19 de abr de 2018

Python Brasil, PyLadies, Python Software Foundation: conheça as comunidades de Python

Udacity Brasil

As comunidades de desenvolvedores da linguagem de programação Python estão espalhadas por todas as regiões do Brasil. Organizadas localmente em grupos de discussão de redes sociais, listas de e-mails e aplicativos, utilizam o espaço para criar projetos coletivamente, marcar eventos e aprender com troca livre de informações.

No país, a maior comunidade é a Python Brasil. Também se destaca a PyLadies, grupo internacional formado somente por mulheres. Neste artigo, você conhecerá a comunidade de desenvolvedores Python no Brasil e entenderá por que o engajamento em grupos de discussão é importante para os profissionais da área.

O que é Python

Pronuncia-se “Páifon”, escreve-se Python. A linguagem de programação Python é utilizada por empresas de todo porte, principalmente em data science. Entre as gigantes, Netflix, Spotify, Globo e Google fazem uso. Além disso, praticamente todas as distribuições Linux a utilizam.

É tida como uma das mais fáceis de aprender, especialmente para quem nunca teve contato com código antes. E por ser de tecnologia livre – ou seja, sem uma grande empresa por trás – a linguagem de programação Python não se baseia em certificações e programas de filiação como outras linguagens.

Além disso, é distribuída com uma licença própria sem tantas restrições. Sob a condição de manter o aviso de copyright da Python Software Foundation (PSF), a distribuição, comercial ou não, é permitida – tanto da linguagem quanto das aplicações desenvolvidas nela, seja em código fonte ou formato binário.

A PSF também que fornece apoio para todas as iniciativas de grupos de usuários.

Comunidade Python Brasil

Na comunidade Python Brasil, estão vinculadas 27 núcleos locais das cinco regiões do País. São Paulo se destaca por ter grupos organizados em pelo menos cinco cidades: Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos, São Paulo e Sorocaba.

Nacionalmente, o grupo debate questões ligadas à linguagem de programação Python em pelo menos dois espaços de discussão: Google Groups e Telegram.

Os integrantes se comunicam por diversos canais e quase todos optam pelo Google Groups. Dentro de cada comunidade regional, há ainda outra divisão: o Grupo de Usuário. Os membros são responsáveis por organizar eventos, encontros para bate-papo e mini-cursos sobre linguagem Python, que qualquer usuário da comunidade Python Brasil pode acessar.

De maneira geral, a comunidade no Brasil está organizada em diversas iniciativas e seus encontros são gratuitos: qualquer pessoa pode participar independente de nível de conhecimento. Somente as conferências anuais, mais robustas e presenciais, têm um valor a ser pago pelo ingresso.

Eventos da comunidade Python no Brasil

Não é porque se trata de uma linguagem de programação que tudo precisa acontecer online. No fim de março de 2018, por exemplo, desenvolvedores de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais organizaram o Python Sudeste.

Em abril, acontece em Florianópolis (SC) a Python Sul. E em junho acontece única conferência em formato de festa junina, com direito a quentão e paçoquinha: o evento Caipyra será em São Carlos, interior de São Paulo.

Em outubro, a Python Brasil, maior conferência latinoamericana do tipo, acontecerá em Natal, no Rio Grande do Norte. Serão seis dias de imersão, entre 17 e 22 de outubro.

No site da comunidade Python Brasil, é possível checar a agenda completa com todos os eventos que ocorrerão em 2018 no País.

Eventos da comunidade Python no mundo

No mundo, o maior grupo virtual de desenvolvedores é a Python Software Foundation, também responsável pela licença. Já o Python.org disponibiliza eventos, listas de e-mails e até pesquisas que mostram a distribuição dos profissionais da área em todo o mundo.

A principal conferência de Python é a Pycon, nos Estados Unidos, que reúne aproximadamente 400 participantes. Na Europa, destacam-se duas grandes conferências: EuroPython e DjangoCon Europe.

Por que participar de uma comunidade Python

Membro da Python Software Foundation e participante dos eventos do Brasil e de São Paulo, Bruno Rocha diz que participar dos grupos de discussão sobre Python é bom para quem deseja ganhar espaço no mercado de programação.

“Para enriquecer o portfólio e valorizar o currículo, é recomendado a um programador Python estar ativamente envolvido com a comunidade, colaborando com projetos de código aberto e fazendo contatos, além de colaborar e aprender muito através dessa troca livre de informações”, diz. “Na comunidade Python, temos o lema 'Pessoas > Tecnologia' – pessoas são melhores que tecnologia – e, com isso, garantimos que todos sejam bem-vindos.”

Débora Azevedo, membro da PyLadies, explica a conexão entre grupos de discussão e o mercado de trabalho em tecnologia da informação no Brasil. “Fazemos networking, contatos, conhecemos empregadores e pessoas que podem ser empregados, sócios etc. Nas comunidades por exemplo, trabalhos de mentoria e contribuição com open source contam e contribuem para uma comunidade e mercado de trabalho cada vez mais integrados”, afirma.

Leia também: Tutorial de Python: Desenvolva seu primeiro aplicativo na linguagem

A desenvolvedora, raridade entre programadores de forma geral por conta de seu gênero, conta que a inserção e permanência de mulheres na área tecnológica é “bem complicada” no Brasil, da questão salarial à escassez de profissionais do sexo feminino na sala de aula e no escritório.

“Um grupo como PyLadies vem dar um suporte e incentivo para essas meninas que estão persistindo na área: criando um ambiente seguro e inclusivo e buscando empoderá-las através da programação”, explica.

Desde 2014, a comunidade PyLadies tem sido divulgada em eventos, promovido palestras e minicursos, e atraído cada vez mais pessoas para ajudar a mobilizar mulheres programadoras no Brasil. “Já temos cerca de 30 grupos aqui no Brasil, de Norte a Sul do país. Cada grupo é independente, mas juntamos força nacionalmente para eventos maiores, como a Python Brasil”, diz.

Este ano promete uma novidade nesse front: o primeiro encontro PyLadies Conf Brasil, que reunirá mulheres desenvolvedoras de todo o Brasil para um evento feito por elas e voltado para elas, já está nos planos.

Exemplos de programas feitos em Python

A programação em Python está em uso nas principais áreas da tecnologia, como desenvolvimento web, desenvolvimento de software e na área de data science, além de em todos os sistemas operacionais Linux.

Naturalmente, sua versatilidade e boa performance atraem grandes empresas. Veja 4 exemplos abaixo:

Netflix

Porque Python é muito versátil, engenheiros do Netflix utilizam a linguagem e suas bibliotecas e frameworks para as mais diversas finalidades, como criar interfaces com a AWS, armazenar dados de usuários e seu histórico de uso, construir interfaces web e processar dados de maneira geral.

NASA

O Johnson Space Center, da NASA, utiliza Python em seu sistema de planejamento integrado – e há esforços para desenvolver uma coleção modular de ferramentas que possa ser utilizadas para planejar missões espaciais e substituir outras linguagens mais antigas.

Python também será implementada no novo Centro de Controle de Missões – o centro famoso em Houston, nos EUA, que aparece em todos os filmes sobre a agência – para auxiliar no processamento de dados.

Globo

A Globo utiliza o Python em grande escala para gerenciar os conteúdos dos seus portais de notícias e entretenimento, como G1, Globo Esporte e outros. Como a natureza desses conteúdos é muito dinâmica, os engenheiros escolheram a praticidade do Python para organizar publicação e acesso.

Google

Python é uma das linguagens adotadas em muitos produtos do Google, como o YouTube. A partir do momento em que o usuário tenta visualizar um vídeo, milhares de linhas de código em Python são executadas para que o conteúdo não trave, seja carregado rapidamente, armazene dados em buffer e troque de qualidade automaticamente quando necessário.

Leia também: O que é design thinking e como aplicá-lo no trabalho e na vida pessoal?

Como aprender a programar em Python

Para quem ainda se assusta com a possibilidade de programar instruções para um computador, Débora Azevedo, da PyLadies, explica de forma didática que Python é apenas um idioma entre os vários que conhecemos.

“Usamos diariamente o português para nos comunicar no Brasil. Caso você queira se comunicar com um americano, vai precisar falar em o inglês. Caso fale com um francês, vai precisar falar em francês… E caso precise falar com uma máquina?”, explica.

“Chegamos então no ponto-chave: para falarmos com máquinas, podemos usar diferentes linguagens, algumas mais complicadas, algumas mais rápidas, algumas mais cheias de símbolos… E entre todas essas, temos o Python, uma das melhores para se aprender a programar.”

Para facilitar a comunicação com a máquina, explica Bruno, são usadas as chamadas “linguagens de alto nível”, como o Python, que traz instruções para um dialeto mais próximo da linguagem natural. “Python é uma dessas linguagens que permite programar um computador utilizando instruções escritas em língua inglesa, que remetem a língua natural e tem estruturas bastante simples”, explica.

Cursos online de Python

Há materiais online em diversas línguas, inclusive português, para quem quer aprender a programar em Python. Segundo Débora, o curso que o grupo PyLadies costuma indicar para iniciantes é o Python para Zumbis, do professor Fernando Masanori.

Fundamentos da Programação com Python – Udacity

Este curso online gratuito da Udacity traz noções introdutórias sobre programação orientada a objetos. Além de conceitos essenciais, você também aprende a reutilizar e compartilhar códigos e fortalecer seu conhecimento com um miniprojeto prático em cada lição. Confira uma prévia abaixo:

Nanodegree Fundamentos de Data Science I – Udacity

Voltado para iniciantes, sem necessidade de experiência prévia, este curso online ura dois meses e tem dedicação estimada de pelo menos 8 horas semanais. Os vídeos das aulas são em inglês com legendas em português ou inglês.

Nanodegree Fundamentos de Data Science II – Udacity

Este curso online é avançado e dura seis meses. Com dedicação semanal estimada em pelo menos 8 horas por semana, requer conhecimento prévio sobre programação em Python, estatística e probabilidade.

Nanodegree Data Scientist - Udacity

Para nível intermediário, este curso com duração de 4 meses capacita o usuário para ser um cientista de dados. Nele, é possível aprender a limpar dados para fazer análises e a mapear comportamentos futuros por meio das técnicas de machine learning. Depois de concluí-lo, o graduado está capacitado para trabalhar como cientista de dados profissional.

Tutoriais de Python

Para quem quer fazer logo seu primeiro arquivo .py, há o tutorial de Python da Udacity, que apresenta o passo a passo para desenvolver seu primeiro aplicativo simples na linguagem.

Já quem quer afinar suas habilidades pode buscar outros diversos tutoriais gratuitos, inclusive em português. Há uma série deles no site da comunidade brasileira, como as opções abaixo:

Leia: Como atingir seus objetivos de aprendizado do começo ao fim

8 motivos para aprender a programar em Python

1. Python é difícil? Pelo contrário

Talvez a vantagem mais evidente de programar em Python seja a forma intuitiva e fácil com que o desenvolvedor consegue aprender a linguagem. Como é bastante simples, algumas noções de pseudocódigo já são suficientes para proporcionar uma curva de aprendizagem extremamente rápida.

Diferentemente de outras linguagens — como Java —, Python oferece a possibilidade de aplicar a lógica de programação diretamente ao código, sem a necessidade de dominar conceitos abstratos, como classe e compilador.

Essa facilidade, a propósito, é um dos motivos que têm levado as principais universidades norte-americanas a investir no ensino da programação com Python.

2. Python é simples

Python é uma linguagem que requer menos código para concluir tarefas básicas quando comparada a outros padrões de programação, podendo ser de 3 a 5 vezes menor do que Java — e de 5 a 10 vezes mais reduzida em relação ao código em C++. Assim, quanto menos se escreve, menores são as chances de erros, especialmente por parte de iniciantes.

Pelo fato de ser mais focada na lógica, Python acaba sendo mais natural, o que a torna mais alinhada com o modelo mental humano. Isso permite a obtenção de resultados complexos com o emprego de códigos simples.

3. Python tem sintaxe intuitiva

A sintaxe das linguagens de programação costuma ser um emaranhado de regras que, na maior parte dos casos, induzem o programador a erros. Mas isso não acontece com Python.

Um exemplo clássico sobre essa maneira intuitiva de formatar expressões é que um comando termina exatamente quando a linha acaba. Ou seja, as exigências e regras específicas de sintaxe são mínimas e, assim, a produtividade é maximizada.

4. Python tem documentação farta

Além da documentação oficial e dos registros feitos pelos próprios programadores durante o desenvolvimento e testes, há uma grande variedade de publicações sobre Python, como materiais didáticos e outros conteúdos digitais livres, de acesso gratuito.

Outro benefício é a tradução voluntária de membros da comunidade, facilitando a compreensão dos conteúdos em diversos idiomas e democratizando o acesso à linguagem.

5. Python tem bibliotecas abertas

Python possui diversos módulos, em boa parte livres e gratuitos. Dessa forma, aprendizes podem ter uma experiência de imersão em determinada área de aplicação, como criação de jogos, machine learning e interação com a web.

Por ser uma linguagem de script de código aberto, há uma base de conhecimento ampla consolidada por programadores, que produzem tutoriais e registram suas experiências em um ambiente colaborativo — o que potencializa o aprendizado.

6. Python tem reutilização de módulos

A modularização e a capacidade de empacotamento são outras duas vantagens da linguagem. Com isso, estruturas completas podem ser desmontadas e divididas em componentes para reutilização em outros programas. Com a adoção de frameworks — e o aproveitamento de criações anteriores e de funcionalidades já testadas —, há economia de tempo e simplificação do trabalho do desenvolvedor.

7. Python é multiplataforma

Por ser uma linguagem interpretada — e não compilada para uma linguagem de máquina —, Python roda em diferentes plataformas. Isso significa que basta ter um interpretador para que a execução seja produtiva em qualquer sistema ou processador. Além disso, a linguagem é multiparadigma, ou seja, passível de desenvolvimento para qualquer tipo de ambiente e interface, como web, móvel ou desktop.

8. Python abre portas no mercado de trabalho

Um levantamento recente mostra Python em primeiro lugar entre as linguagens mais adotadas — à frente das consolidadas Java e C++. Esse crescimento se deve à demanda por soluções de big data, que ainda é o carro-chefe da data science e engenharia de dados.

Esses dados também demonstram que simplicidade não é sinônimo de limitação: Python é um instrumento poderoso de desenvolvimento de aplicações, aliando intuitividade e eficiência.

Não à toa, essa linguagem que está tão em alta no mercado surgiu e se popularizou no Vale do Silício. Python trouxe para o mercado a essência do Vale: rapidez, facilidade, correção simplificada de erros, prototipagem, entrega contínua – e a capacidade de continuar se reinventando.

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.