18 de abr de 2018

Para CEO do Slack, todas as empresas serão de tecnologia no futuro

Udacity Brasil

Era um dia frio em Davos, na Suíça, e a cidade estava repleta de políticos, bilionários, representantes de grandes empresas, jornalistas e celebridades, todos reunidos para participar do Fórum Econômico Mundial.

Durante o evento, há numerosos painéis, discursos e palestras para acompanhar. Um deles foi organizado pelo portal de notícias Quartz e focou em um assunto vital para organizações de todo porte: como se destacar na era de disrupção digital?

Ao lado de Paul Jacob, presidente executivo da Qualcomm, e Omar Abbosh, Chief Strategy Officer da Accenture, Stewart Butterfield, CEO e cofundador do Slack, falou sobre os desafios que enfrenta em uma era de transformações tão aceleradas.

Atualmente dono de uma valuation de US$ 5,1 bilhões, o Slack é uma plataforma de comunicação organizacional usada por mais de 6 milhões de usuários que já chamou a atenção da Amazon e da Microsoft. E esta não é a primeira experiência de Butterfield na área: ele também cofundou o Flickr, que foi vendido para o Yahoo em 2005.

Questionado sobre como preparar a empresa para o futuro, o executivo respondeu que tenta colocar os acontecimentos em uma perspectiva histórica. “Estamos no início de uma mudança de cem anos em relação a como as pessoas se comunicam. O telégrafo foi uma grande mudança e a prensa foi uma grande mudança”, resumiu.

Ele dá um exemplo. “Há uma 'bíblia' da gestão tecnológica do Vale do Silício, High Output Management de Andy Grove”, fala. “É fascinante porque foi escrito no começo dos anos 1980 e há um prefácio de 1989 nas edições mais recentes em que ele diz: ‘Olha, tudo que disse nesse livro é verdade, mas deixe-me lhe contar que há uma coisa nova louca chamada e-mail e acho que muita coisa vai mudar’.”

Para Butterfield, essa trajetória do inbox ainda não terminou. “As pessoas veem o Slack como um matador de e-mails – e acho que realmente reduz de maneira maciça a quantidade interna de e-mails –, mas não acabou. Acho que este não é o fim dessa transição. O uso de tecnologia de computação para facilitar a interação humana está apenas começando.”

Leia: 'Black Mirror' da vida real: saiba que tecnologias da série já existem

Conquiste o cliente, conquiste o mercado

É claro que, num universo em que mais de 200 bilhões de e-mails são disparados todos os dias e que a comunicação é cada vez mais importante (e frequente), não há apenas o Slack na parada. Para o CEO, o que os diferencia de pequenos players, como outras startups, e grandes players, como a Microsoft e seu Outlook, é a abordagem customers first.

“É difícil superestimar o impacto do amor real dos clientes. Se você coloca os clientes em primeiro lugar – se houver uma insistência de baixo para cima para que as empresas usem Slack –, então vai acontecer de um jeito ou de outro."

Se um grupo de engenheiros talentosos exigir Slack como pré-requisito, exemplifica, chances são de que a empresa vá aceitar a demanda e implementar a ferramenta.

Essa paixão pelo produto ou serviço deve se estender ao trabalho em si. “Queremos dar às pessoas a oportunidade de fazer o melhor trabalho de suas vidas”, fala. “Quão longe você consegue ir, quanto você consegue criar, o que consegue fazer e os fracassos são importantes.”

Como tantos empreendedores, ele destacou a importância do aprendizado nessa jornada. "Se você aprendeu algo, então provavelmente algo deu errado”, diverte-se.

“Amo a analogia do videogame: ninguém está envergonhado ou tenta minimizar ou justificar ou explicar [o que aconteceu] porque morreu quando tentava pular um obstáculo. As pessoas só pensam: ‘Isso não funcionou. Vou tentar outra coisa.’ É isso que queremos."

Leia: Não sabe nada sobre tecnologia? Saiba como se preparar para projetos digitais

As empresas de tecnologia do futuro

Pensando sobre a evolução das grandes empresas atuais, Butterfield adicionou uma provocação: ainda existem empresas _de_ tecnologia? “A distinção está ficando cada vez mais enevoada."

“A Uber é uma empresa de tecnologia ou de transporte? Ou veja o que a Walmart faz, que é impressionante do lado tecnológico”, continuou. "Isso indica que a habilidade que uma empresa tem para tirar vantagem das tecnologias precisa ser a maior possível – ou eles vão ser disrupcionados.”

Em um painel sobre disrupção, seria impossível terminar sem uma pergunta já clássica: o que vai acontecer com o mercado de trabalho do futuro?

Embora Butterfield não veja um futuro em que a inteligência artificial domine todos os trabalhos, ele aposta em grandes mudanças especialmente quando se trata de tarefas repetitivas e entediantes que ainda são feitas por humanos.

“Imagine como seria fazer uma análise importante em 1978, um ano antes das planilhas surgirem. Era tanto trabalho que você nem conseguia fazê-lo inteiro. Acho que veremos esse tipo de mudança aplicada a papeis de marketing, TI, direito e finanças, assim como um conjunto de habilidades [humanas] muito maior."

Leia também:

Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.