Conheça os principais desafios das startups de tecnologia no Brasil

Udacity Brasil
23 de nov de 2017

O mercado de startups de tecnologia no Brasil está em expansão. De acordo com o levantamento realizado pela Parallaxis Economia e Ciência de Dados em parceira com o escritório Perrotti e Barrueco Advogados, especializado no segmento, 81% das startups entrevistadas são formalizadas e 89,5% possuem um plano de negócios.

Os dados mostram que esse modelo de negócio e a vontade de empreender estão presentes no mercado nacional. São muitas as vantagens que fomentam o segmento, como a extensão territorial do país e a carência por soluções que melhorem a rotina das pessoas. Ou seja, há espaço para quem quer investir em tecnologia.

Entretanto, para uma startup alcançar o sucesso, ainda é preciso enfrentar alguns desafios. Esse modelo de negócio é, por essência, disruptivo e rompe com um mercado que é engessado. E, claro, é difícil ter a aceitação das empresas tradicionais quando se apresenta uma solução mais rápida e acessível para um determinado problema.

Além da barreira inicial de mudar o status quo, outros fatores contribuem para dificultar o crescimento de uma startup — mesmo em um contexto favorável. Confira quais são e, principalmente, saiba como enfrentá-los.

Formação dos profissionais

O mercado de tecnologia no Brasil é recente e está evoluindo de forma muito rápida. Nem todos os profissionais do setor conseguem acompanhar esse desenvolvimento, gerando disparidades entre a formação teórica e a demanda prática que as startups exigem.

Com isso, esses novos empreendimentos contratam mais por habilidades do que por know-how e formação acadêmica, pois, na maioria das vezes, o profissional não tem experiência no segmento de tecnologia.

Após a contratação, outro obstáculo é manter a atualização constante do profissional. Por ser um modelo de negócios dinâmico, com mudanças constantes, o colaborador deve estar disposto a aprender todos os dias.

Uma boa dica para educar a equipe é investir em cursos, palestras, workshops e feedbacks personalizados — tudo isso estimula o amadurecimento pessoal e profissional dos funcionários.

O EBANX, fintech brasileira hoje com cinco anos, mas que surgiu como uma startup e que oferece soluções de pagamento locais da América Latina para e-commerces globais, tem feito um trabalho interessante para educar seus colaboradores. São diversas iniciativas, como:

  • o EBANX School, em que a empresa arca parte do valor de cursos escolhidos pelo colaborador, entre graduações, pós-graduações e cursos pontuais;
  • palestras realizadas periodicamente com profissionais relevantes do segmento para dividir conhecimento com a equipe;
  • workshops lecionados internamente pelos próprios funcionários para ampliar a rede de conhecimento;
  • o programa Payments Academy, um e-learning interno voltado a todos os colaboradores, com o objetivo de compartilhar conhecimento sobre o mercado de atuação do EBANX. O conteúdo é feito pelos próprios colaboradores.

Todos esses processos ajudam na formação do profissional, permitindo que ele se torne mais produtivo e capaz de buscar novas ideias.

Cultura organizacional

São os propósitos que movem uma startup. Por isso, um dos grandes diferenciais é a sua cultura — algo valorizado e disseminado pelos fundadores aos colaboradores.

Outro aspecto inerente a uma startup é a facilidade de ser escalada. É natural o negócio crescer mais de 100% ao ano e, com isso, surgir novos processos e a necessidade de novas contratações para a equipe.

É nesse momento que a cultura se torna um desafio e os gestores se perguntam: como inserir novas pessoas em um ambiente que muda constantemente e ainda mantê-las motivadas e integradas?

André Boaventura, diretor de marketing do EBANX, afirma que essa é uma dor enfrentada por todo empreendedor que vê o seu negócio evoluir.

“É um desafio diário, mas não impossível de vencer. Para isso, é preciso sempre olhar para o negócio e entender o que motivou o seu início. Você acaba descobrindo que muitas das razões que deram origem à startup continuam ali, empacotadas de forma diferente, mas com o mesmo objetivo, que é fazer a diferença no mercado”, explica.

Tolerância ao erro

O ambiente de startup precisa ser favorável para a prática de novas ideias e não penalizar injustamente o erro. Isso porque, na maioria das vezes, a solução que o negócio oferece ainda é nova no mercado.

Para que o ambiente seja aberto, o empreendedor deve compartilhar informações, mostrando para os seus colaboradores o que deu certo e o que deu errado. O erro, muitas vezes, não é um problema. Em uma empresa inovadora, o erro é apenas o caminho para o acerto. Se você falhar, significa que apenas não encontrou a melhor solução para o problema naquele momento.

Contudo, quem arrisca mais, erra mais. Embora o cenário esteja mudando, ainda existe o receio de correr riscos. Por isso, manter o ambiente favorável ao erro é algo desafiador, uma vez que o mercado tradicional não estimula que seus funcionários optem por decisões arriscadas.

Como gestor, leve em conta que todas as pessoas têm ideias — e elas só serão expostas se houver abertura para falar sobre isso. Além disso, é preciso incentivar o amor ao problema, e não necessariamente à solução. Essa mudança de pensamento é crucial para o desenvolvimento de uma startup.

Maturidade do mercado e burocratização

No Vale do Silício, por exemplo, o mercado de startups é mais consolidado, facilitando o contato com mentores, investidores e aceleradoras. Já o mercado brasileiro ainda não está 100% maduro. Ainda existe muita burocracia para o empreendedor — como leis, impostos e questões trabalhistas —, o que trava o desenvolvimento.

Contudo, este é um momento propício para quem quer investir em startups de tecnologia, pois o assunto já entrou na agenda da mídia, os investimentos no setor aumentaram e as universidades estão buscando orientação para melhorar a formação profissional. Além disso, as oportunidades de aprender com os outros mercados, como o dos EUA e Europa, são ainda maiores.

Para vencer os entraves, pesquise e veja como as startups estão crescendo no exterior. Busque adaptar alguma ideia para a realidade local. O mercado brasileiro se relaciona de forma diferente com a tecnologia. Portanto, entenda as barreiras culturais e foque em solucioná-las.

O EBANX, por exemplo, nasceu da necessidade que as pessoas têm de comprar em sites internacionais, usando métodos de pagamentos locais, como boleto, cartão de crédito nacional e transferência bancária.

Coragem em arriscar

Quem quer empreender deve ter coragem. Um empreendedor deve estar consciente de que não terá mais um chefe, que pode chegar ao final do mês sem dinheiro e que enfrentará novos dilemas, sobre os quais nunca precisou pensar antes.

É um processo que faz a pessoa sair da zona de conforto. “Empreender também faz parte de vender um sonho. Se este é o seu sonho, você tem que ser a pessoa que mais luta por ele até o fim”, ressalta André Boaventura, do EBANX.

O diretor de marketing da fintech ainda dá outras dicas para quem quer arriscar mais:

  • estudar sempre o mercado nacional e internacional;
  • encontrar um mentor;
  • conversar com outros empreendedores;
  • seguir a sua intuição.

Enfim, os desafios existem e estão aí para nos fazer crescer: não existe uma fórmula para vencê-los. Por isso, sempre busque estar informado e aproveite o cenário atual. A hora de apostar em novas ideias é agora. E lembre-se: se não der certo, não desanime! Nenhuma startup nasce da noite para o dia.

Quer saber mais sobre empreendedorismo? Então, assista ao documentário “Vai que dá” e veja outras histórias de startups de tecnologia que estão fazendo sucesso no Brasil.