1 de ago de 2018

14 perguntas para construir a cultura organizacional de uma startup

Udacity Brasil

No turbilhão de emoções e de responsabilidades que é criar uma startup, talvez você mal se lembre que também precisa pensar nela: a cultura de sua empresa. Quanto antes você conseguir defini-la e colocá-la em prática, melhor.

Todas as empresas têm uma – consciente ou inconscientemente – desde as mais simples organizações familiares até as gigantes companhias multinacionais.

Embora o impacto da cultura organizacional nos resultados dos negócios seja amplamente reconhecidos, poucos líderes priorizam o tema ainda hoje. Portanto, se você está criando a sua startup, deve incluir o assunto o quanto antes em sua lista de prioridades.

Para Michael Skok, co-fundador da venture capital Underscore e professor na Harvard Business School, se a startup não possui uma cultura clara e bem definida, é muito difícil fazer boas contratações para a empresa.

"A cultura é muito central na forma como se contratam os funcionários e como se constrói um time", afirmou ele em uma aula em Harvard. "Se você não tem pessoas para executar tarefas e não tem uma cultura para selecionar as pessoas certas e empoderá-las para tomar decisões, é praticamente impossível fazer qualquer coisa em sua empresa", diz Skok.

É por isso que, segundo ele, a cultura é considerada uma facilitadora dentro das organizações. "Dentro das empresas, centenas de decisões são tomadas pelo funcionários, sem que o CEO possa controlar cada uma delas. A cultura é importante para guiar essas decisões", explica ele.

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O que é cultura organizacional?

Antes de mais nada, é preciso explicar o termo. A cultura organizacional pode ser definida como os valores, as crenças e as formas de interação que tornam cada empresa única.

Em outras palavras, tratam-se de atitudes, costumes, expectativas, experiências e filosofia de uma organização, bem como os princípios que norteiam o comportamento de seus funcionários. Ela é a essência e a mentalidade da empresa.

Tudo isso se expressa em cada detalhe: do atendimento aos clientes ao cuidado com os próprios funcionários, de como os negócios são conduzidos até a maneira como novos desafios são encarados. Ela está em tudo e, por isso mesmo, causa grande impacto no clima que se observa dentro do ambiente de trabalho.

Esse conjunto de valores costuma estar intimamente ligado à missão da empresa e ao modelo de gestão. A cultura pode conter normas formais (escritas, para que todos os funcionários as conheçam) ou ser apenas implícita no dia a dia.

Normalmente, se bem definida, a cultura organizacional costuma se fortalecer com o tempo. Isso não significa, no entanto, que os gestores devam permanecer engessados. Pelo contrário: eles precisam estar atentos e abertos às mudanças necessárias. A cultura tem que ser flexível, na medida do possível, para não se tornar obsoleta, repelindo profissionais ou prejudicando o modo de fazer negócio.

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Cultura de startup

"O fato de que a startup ainda está desenvolvendo seu modelo de negócios permite que ela tenha muita flexibilidade para se adaptar às necessidades do mercado, já que a qualquer momento podem ser feitas mudanças estratégicas", explica Lucas Roldan, professor da pós-graduação de Liderança, Inovação e Gestão 3.0 da PUC-RS. É por esse motivo, de acordo com ele, que a cultura de uma startup deve incluir um estilo de gestão que favoreça a mudança e a inovação.

Roldan afirma que a cultura é a alma e o alicerce das startups, embora muitas inicialmente não lhe deem a atenção necessária. "A cultura não entra no radar de preocupações iniciais dos empreendedores pois eles já a possuem em suas mentes – e muitas vezes ainda não existe nem equipe para vivenciar uma cultura", ressalta. "Porém, é comum que a temática continue sem receber a prioridade ao longo da vida dos negócios, o que se torna um risco para a prosperidade da startup."

Mas afinal quando é hora de parar e pensar sobre o assunto? A seguir, confira dois momentos importantes para a cultura organizacional das startups:

1. No início das atividades

A startup ainda é pequena e a cultura se resume, basicamente, ao modo de ser e agir dos fundadores (seus valores, crenças e comportamentos). Enquanto os empreendedores são capazes de vivenciar diariamente as atividades da startup e conviver de perto com os funcionários, a cultura é disseminada e reforçada de forma direta e natural no dia a dia.

2. Quando a startup começa a crescer

Os desafios ficam maiores e os fundadores da empresa não conseguem mais interagir de forma constante com todos os colaboradores. Este é o sinal de que a cultura deve passar a ser tratada de forma mais estruturada, já que ela pode facilitar o relacionamento, resolução de problemas ou a inovação, por exemplo.

A importância da cultura organizacional para investimentos

Além dos benefícios diretos e mais óbvios que uma cultura bem estabelecida traz à startup (boas contrações e empoderamento de dos funcionários, por exemplo) há algo muito importante: ela é fator importantíssimo na hora de levantar investimentos.

Conhecer sua própria cultura na hora de apresentar a empresa em uma rodada de investimentos faz toda a diferença para conquistar os investidores, mostrar a solidez de seu negócio e ilustrar como você quer conduzir os negócios.

14 perguntas para criar a cultura organizacional de sua startup

Quem define a cultura são os fundadores da startup. Ou seja, está tudo em suas mãos. "Se o empreendedor tem estilo mais descolado e informal, provavelmente é esse estilo que a startup terá. Já se o empreendedor tem forte crença de que o resultado deve vir antes do equilíbrio pessoal e profissional, por exemplo, ele irá priorizar contratação de pessoas com visão similar. Não existe certo ou errado, pois está relacionado com o estilo de cada empreendedor", resume o professor Roldan da PUCRS.

Ao criar a cultura, siga aquilo em que você acredita e leve em consideração questões como:

  • Que tipo de empresa você está criando?
  • Quais as crenças e valores da empresa?
  • Qual clima organizacional você quer lá dentro?
  • Qual estilo de gestão será adotado?
  • Quais posturas são esperadas dos funcionários?
  • Como o trabalho será mensurado?
  • Como os funcionários serão engajados nas metas?
  • Como será a rotina de trabalho?
  • Como será o local físico da empresa?
  • Como os gestores irão se dirigir aos funcionários?
  • O que será mais valorizado: a tentativa ou o acerto?
  • Que exemplos você dará aos seus funcionários?
  • Como os clientes serão tratados?
  • Como os produtos/serviços serão produzidos/oferecidos?

E é preciso ir além dos planos no papel. Para isso, uma decisão importante na construção da cultura é tomar o cuidado de contratar pessoas que naturalmente tenham afinidade com os valores e os propósitos envolvidos.

"Não adianta uma pessoa ser ótima tecnicamente se ela não consegue se relacionar com os seus colegas de trabalho", reforça o professor. "A cocriação é um ponto fundamental para o sucesso das startups. Assim, o perfil profissional é um fator crítico de sucesso na contratação de um novo companheiro de equipe."

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A implementação e manutenção da cultura organizacional

Como já vimos, a cultura da startup precisa ser implementada desde o início e, enquanto a empresa for pequena,os valores serão passados naturalmente dos líderes para a equipe.

À medida em que e as atividades e o time crescem, no entanto, se faz necessário adotar diferentes estratégias para manter a cultura desejada. Isso pode acontecer por meio de reuniões que reforcem os ideais da empresa e também com diretrizes por escrito, em documentos ao qual todos os funcionários tenham acesso, por exemplo.

O importante é comunicar a cultura internamente, mantendo-a viva especialmente através de exemplos – que devem começar com você. "Caso aconteça algum desvio na sua rota da cultura, é importante retomar a temática com a equipe para mostrar o que se espera dela", finaliza Roldan.

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Sobre o autor
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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.