Como aprender a programar: 4 programadores relembram seus desafios iniciais

Udacity Brasil
15 de mai de 2018

Se você tem vontade de começar a programar, pode ser difícil saber ao certo por onde começar: embora já exista uma série de recursos online voltados para o assunto, programação ainda é um tema relativamente intimidante para iniciantes. Não é totalmente sem motivo: se você já sabe programar, deve se lembrar dos desafios que enfrentou no começo.

Mas se por um lado o caminho é desafiador, por outro lado o destino é muito atraente. Aprender a programar significa adquirir um conhecimento capaz de abrir muitas portas na sua carreira, mesmo que você não trabalhe diretamente com tecnologia.

Fora isso, é um aprendizado que ajuda a entender muito do nosso mundo atual. Muitos aparelhos que usamos no dia a dia, de nossos celulares e computadores a catracas e fornos de microondas, dependem de tecnologias desse tipo para funcionar.

Para ajudá-lo a se inspirar e seguir em frente, conversamos com quatro programadores para saber como eles enfrentaram os desafios do início do processo de aprendizado.

As dicas são valiosas e podem ajudar qualquer um que estiver precisando de um estímulo para continuar em um caminho que vale (muito) a pena.

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Ketilin Nayade dos Santos Coutinho, desenvolvedora sênior na Pontal Telecom

Os pais de Ketilin não tinham nenhuma conexão profissional com tecnologia - muito pelo contrário. “Até hoje só sabem mexer no WhatsApp para se comunicar”, conta, rindo.

“Eu gostava de computadores e queria aprender mais sobre como eles funcionam”, disse. Começou a estudar o assunto e seguiu direto para o mercado de trabalho, onde ela precisou enfrentar suas limitações na prática.

“Enquanto eu estudava, eu não superei minhas dificuldades. Eu fazia dupla com uma amiga nas aulas. Eu era boa em Java e eu em PHP, então nós nos ajudávamos nos exercícios”. No trabalho, sem a ajuda dela, Ketilin diz que teve que aprender “na raça”.

Felizmente, ela conseguiu achar os recursos necessários. “Busquei entender melhor como funciona a linguagem [que era exigida no trabalho] e principalmente as aplicações em que eu iria trabalhar”, conta.

Para isso, ela recorreu mais uma vez à ajuda de colegas para tirar suas dúvidas. “Muitas vezes fazíamos programação em pares”, fala. É uma prática bastante comum em empresas: assim as duas pessoas aprendem uma com a outra e, de quebra, ainda podem revisar seus respectivos códigos.

Para quem estiver passando por dificuldades parecidas, Ketilin recomenda buscar por recursos online. “Tem muitas vídeo-aulas maravilhosas”, conta. (A própria Udacity mantém um canal no YouTube e tem um catálogo vasto de cursos abertos.)

Outro ponto é sempre manter a prática. Ela considera importante “fazer programinhas, nem que seja só para aprender”. E, por fim, garantir uma ajuda pessoal quando for necessário: “Tenha sempre alguém com quem tirar as dúvidas”.

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Gulherme Fabris, Analista de Testes Automatizados na RSI Informática

Guilherme, como muitos outros programadores, despertou ainda na infância seu gosto pelo assunto e começou com jogos eletrônicos. “Depois eu migrei para computadores, mais para jogar mesmo, e eu sempre gostei bastante de mexer nos arquivos”, conta.

Mexer nos arquivos permitia que ele consertasse os jogos caso eles tivessem algum problema em vez de instalá-los de novo, por exemplo. “Esse tipo de coisa foi me dando uma noção do que era um sistema operacional, uma DLL, extensões de arquivos, etc.”

Para dar continuidade aos seus estudos informais, ele terminou o ensino médio e foi estudar na Fatec, em São Paulo. Em termos profissionais, foi uma escolha acertada: no fim do segundo semestre, ele já começou seu primeiro emprego. E foi então que as dificuldades começaram.

Curiosamente, os maiores desafios que ele enfrentou para entrar no mercado de TI tinham pouco a ver com tecnologia - e muito mais a ver com pessoas. “Na verdade, meus maiores desafios foram todo o lado corporativo, comportamental e metodológico que envolve a área de TI”, disse.

A superação desse obstáculo veio por meio de uma realização pessoal importante: “Eu percebi com o tempo e com as minhas decepções profissionais que o relacionamento entre pessoas era talvez mais importante que realmente ser bom tecnicamente, por ser algo mais em falta no mercado”.

Um grande auxiliador desse aprendizado foi quando ele encontrou emprego em um local que atendia melhor suas expectativas. “Uma coisa que eu considero super importante é gostar de onde você trabalha, em todos os âmbitos”, diz. Ele considera essa uma condição essencial para quem quer trabalhar bem e ser reconhecido.

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Felipe Guimarães de Aquino, programador do Olhar Digital

Assim como aconteceu com Ketilin, os pais de Felipe também não eram da área de tecnologia. No entanto, foram eles os principais incentivadores de uma carreira no setor, parcialmente graças ao mercado de trabalho promissor.

Seu primeiro contato com o assunto foi durante o ensino médio. Naquela época, ele teve contato com a linguagem de programação C e acabou “gostando demais de programação”. Esse gosto levou-o a estudar por conta própria.

Suas principais dificuldades foram os aspectos mais abstratos da programação. “Conceitos básicos, como estruturas lógicas e afins” foram entendimentos que exigiram certo esforço, lembra-se.

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Um recurso de estudo valioso que ele usou para superar os desafios foram exercícios de programação que podem ser encontrados pela internet. Esses exercícios, ele conta, são quase como “pegadinhas” de lógica, e costumam constar em maratonas de programação, conhecidas como hackatons.

Em particular, ele cita o site URI Online Judge como uma boa fonte de estudos. Os problemas no site não são separados por linguagem de programação, mas por nível de dificuldade. Assim, podem ser úteis independentemente da linguagem que se pretenda estudar.

Além dos exercícios, os sites também costuma ter um aspecto comunitário: outras pessoas podem ajudar quem estiver tendo problemas com um ou outro desafio. Foi por meio desses recursos que Felipe conseguiu superar alguns dos desafios técnicos que enfrentou durante o período de aprendizado.

São esses sites e comunidades que ele recomenda para quem está com dificuldades para progredir. “A lógica é simples e, com bastante treino, você consegue se acostumar a esse jeito de pensar.”

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Evelyn Nayara, analista de infraestrutura da Algar Tech

Evelyn também veio de uma família que não tinha pessoas ligadas ao mercado de tecnologia. Ela começou a aprender programação no ensino médio, onde fez curso técnico de informática. Teve ótimos professores e, depois de se formar, seguiu desenvolvendo seus conhecimentos no curso de Redes de Computadores da UNICID.

Um dos obstáculos que enfrentou em seu aprendizado acabou sendo a solidão. “Familiares e amigos nunca entendiam o que eu falava referente à linguagem de programação, mas as máquinas me entendiam”, diverte-se.

Em termos técnicos, o momento mais desafiador para ela foram o aprendizado da linguagem Java. “Principalmente quando teve que juntar Java com MySQL, sempre dava algum erro” relembra, também já rindo da fase.

E se para o Guilherme os jogos foram a porta de entrada para a programação, para Evelyn eles acabaram sendo um desafio também: o desenvolvimento de jogos com Java foi um dos projetos mais desafiadores que encarou. “Meu curso era voltado para aplicações e não para jogos, então tivemos que ter um esforço maior para conseguir um conhecimento além da sala de aula”, diz.

Assim como Ketilin, Evelyn superou os desafios por meio de estudos e colegas. “Tive que recorrer aos livros, estudar pela internet e buscar o auxílio dos professores e dos colegas de classe”. No caso de projetos em grupo, “dividíamos as partes conforme o melhor domínio de cada integrante e estudávamos por conta”.

O principal motivador nesse processo de superação foi o amor pelo que fazia. “Por fazer o que gosto, nunca quis desistir, mesmo [programação] sendo para algumas pessoas algo ‘estranho’ e ‘diferente’, que estava fora do meu convívio familiar e ciclo de amigos”, conta.

A sede de conhecimento por uma área que ela apreciava também foi importante. “Começamos no ‘Olá mundo’ e nunca terminamos. Cada etapa é um novo aprendizado e uma nova descoberta”, finaliza.

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