26 de abr de 2018

O que acontece em campeonatos de corrida de drone

Udacity Brasil

E se os carros de Fórmula 1 pudessem voar? E se os pilotos, em vez de ficar dentro dos carros, ficassem fora deles mas enxergassem tudo que por meio de óculos, câmeras e transmissores especiais? Parece uma ideia futurista, mas no mundo das corridas de drones, todas essas tecnologias já são realidade.

Basta dar uma olhada no canal da Drone Racing League no YouTube, a maior organização dedicada a essas corridas, para ver os veículos aéreos em ação. Eles percorrem, em altas velocidades, pistas cheias de subidas, descidas e obstáculos com luzes fluorescentes. Não se trata de uma pista particularmente neon de Mario Kart, mas de uma atividade real cada vez mais popular, inclusive no Brasil.

Por aqui, Carlos Candido, do Mirante Lab, já organizou cinco corridas desse tipo. A primeira delas foi na Galeria do Rock, em São Paulo, em 2016: o público ficava em um andar da galeria, em torno de um vão, por meio do qual era capaz de ver a ação no andar debaixo.

A mais recente foi na Campus Party de 2018. “A ideia é tentar aproveitar a arquitetura do local na hora de criar a pista”, explica Carlos.

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O regulamento de uma corrida de drones

Há muitas regras por trás da organização de uma corrida de drones que não são imediatamente visíveis para quem não conhece o cenário.

A primeira tem relação com os próprios drones: não é qualquer um que pode competir, assim como não é permitido competir na Fórmula 1 com um carro de rua. Os drones precisam ter um tamanho máximo em relação à sua diagonal e sua bateria também precisa ter uma capacidade específica. Afinal, se um drone conseguir rodar por mais tempo do que os outros numa bateria só, vai ter uma vantagem descarada.

Isso só para falar da parte física dos drones. Eles também precisam seguir algumas especificações de programação, como por exemplo quanto à prevenção de falhas (ou “fail safe”). “Imagina se um piloto se distrai, derruba o controle remoto e perde o controle do drone. Você precisa saber que aquele drone não vai sair voando de um jeito aleatório, porque ele pode colocar a corrida e o público em risco”, diz Carlos.

Finalmente, os drones também precisam ser equipados com luzes LED, para que o juiz de prova consiga vê-los mesmo em condições não muito boas de iluminação.

O vídeo acima mostra perspectiva em primeira pessoa de uma corrida de drone

Quanto às pistas de corrida em si, ainda não há regras muito rígidas: por enquanto, é necessário apenas que os obstáculos estejam bem instalados e iluminados, de maneira a minimizar os acidentes.

Por outro lado, como o ramo de corridas de drones já está se profissionalizando, há algumas tendências no design de pistas que podem ser interessante de se seguir, segundo Carlos. Criar pistas semelhantes às que já existem, por exemplo, facilita para pilotos que queiram treinar para desafios em outros locais.

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Uma corrida (muito) mais barata que Fórmula 1

Carlos diz que é possível encontrar um drone que se adeque às especificações de corrida por cerca de 700 reais, um preço relativamente acessível para essa categoria de produto. Mas vale lembrar que o drone é apenas uma parte do investimento.

Como as corridas são realizadas num esquema “FPV” ou “first-person view” (visão em primeira pessoa), o piloto precisa investir no conjunto de óculos, câmera e transmissor que lhe dão a visão necessária para jogar. Aqui, segundo Carlos, ficam outros 700 reais por um equipamento de qualidade mediana.

A transmissão precisa ser feita em uma velocidade bem alta – numa corrida, qualquer fração de segundo entre notar e reagir a um obstáculo pode pôr tudo a perder – e aqui entra o custo do controle remoto, que também precisa ser de boa qualidade para transmitir com baixa latência os comandos que o piloto envia ao drone. Um aparelho médio fica em torno de mais 700 reais.

Portanto, quem pretende começar a investir na carreira de piloto de drones de corrida precisa estar preparado para investir cerca de 2100 reais no conjunto de equipamentos.

Não é pouco, mas há a boa notícia é que, de acordo com Carlos, a qualidade do equipamento não faz tanta diferença assim na hora dos embates: é a habilidade que pesa mais. “Se um piloto bom tiver um equipamento mediano, ele muito provavelmente vai ganhar de um piloto mediano com um equipamento bom”, diz.

O esporte do futuro cresce no Brasil

Por enquanto, ainda é comum que pilotos de drones se unam para organizar corridas entre si. Recentemente, diz Carlos, um grupo de pilotos que se conheceu em uma corrida organizada por ele em Brasília se uniu para promover outra competição na cidade. É, portanto, um esporte que está crescendo dentro de uma comunidade robusta, unida e interessada.

E como o nível de investimentos ainda é relativamente baixo comparado a outros esportes, é raro ver “equipes” formadas, como num pitstop da a Fórmula 1. Na maioria dos casos, quem pilota o drone também é responsável por configurá-lo, trocar suas baterias e fazer todo o trabalho pesado.

Vale destacar que já existe um campeonato mundial grandioso, o World Drone Prix de Dubai, que em 2016 reuniu drones que superavam 150 quilômetros por hora em uma pista enorme ao ar livre. O vencedor, um adolescente de 15 anos, levou US$ 250 mil.

No exterior, os investimentos no setor seguem em ritmo forte. A já citada Drone Racing League, por exemplo, recebeu no ano passado um aporte de mais de 20 milhões de dólares de uma operadora de telecomunicações britânica.

Uma organização maior da categoria deve acompanhar esse montante. “Acredito que, no futuro, vai haver uma divisão maior entre quem organiza as corridas e quem pilota para ajudar a diminuir conflitos de interesse”, opina Carlos.

Conforme o esporte recebe mais investimentos e se organiza, é provável que se popularize. Com base em sua experiência, Carlos acredita que certamente há potencial para isso. “Na primeira corrida que a gente organizou, houve um retorno surpreendente de mídia orgânica. Então é algo em que as pessoas realmente estão interessadas”, diz.

Enquanto o preço não diminui, quem quiser se tornar piloto de corrida de drones já pode ir treinando: a própria DRL oferece um software que simula com precisão os movimentos dos drones e permite a disputa de corridas em pistas oficiais da liga internacional.

Para quem pretende um dia ter seu próprio drone de corrida (quem sabe vermelho como uma Ferrari?), este é um bom ponto de partida para uma modalidade inusitada – até agora. “Quem sabe a gente não vê drones nas Olimpíadas de 2024?”, arrisca Carlos.

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Sobre o autor
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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.