22 de mai de 2018

6 inovações da DARPA, a misteriosa agência de pesquisa avançada dos EUA

Udacity Brasil

Você já ouviu falar na DARPA? Mesmo que nunca tenha ouvido, com certeza já se beneficiou de uma invenção dela.

DARPA é uma sigla em inglês que significa Defense Advanced Research Projects Agency, ou “agência de projetos avançados de pesquisa em defesa”, em tradução livre. Trata-se de um órgão de pesquisa ligado ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

A agência foi criada em 1958 pelo presidente Dwight Eisenhower em resposta ao lançamento do satélite Sputnik-1 feito pela União Soviética. Na época, em plena Guerra Fria, a capacidade científica soviética acabou sendo uma surpresa para o governo estadunidense.

Desde então, parte da missão da DARPA – que tem um orçamento anual de quase 3 bilhões de dólares e cerca de 240 funcionários – tem sido evitar outras surpresas desse tipo. Nesse sentido a agência acabou se consolidando como um ponto fulcral em que investimentos públicos e pesquisas acadêmicas dos EUA se encontram.

Sessenta anos depois, pode-se considerar que a missão da agência vem sendo cumprida com muito mérito. Desde sua criação, os Estados Unidos se tornaram um dos principais pólos de pesquisa tecnológica do mundo, especialmente quando se trata de tecnologias de uso militar.

Para além de aplicações bélicas, as pesquisas da DARPA também acabam fomentando criações que beneficiam todo mundo. De criações médicas surpreendentes até verdadeiras revoluções de comunicação, conheça 6 criações que vieram (ou estão vindo) dessa misteriosa entidade americana:

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6 invenções da DARPA

Drone beija-flor

Em 2011, a DARPA mostrou o drone Hummingbird, uma pequena aeronave controlada remotamente com uma câmera embutida. Essencialmente, era um drone como os que disputam corridas hoje em dia, mas à época objetos como este eram bem mais raros.

Mesmo sete anos depois, o vídeo ilustra como ele estava longe de ser um drone qualquer. Com cerca de 16,5 centímetros de altura, 19 gramas de peso e a capacidade de voar a até 18 quilômetros por hora durante até 11 minutos, ele era construído para ser como um beija-flor – um jeito muito mais complexo de voar, diga-se de passagem.

Visto de perto, ele não engana muita gente. Mas talvez se um desses aparecesse na janela da sua casa, você não acharia estranho – ou pelo menos menos estranho do que se fosse um drone militar do lado da cozinha.

Esse é o aspecto sombrio da história. O drone beija-flor tem justamente esse intuito: ser discreto. Dessa forma, ele ser usado para espionar pessoas em que o exército dos Estados Unidos tenha interesse, por qualquer motivo.

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Próteses com sensibilidade

Atualmente, há próteses que conseguem devolver a mobilidade ou as funções dos membros perdidos. mas ainda não são capazes de restaurar sensações. A DARPA, no entanto, tem um projeto que pretende mudar esse cenário.

Trata-se do RE-NET, que pretende criar próteses que possam ser controladas pelo cérebro, que poderá lhes enviar informações – e elas também poderão enviar informações de volta, efetivamente permitindo que os pacientes voltem a ter tato na região que perderam.

É uma mudança mais importante do que parece à primeira vista. Nós não percebemos, mas muitos dos movimentos cotidianos dependem desse sentido para serem bem realizados. É graças ao tato, por exemplo, que conseguimos pegar um ovo sem quebrá-lo.

A sensação de toque também permite que as pessoas diferenciem objetos diferentes por conta de suas texturas e as ajuda, por exemplo, a encontrar objetos quando não estão visíveis (sabe quando você tateia em busca de algo embaixo do sofá?). A criação da DARPA promete restaurar essa capacidade.

Interface cérebro-máquina

Literalmente a imagem que a DARPA utiliza para divulgar o NESD, seu sistema de engenharia neural | Foto: Divulgação/DARPA

Se você já assistiu ao filme _Matrix_, tem uma ideia das possibilidades que se abririam caso conseguíssemos criar uma interface entre sistemas digitais e o nosso cérebro. Alguém da DARPA provavelmente viu o filme, pois a agência está investindo mais de 200 milhões de dólares para criar justamente isso.

Trata-se de um projeto chamado NESD, acrônimo para Neural Engineering System Design, ou design de sistema de engenharia neural. O principal objetivo citado pela agência seria que as descobertas nessa área poderiam revolucionar o tratamento de pessoas com problemas sensoriais.

Faz sentido. Afinal, se fosse possível entender como o cérebro processa impulsos visuais, por exemplo, seria possível também criar um “substituto digital”, como uma câmera que se comunicasse com o cérebro, para alguém que perdeu a visão.

E isso seria só o começo. Se essa interface fosse possível, poderia-se estender capacidades sensoriais para além do que já temos, como até mesmo ter mais “olhos” ou “ouvidos” na forma de câmeras e microfones ligados ao cérebro. Por enquanto, isso é só ficção científica.

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Avião supersônico que faz São Paulo-Tóquio em 3 horas

Desde que a aeronave Concorde parou de voar, não há nenhum tipo de avião capaz de ir muito além, em termos de velocidade, do que o que as linhas aéreas costumam entregar. No entanto, um projeto da DARPA atualmente em desenvolvimento pode mudar isso em breve.

Ainda sem nome, o projeto seria capaz de viajar a mais de cinco vezes a velocidade do som – ou seja, mais de 6.125 quilômetros por hora. Só para efeito de comparação: um Boeing 737 voa, em média, a 830 quilômetros por hora.

Embora a aeronave esteja sendo criada pela própria Boeing, é a DARPA que está financiando as pesquisas sobre as turbinas scramjet que serão necessárias para fazê-la atingir essa velocidade.

Esse ritmo impressionante permitiria, por exemplo, que o avião fosse de São Paulo até Tóquio em cerca de três horas ao invés das atuais 23 horas e meia. Viajar do Brasil para os Estados Unidos ou para a Europa seria, mais ou menos, como viajar hoje em dia entre São Paulo e o Rio de Janeiro.

Ao menos por enquanto, ainda não se nessa aeronave para uso comercial. Seu intuito é servir como um caça de “ataque e reconhecimento”, capaz de rapidamente analisar uma região, atacar e desaparecer.

Uma vez que esteja pronta para fins militares (algo estipulado para acontecer em 2020), essa tecnologia poderia aos poucos se espalhar para a aviação comercial – com as devidas modificações para acomodar seres humanos.

Jetpack para soldados

Você gostaria de ter uma jetpack? Pois a DARPA também. E em 2014, a agência de pesquisa dos Estados Unidos chegou mais perto ao mostrar um projeto de “mochila turbinada” que poderia ser usado por soldados.

Ao contrário do que aparece na maioria dos jogos de videogame, a jetpack da DARPA não permitia que os soldados voassem como o Homem de Ferro: a ideia era usar uma propulsão em suas costas para ajudá-los a correr mais rapidamente.

O objetivo final da pesquisa era permitir que os soldados corressem uma “four minute mile”, ou seja, correr 1600 metros em quatro minutos. Se você costuma fazer esteira, sabe que correr essa distância em geral demora bem mais. E se acompanha esportes, deve saber que o recorde mundial para fazê-lo é de 3 minutos e 43 segundos.

Ou seja, a jetpack poderia dar a numerosos soldados um corrida de ritmo olímpico. Além disso, permitiria que o fizessem enquanto carregam equipamento pesado, gastando ainda menos energia graças ao impulso que a turbina dá aos seus corpos.

A internet

O primeiro design conceitual da ARPANET | Foto: Divulgação/DARPA

Sim: se você está lendo isso, é graças à DARPA. A partir de 1963, a agência, preocupada com uma possível crise de comunicações no caso de uma guerra nuclear (algo bem possível nos tempos de Guerra Fria, veja bem), queria criar uma rede de comunicações infalível.

A ideia deu frutos em 1969, quando a primeira mensagem foi trocada entre computadores por meio da ARPANET. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, a ARPANET se manteve como uma rede descentralizada de compartilhamento de informações.

E na década de 1980, as pesquisas da agência estadunidense seriam relacionadas aos estudos conduzidos no CERN (o laboratório europeu de pesquisa nuclear) por Tim Berners-Lee, hoje considerado um dos pais da internet.

A união dessas duas frentes de pesquisa gerou a World Wide Web, ou rede mundial de computadores, o grande sistema de informações baseadas em documentos de hipertexto que usamos diariamente. Desde então, a internet não parou de crescer, graças também aos seus usuários, que eram tanto seus consumidores quanto contribuidores.

Pare um segundo para imaginar o quanto de sua vida, pessoal e profissional, depende ou utiliza hoje a internet. Mensagens instantâneas, ligações de vídeo, redes sociais, blogs, fóruns, e-commerce, cursos online e páginas como esta – todos esses aspectos fundamentais da vida cotidiana começaram graças à DARPA.

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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.