Este brasileiro está fazendo carreira com carros autônomos

Udacity Brasil
5 de abr de 2018

“Minha dica é meio clichê: educação é investimento. Você não tem que pensar muito e sim estudar o que gosta. Quando você não tem um objetivo, qualquer caminho é o certo.”

Este é o conselho de Fernando Damásio, que decidiu estudar machine learning por interesse, carros autônomos por fascínio e hoje é instrutor na Índia e empreendedor na área.

Formado em Engenharia de Controle de Automação, Fernando sempre se interessou por tecnologia e pelos estudos. No começo da carreira, trabalhou nas empresas da família até começar seu MBA na Fundação Dom Cabral, em Belo Horizonte.

No meio tempo, tornou-se trainee da Odebrecht no interior de Goiás, voltando para estudar na capital mineira todo fim de semana, e em seguida da Vale, no Rio de Janeiro.

Logo engatou uma pós-graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro e passou três anos trabalhando na liderança de projetos de portos e terminais. “Eu gostava, mas queria fazer meu negócio e estava no tempo de arriscar”, lembra.

Em idos de 2014, saiu da Vale e fundou a startup Cashflix, que oferece um programa de recompensas. “O início [de startup] é sempre difícil, mas as coisas vão se desenvolvendo. E aí me interessei por machine learning."

Em 2016, pesquisando sobre o assunto online, encontrou o programa Nanodegree Engenheiro de Machine Learning, que fez do começo ao fim em quatro meses. “Gostei muito e me formei rápido, na época em que estavam lançando o Nanodegree Engenheiro de Carro Autônomo. Eu me inscrevi também e passei para a primeira turma.”

Ao mesmo tempo, Fernando aplicou para ser mentor da Udacity. Para sua surpresa, foi selecionado – e para ser mentor da sua própria turma. “Foi um desafio porque eu tinha que estudar mais rápido que os colegas para ajudá-los”, diverte-se.

No fim, a correria (que começou com 12 mentorados e terminou com mais de 500, de três programas Nanodegrees diferentes) teve um saldo positivo. “Você recebe a pergunta, pesquisa para respondê-la. E quando ensina está aprendendo mais ainda.”

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Uma startup para desenvolvedores de carros autônomos

Em paralelo às aulas, ele tocava a Cashflix. Cada vez mais encantado seu novo mundo, no entanto, foi se desligando aos poucos do negócio até deixá-lo oficialmente no fim do ano passado.

No meio tempo, passou três meses no Vale do Silício, onde conheceu a equipe da Udacity em seu headquarter global, em Mountain View, e participou da conferência Intersect 2017 com outros graduados.

Decidido a empreender na área de veículos autônomos, cofundou a Data Riders, uma startup nascente que pretende pagar voluntários para gravar seus dados na direção. Nesse cenário, um equipamento automático seria acoplado nos carros e os dados, guardados num chip, poderiam ser baixados e enviados online.

“A principal ideia é fornecer Big Data de diferentes países e culturas para que desenvolvedores de carros autônomos possam utilizá-la para desenvolver os veículos, que precisam se adaptar também à direção dos outros motoristas”, resume Fernando.

Seus sócios, uma dupla de consultores brasileiros, passou dois anos viajando por mais de 70 países para estabelecer o networking. "Agora estamos descobrindo a necessidade do mercado, qual é o real problema e como os desenvolvedores precisam desses dados”, explica.

Quando ainda estava dando os primeiros passos da Data Riders, da qual é CEO, Fernando viu outra porta se abrir: foi convidado para ser um dos professores do Nanodegree Engenheiro de Carro Autônomo da UConnect, uma versão de aprendizado híbrido (online e offline) da Udacity.

São seis meses de trabalho e ele deve ficar no Índia até julho de 2018, lecionando para cerca de 100 engenheiros da InfoSys, uma gigante de TI fundada no país.

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Novo mercado, novas oportunidades

Muito se fala sobre o futuro dos veículos autônomos e às vezes pode ser difícil discernir o que é fábula e o que é real. É fato, no entanto, que gigantes da indústria automobilística (Tesla, GM, Toyota) e de tecnologia (Apple, Google, Uber) já os tornaram realidade: carros autônomos já rodaram mais de 8 milhões de quilômetros pelo mundo.

O que falta agora é percorrer o longo caminho para trazer essa tecnologia em massa e de maneira segura para a sociedade – e serão necessários muitos profissionais para tanto. “Ao entrar em um mercado que nasce agora, você bebe água fresca”, resume Fernando.

"Esse campo é muito novo no mundo inteiro e são poucas as pessoas, fora do ambiente acadêmico e governamental, que têm larga experiência nisso. Então vejo que, apesar de estarmos há pouco tempo aqui, nós da primeira turma do Nanodegree já somos macacos velhos”, diverte-se.

Nada disso significa que este seja um conhecimento fácil de se obter. De câmeras a lasers, há diversos desafios envolvidos em dominar a tecnologia por trás dos sistemas de veículos autônomos.

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De acordo com Fernando, um estudante inveterado que já está na quinta pós-graduação, a metodologia de ensino da Udacity, que inclui aplicar conhecimentos técnicos rapidamente, auxilia muito na absorção do conteúdo.

“O foco em projetos ensina técnicas tecnológicas muito avançadas e quando aprendemos – com aulas planejadas, estruturadas, com efeitos especiais para dar visibilidade – para logo aplicarmos, é muito melhor”, fala. “E com projeto não tem desculpa: tem que aprender, fazer e pronto.”

Atualmente, Fernando está avaliando suas opções profissionais para determinar os próximos passos. “Tenho minha startup, mas estou conversando com outras empresas”, fala. "Ter estudado e trabalhado na Udacity abre portas e as pessoas começam a te reconhecer.”

Pensando nos primeiros meses de estudo, quando ainda se esforçava para aprender a linguagem de programação C, ele comemora o timing de sua escolha. “Fazer estes cursos hoje é algo diferente e as pessoas se interessam por novidades – então aproveitem porque daqui alguns anos vai ser normal como qualquer tecnologia!"

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