurar vagas e estacionamentos”, completa ele.

Como funciona o carro autônomo

Algumas pessoas nutrem desconfiança em relação a segurança dos carros autônomos, inclusive no Brasil. Mas na prática, o sistema de direção controlado pela máquina é muito mais seguro do que o manual.

A divisão de carros autônomos da Alphabet, a Waymo, acredita que o carro autônomo pode evitar boa parte dos acidentes fatais no trânsito: segundo os dados apresentados, 94% destes acidentes são causados por falha humana. No Brasil, a taxa é de 23,4 mortes a cada 100 mil habitantes por ano, de acordo com a OMS.

Mas como um veículo sem motorista pode ser mais seguro? Existem muitas variações dependendo do projeto e do desenvolvedor, mas na essência, o automóvel autônomo conta com uma série de sensores, câmeras e radares, além de um GPS para orientação.

Essas tecnologias permitem que o carro “enxergue” outros veículos, sinalizações, cruzamentos, animais, pedestres e ciclistas, tomando ações controladas para evitar acidentes. Como em um avião, alguns desses equipamentos contam com redundâncias em caso de falhas e é possível sempre transferir o controle para o manual caso aconteça algo inesperado.

As tecnologias dos carros autônomos passam por testes exaustivos para comprovar sua eficácia e, com cada vez mais pesquisas nessa área, é bem provável que o sistema evolua nos próximos anos e se torne ainda mais seguro.

Conheça os projetos de carros autônomos no Brasil

Em países como os Estados Unidos e o Japão, as pesquisas começaram há mais de 20 anos, contando inclusive com investimentos governamentais e da indústria automotiva. No Brasil, os incentivos para a tecnologia ainda são tímidos, mas desde 2007 grupos de pesquisa começaram a explorar essa possibilidade no país.

Em 2010, começaram os estudos do Carina I pela USP de São Carlos. O projeto foi ganhando força e em 2013 o Carina II realizou o seu primeiro teste público pelas ruas de São Carlos, percorrendo as ruas e avenidas da cidade sem se envolver em nenhum incidente — dentro da universidade, o veículo já rodava desde 2012.

O Carina II é um Fiat Palio Adventure Dualogic customizado com sistemas de automação e sensores, operando em Linux Ubuntu, com a plataforma ROS para troca de mensagens entre processos.

Já o projeto IARA, do Laboratório de Computação de Alto Desempenho (LCAD) da UFES, começou em dezembro de 2009. Sob a direção do professor Alberto Ferreira de Souza, o IARA já foi testado dentro do campus de Goiaberas da UFES, percorrendo sem problemas os 3,8 km da que circunda a instituição de ensino.

A meta estipulada posteriormente foi ainda mais ambiciosa: em maio deste ano, a UFES testou novamente seu carro autônomo, que concluiu com sucesso uma viagem de 74 km de Vitória a Guarapari — contando com o apoio de um motorista que fez poucas intervenções.

Os dois exemplo mostram que, mesmo chegando depois na corrida pelo primeiro carro autônomo comercial, existe potencial brasileiro no desenvolvimento dessa tecnologia.

Com o adoção dos veículos controlados pela máquina no exterior cada vez mais próxima, é inevitável que a legislação avance, possibilitando um aumento dos investimentos no país e apareçam ainda mais oportunidades para os carros autônomos no Brasil.

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Sobre o autor
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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.