5 de set de 2018

Do Nanodegree Design Sprint até a aceleradora Y Combinator

Pedro Piovan

No início da faculdade de Relações Internacionais, em São Paulo, decidi que me dedicaria principalmente a estudar o ecossistema de inovação. Junto com um grande professor (e mestre, amigo até hoje, Jair Marcatti), abrimos juntos o Observatório de Economia Criativa na Escola Superior de Propaganda e Marketing (OEC ESPM), que tinha como objetivo estudar a cena da criatividade no Brasil e no mundo. Desde lá, venho atuando no ramo das startups, o que inclui ter aberto algumas (e falido outras).

No fim do ano passado, estava com uma startup a todo vapor quando decidi sair. Não estava me sentindo realizado trabalhando nela. Logo após a minha saída, em meados de novembro, estava com a cabeça a todo vapor buscando métodos e processos que ajudassem pessoas e organizações a leva-las para um futuro desejável - e foi aí que comecei a entender um pouco mais sobre a abordagem do design thinking e o seu poder de transformar contextos.

Passei a atuar como consultor individual com foco em design estratégico dentro alguns projetos e acabei me deparando que tinha uma nova startup no início de 2018: assim começou o meu trabalho com a Ensaio. Continuei a pesquisar sobre o tema até que me deparei, em março, com o Nanodegree Design Sprint.

Vi no Design Sprint (um conceito novo até aquele momento) uma oportunidade grandiosa de resumir uma grande filosofia (design thinking) em um processo simples de escalar e aplicar em curto espaço de tempo. Let's do it.

Assista ao webinar: Design Sprint: saiba o que é e como aplicar ao seu projeto

Experiência prática com Design Sprint

Durante um mês, fiquei todos os dias no escritório por mais duas horas depois do trabalho, estudando os conceitos, criando os projetos necessários e infernizando a comunidade no Slack com dúvidas. Realmente estava tratando o projeto do Nanodegree como um cliente. Na época, só pensava em como eu poderia aprimorar o meu negócio com aquele conhecimento, sem nem pensar nas horas a menos que iria dormir.

Enquanto isso, utilizei o site do Google Design Sprint Toolkit e o livro Sprint, do Jake Knapp, como base para fazer alguns experimentos com amigos e projetos internos. Logo de cara, durante o aprendizado, já rodei meus primeiros sprints, ajudando amigos a criarem duas startups que estão rodando até hoje. Inclusive, já foram sprints no modelo 2.0 ensinado no Nanodregree.

Nesta experiência juntei os fundadores das startups e comecei a aplicar o processo, criando o modelo de negócio e as propostas de valor para cada startup. E o mais bacana: criamos MVPs no terceiro dia da sprint para eles já começarem a atuar, validando o valor percebido dos futuros clientes no quarto dia e deixando ambas as startups prontas para sair pra rua.

Ao finalizar os estudos, eu tinha 3 sprints realizadas e vi que ali morava um modelo de negócios sustentável para aprimorar minha consultoria de inovação.

Design Sprint como diferencial de negócios

Começamos a utilizar o Design Sprint como método principal da consultoria, expandindo para diversos setores no mercado com a base de aprendizado da Udacity e também com uma conexão muito frutífera com a AJ&Smart – troquei várias experiências de aplicação da sprint com o Jonathan Courtney via Instagram –, uma consultoria global parceira do Nanodegree.

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Aplicação do Design Sprint feita pela equipe da Ensaio

Resultado: hoje a Ensaio é um laboratório de inovação que ajuda empresas a sair do status quo e chegar ao status desejado, utilizando o Design Sprint como processo. Já atuamos com mais de 20 empresas utilizando o modelo nos últimos 5 meses, expandindo a nossa atuação nos setores de produto e gestão de pessoas.

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Da esquerda para a direita: Edgard (Consultor de Negócios), Angelo (Sprinter), Jéssica (Sprinter) e Pedro (Fundador)

E já tivemos cases interessantíssimos. Por exemplo: uma empresa estava a ponto de desenvolver um sistema para gestão de processos internos, porém sem validação de mercado e sem compreender se havia realmente um product market-fit desenhado. Por meio de um design sprint, conseguimos compreender que, de fato, o produto não era desejável pelo público-alvo. Resultado: ajudamos a empresa a economizar R$150 mil (só em termos de desenvolvimento!).

De fato, o processo do Design Sprint pode ser um pouco chocante no início (muitas empresas não estão acostumadas em velocidade e foco na resolução de um problema complexo), mas a partir do momento que o processo começa, a maioria das pessoas se engaja para se desdobrar no espaço e tempo para criar soluções. Naturalmente, ao fim da sprint, todos os nossos parceiros vêem um alto valor em passar 4 dias focando apenas em um ponto (e se impressionam com o poder que a sprint tem).

Além disso, sempre estabelecemos um KPI de sucesso e é comum que o design sprint atinja mais de 150% do KPI estabelecido.

Leia também: Conheça as 5 fases do processo de Design Sprint do Google

O caminho até a Y Combinator

O estudo com a Udacity foi central para o cenário que temos hoje, e inclusive uma conquista grandiosa para nós: no fim de agosto de 2018, a Ensaio foi aceita no programa da Y Combinator, uma aceleradora responsável por lançar algumas das startups mais famosas do mundo (como Airbnb, Dropbox e Zapier, por exemplo).

O programa é o Startup School, no qual os fundadores das startups aceitas passam por um treinamento, mentoria e acompanhamento para acelerar o crescimento da startup durante 10 semanas.

Com o Design Sprint como base de nosso modelo, alavancamos o faturamento da empresa, crescendo 97% ao mês e aprendendo cada vez mais com todos os experimentos gerados dentro da startup. A partir disso, nosso principal objetivo hoje é escalar a operação para se tornar referência no mercado de inovação e design nos próximos anos.

Obrigado Udacity pela base de conhecimento e seguimos em frente!

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Sobre o autor
Pedro Piovan

Pedro é fundador da Ensaio e especialista em business design. Formado em Relações Internacionais com Ênfase em Negócios Internacionais pela ESPM/SP e entusiasta da economia criativa no Brasil e no mundo.