16 de abr de 2018

Aeronaves autônomas e carros voadores: conheça 8 modelos que se preparam para o mercado

Udacity Brasil

Como será o futuro? Não existe resposta exata para essa pergunta. Mas uma coisa é certa: haverá carros voadores e aeronaves autônomas de pequeno porte transportando pessoas por aí.

Talvez você esteja pensando que isso não é uma grande novidade, pelo menos no campo das ideias – afinal, os criadores de _Os Jetsons_ já previam tudo isso lá nos anos 1960, quando a animação futurista foi criada. O fato é que, agora, esse tipo de tecnologia está finalmente pronta para decolar. De verdade.

A indústria não para de criar novidades disruptivas que surgem não apenas em startups do Vale do Silício mas também em montadoras de veículos tradicionais e nos galpões da NASA.

Carros completamente autônomos já estão em fase avançada de testes e não levará muito tempo para que sejam amplamente utilizados em cidades de todo o mundo. Basta lembrar que, até hoje, já circularam mais de 8 milhões de quilômetros sem assistência humana.

De olho em outro nicho, ao redor do globo uma série de companhias altamente tecnológicas está criando protótipos e fazendo maciços investimentos nessa nova corrida aérea. As novidades devem chegar ao mercado, de diferentes maneiras, já na próxima década.

Leia: Como veículos autônomos e cidades inteligentes se conectam

Cada empresa tem feito suas próprias apostas, mas elas têm um ponto em comum: o desejo que as pessoas possam utilizar veículos voadores para se transportar com mais conforto, rapidez e segurança.

Essa vontade de voar livremente por conta própria, utilizando uma máquina como apoio, acompanha a humanidade há um longo tempo. Leonardo da Vinci, por exemplo, idealizou a "bicicleta voadora" entre o final do século 15 e início do 16 – ele estaria empolgadíssimo com os rumos que a tecnologia vem tomando.

Acima, um protótipo da bicicleta voadora de Leonardo da Vinci

Antes de continuar, há uma diferença que precisa ser delineada entre aeronaves autônomas e carros voadores, que podem ser eventualmente confundidos uns com os outros.

Os carros voadores são máquinas 2 em 1, que servem tanto para o transporte terrestre (sobre rodas, como qualquer carro) quanto para abrir asas e alçam longos voos, como uma aeronave de pequeno porte. Com tanta tecnologia envolvida, é extremamente provável que eles sejam também carros voadores autônomos.

Já as aeronaves autônomas são estruturas feitas para voar e carregar seres vivos de um lugar a outro sem ninguém pilotando. Elas podem ser parecidas com aviões ou não (há quem diga que parecem veículos saídos diretamente de um armazém de _Star Wars_).

Para quem quer mergulhar ainda mais fundo nesse universo, vale ler as colunas de Alexandre Nogueira, aluno da Udacity no programa Nanodegree Voo Autônomo, que falam sobre o que torna um veículo autônomo e como criar sistemas do tipo para drones.

Leia: Este brasileiro está fazendo carreira com carros autônomos

Novos jeitos de voar: quais são os desafios?

Se, por um lado, não faltam vontade e investimentos para tirar esses planos do papel, por outro, os desafios ainda existem. Apesar de novas tecnologias abrirem muitas possibilidades, o avanço de projetos como carros voadores e aeronaves autônomas ainda esbarra na questão das regulamentações governamentais e no próprio convencimento da sociedade sobre a segurança desse tipo de máquina.

Entre as questões regulatórias que precisam ser enfrentadas estão, por exemplo, a formação necessária para pilotar esse tipo de veículo, as áreas onde o uso será permitido, as regras de trânsito aéreo e terrestre, entre outras.

Embora os empecilhos legais freiem o desenvolvimento da tecnologia em determinados lugares, há países entusiasmados com a inovação e que estão incentivando os testes com esse tipo de máquina.

É o caso, por exemplo, da Nova Zelândia, que dá as boas-vindas aos protótipos da Kitty Hawk, uma startup liderada por Sebastian Thrun, presidente e cofundador da Udacity, e que conta com investimento de Larry Page, cofundador do Google.

O governo do país compreendeu que essa era uma boa oportunidade para atrair a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologia de ponta, que são consideradas área-chave para o crescimento da nação. De acordo com a primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern, o objetivo é "enviar ao mundo a mensagem de que nossas portas estão abertas para pessoas com grandes ideias que querem transformá-las em realidade".

Nos Emirados Árabes Unidos, a tecnologia disruptiva dos novos meios de transporte também não assusta – muito pelo contrário.

Em Dubai, que ocupa o 85º lugar no ranking dos piores tráfegos do mundo, os governantes estão determinados a transformar a região em um centro de inovação em transporte, e isso têm atraído empresas para realizar testes tecnológicos, a exemplo do Velocopter e do EHang 184, apresentados mais adiante.

A seguir, confira as principais promessas de carros voadores e aeronaves autônomas que devem entrar em circulação nos próximos anos.

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4 carros voadores (praticamente) em produção

PAL-V

Vá se acostumando com esse nome. A marca holandesa fundada em 2007 é uma das mais avançadas quando o assunto é carro voador. O modelo PAL-V Liberty foi apresentado ao público no salão do automóvel Geneva Motor Show 2018, na Suíça. No YouTube, o vídeo de divulgação da tecnologia teve mais de 141 mil visualizações em apenas um mês.

Como descreveu o jornalista de automóveis Andrew Krok, o modelo da PAL-V "não é exatamente a coisa mais linda do mundo. Parece com aqueles antigos triciclos elétricos, misturado com o robô Alfa da série Power Rangers". Mas nem por isso a máquina deixa de ser impressionante.

Esse carro voador acomoda duas pessoas e funciona como um girocóptero. Diferentemente de um helicóptero, ele não consegue levantar vôo na vertical. Para decolar, é preciso percorrer 180 metros na horizontal. Por conta disso, a aeronave é classificada como STOL, sigla em inglês para "short-run take-off and landing" (decolagem e aterrissagem em espaço reduzido).

Leia: 10 tecnologias promissoras em 2018, segundo o MIT

Em nota liberada pela assessoria de imprensa da marca, Robert Dingemanse, CEO da companhia, afirmou: "Uma vez concedida todas as certificações necessárias, em 2019 nós entregaremos as chaves do PAL-V Liberty aos nossos primeiros clientes". Um fator que facilitará a rápida inserção do produto no mercado é que ele já foi projetado em concordância com as regras vigentes para transportes na Europa e nos Estados Unidos, tanto para rodovias como para o céu.

Segundo a fabricante, este será o primeiro carro comercial do mundo que pode voar. Enquanto as primeiras unidades (vendidas por cerca de 1,8 milhão de reais) não são entregues, os interessados na compra já estão frequentando escolas de pilotagem para poderem conduzir o carro voador.

O veículo leva de 5 a 10 minutos para trocar o modo carro para avião e vice versa. Atinge 100 km/h em 9 segundos e tem velocidade máxima de 160 km/h. Para o vôo, a capacidade máxima de altura é de 3 mil metros do chão (aproximadamente um terço do que um avião comercial alcança).

AeroMobil

A AeroMobil, empresa da Eslováquia, é mais uma em busca do carro voador. A pré-venda do produto – por aproximadamente 1,5 milhão de euros – já começou e as primeiras entregas estão previstas para o ano de 2020.

Assim como o PAL-V, o modelo 4.0 da AeroMobil também foi desenhado unindo as regulações atualmente aplicadas a carros e aviões. Da mesma maneira que seu concorrente, ele é classificado como um STOL – mas a empresa já prevê um modelo 5.0, que irá decolar e pousar verticalmente, o chamado VTOL ("vertical take-off and landing"). Este deve ficar pronto em 2028.

Segundo informa a AeroMobil, o veículo é movido por propulsão híbrida e a mudança do modo carro para avião acontece em 3 minutos. A estrutura feita em fibra de carbono suporta até duas pessoas e a velocidade máxima é de 360 km/h no céu. Estima-se que serão produzidas 500 unidades do modelo 4.0.

Terrafugia

A americana Terrafugia afirma que seu modelo mais simples de carro voador, o Transition, irá entrar no mercado a partir de 2019. Com design bem menos arrojado do que os concorrentes, o veículo praticamente não esconde as asas quando está no modo carro e não parece nada futurista. Mas ele cumpre o que se propõe a fazer: anda sobre rodas e voa (STOL).

A reserva já pode ser feita mediante depósito inicial de 10 mil dólares – que podem ser devolvidos caso o comprador se arrependa na última hora. O preço final do produto não foi divulgado oficialmente, mas estima-se que ficará na casa de 200 mil dólares.

Em 2017, a empresa foi comprada por uma montadora chinesa de grande porte, a Zhejiang Geely Holding Group e, desde então, não para de crescer. Nos últimos tempos, a companhia abriu 130 novas vagas de emprego. Recentemente, foi anunciado um novo modelo, o TF-X, uma versão bem mais moderninha e bonita do produto. O TF-X terá decolagem e pouso vertical (VTOL), voará de forma autônoma e terá capacidade para até 4 pessoas.

A estimativa é que esse modelo mais moderno esteja disponível somente em 2023. A Terrafugia se classifica como uma empresa que deseja "criar carros voadores práticos para dar nova dimensão à liberdade pessoal".

Pop.Up Next

O conceito do Pop.Up Next é o mais inovador de todos e, por ainda se encontrar em desenvolvimento, está mais distante de se concretizar. O projeto surgiu de uma uma aliança entre Airbus, Audi e Italdesign (subsidiária da Volkswagen) e a previsão é que comece a ser comercializado apenas em 2025.

A ideia é digna de filme de ficção científica: um transporte modular completamente autônomo que funciona à base de bateria elétrica e troca de mecanismo completamente – ora é drone, ora é carro –, "abandonando" as rodas ou asas pelo caminho, de acordo com a necessidade do usuário. O para-brisa é, na verdade, uma tela touch de 49 polegadas que interage com os humanos por meio de reconhecimento facial e de voz.

“O Pop.Up Next é uma visão ambiciosa que pode mudar permanentemente nossa vida urbana no futuro”, diz em nota Bernd Martens, membro do conselho da Audi e presidente da Italdesign. O objetivo é que o veículo seja adotado em larga escala pelas cidades, para funcionar como uma opção de transporte coletivo urbano.

Ou seja, ele não foi pensado para fins particulares e seu funcionamento depende de um inteligente sistema de transporte urbano integrado. Os primeiros testes estão previstos para 2022.

Leia: Como França e Coreia do Sul policiam os céus e caçam drones indesejados

4 novos tipos de veículos voadores

Além dos carros que voam, também estão surgindo em todo o mundo pequenas aeronaves capazes de transportar pessoas de maneira prática e rápida. Há as que são pilotadas por humanos e outras que funcionam de maneira autônoma (AAV, "autonomous aerial vehicle").

Ao contrário dos carros voadores, elas não são 2-em-1 e se destinam somente aos céus. Mas essas máquinas são igualmente complexas, modernas e cheias de tecnologia de ponta. Confira:

Velocopter

Parece um helicóptero, mas o funcionamento é completamente diferente. A aeronave tem 18 rotores silenciosos e é operada usando apenas um joystick. A fabricante do Velocopter o classifica como o primeiro VTOL do mundo completamente elétrico e capaz de transportar seres humanos com segurança.

Em 2017, foi testado pela primeira vez na cidade de Dubai, sob condições climáticas pouco favoráveis – e tudo correu bem. O intuito é que a máquina seja usada no futuro na forma de táxi aéreo.

Uber Elevate

Outro projeto que vem chamando a atenção é o Elevate, criado pela Uber com ajuda da NASA e da Embraer. A ideia é fornecer um serviço prático de transporte aéreo por meio de máquinas voadoras futuristas, pilotadas por humanos.

De acordo com um anúncio feito por Jeff Holden, Chief Product Officer da Uber, o serviço será testado a partir de 2020 e estará disponível até 2023 nas cidades americanas de Los Angeles e Dallas. A viagem será pedida pelo smartphone, assim como já acontece com os atuais carros da companhia.

De acordo com a Uber, um grande desafio do projeto é garantir que o trabalho seja feito dentro das regulações legais dos locais onde a empresa irá operar com o serviço aéreo. "Tivemos muitas conversas produtivas com as partes interessadas do governo em todos os níveis. O Elevate só pode chegar às cidades que desejam ativamente tê-lo", afirmou a empresa em entrevista por e-mail concedida à Udacity.

A Uber informou ainda que o plano é criar uma rede de aeronaves (VTOL) em diversas cidades do mundo para promover não só o transporte de pessoas mas também serviços de logística e delivery. A empresa irá participar do desenvolvimento do software e do hardware de controle do espaço aéreo e irá fornecer a interface de conexão com os controladores de voo.

EHang 184

Ele lembra um drone gigante – e é isso mesmo. Criado na China, o EHang 184 tem quatro hélices e capacidade para um passageiro de até 100kg. Ele pode voar a até 500 metros de altura e sua autonomia é de cerca de 20 minutos. Os testes já estão sendo feitos e, nos próximos anos, ele começará a operar em Dubai. A máquina é completamente elétrica, de modo que não gera poluentes.

Kitty Hawk

Além de ser liderada por Sebastian Thrun, que criou o primeiro carro autônomo no Google e é cofundador da Udacity, a Kitty Hawk tem Larry Page, cofundador do Google, como um de seus principais investidores. Ou seja, o Vale do Silício está prestando muita atenção em suas criações.

Hoje, a companhia aposta em duas máquinas voadoras para o futuro. A primeira delas, com contornos mais bem definidos, recebeu o nome de Cora: um táxi aéreo, que, à primeira vista, lembra um pequeno avião comum, mas é bem mais do que isso.

A aeronave é VTOL, ou seja, decola verticalmente (como um helicóptero), é 100% elétrica e funciona de forma autônoma. A empresa segue com o desenvolvimento do produto na Nova Zelândia, onde conseguiu apoio do governo para tornar o sonho realidade.

A segunda novidade da Kitty Hawk é o Flyer, uma criação um tanto curiosa que despertou a atenção do mundo ao ser testado sobre um lago. Embora o site da Kitty Hawk não traga sequer pistas sobre o produto, o perfil da marca no YouTube exibe um vídeo do teste do Flyer, onde um homem pilota a engenhoca.

Este é mais um dos diversos protótipos da startup, que já permite que entusiastas façam um depósito de 100 dólares para garantir um desconto de US$ 2 mil no futuro. O preço final e a data de lançamento ainda não são conhecidos. É preciso segurar a ansiedade.

Page, que já tem o seu garantido, resumiu seu entusiasmo em uma nota ao jornal _The New York Times_. "Todos nós já sonhamos em voar sem esforço. Estou entusiasmado que um dia, muito em breve, vou poder embarcar em meu Kitty Hawk Flyer para um voo pessoal rápido e fácil."

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.