12 de abr de 2018

O que este economista de Oxford tem a dizer sobre o futuro do trabalho

Udacity Brasil

O economista Daniel Susskind, professor da Oxford University, se especializou em explorar o impacto da tecnologia no mercado de trabalho e na sociedade, que resumiu no bestseller _The Future of The Professions: How Technology Will Transform the Work of Human Experts_.

Nele, são descritos dois futuros possíveis: um que é uma versão mais eficiente do que o temos hoje e o outro, em que máquinas tomam mais e mais espaço de profissionais tradicionais. Segundo os autores, este segundo é mais provável no médio a longo prazo.

“A ansiedade causada pela automação tem se espalhado. Trata-se de um medo de que, no futuro, muitos trabalhos sejam feitos pelas máquinas e não por seres humanos”, começou Susskind em seu TED Talk. “Está claro que mudanças significativas vão acontecer. O que está menos claro é que cara essas mudanças vão ter.”

Em resumo, a visão do especialista é de que a tecnologia realmente vá tomar o espaço de muitos empregos que existem hoje. Só que a conversa não termina aí. “A ameaça de desemprego causado pela tecnologia é real – mas esse é um problema bom para se ter”, falou.

Em sua palestra, Susskind destrincha três grandes mitos relacionados à automação e ao futuro do trabalho e explica as grandes transformações sociais implicadas nesse cenário.


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1. O mito do Exterminador do Futuro


Máquinas realmente substituem um número cada vez maior de tarefas feitas por humanos, mas isso não significa que elas substituem os seres humanos em si. Podem inclusive ser complementares, direta e indiretamente, em diversas frentes – e isso tem consequências sociais, esclarece Susskind.

“Se pensarmos na economia como uma torta, o progresso tecnológico aumenta essa torta. Conforme a produtividade aumenta, a renda aumenta e a demanda cresce”, falou. “As pessoas que foram deslocadas de suas tarefas podem encontrar outras nessa nova torta.”

Basicamente, as coisas vão mudar mesmo. Mas o futuro não será feito apenas de máquinas (e humanos subjugados).

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2. O mito da inteligência

Novas tarefas são automatizadas diariamente e não é raro que algoritmos e seus criadores surpreendam o mundo e ultrapassem o que até então era considerado um limite, seja ao ganhar uma partida de xadrez ou diagnosticar um câncer.

Esses falsos limites são compilados por Susskind no “mito da inteligência”, a crença que as máquinas copiam o jeito que seres humanos pensam e raciocinam. Afinal, se as pessoas não podem explicar detalhadamente como fazem algo, como vão escrever as instruções que a máquina precisará seguir?

“Na economia, se seres humanos podem se explicar [e explicar como fazem algo], essa tarefa é chamada de rotina e pode ser automatizada. Se seres humanos não podem se explicar, essas tarefas são chamadas de não-rotina, e pensava-se que estas estavam fora do alcance [da automação].”

Só que avanços na capacidade de processamento, armazenamento de dados e design de algoritmos diminuem essa conexão constantemente. Há tarefas que estão sendo feitas de uma maneira que "não é humana”.

“Resolver o mito da inteligência mostra que nossa compreensão limitada sobre a inteligência humana, como pensamos e raciocinamos, é uma restrição muito menor para o processo de automação do que era no passado.”

Agora, as máquinas podem aprender de outros jeitos também. E isso vai se acumular.

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3. O mito da superioridade

Para Susskind, o progresso tecnológico criará novas tarefas e tornará algumas tarefas existentes mais valiosas – mas é errado pensar que seres humanos serão as pessoas certas tanto para uma quanto para outra. Ou seja, a torta pode até aumentar, mas não necessariamente isso vai parar no seu prato. Acreditar nisso é o mito da superioridade.

“Para entender melhor, pense na tarefa de dirigir um carro. Hoje, sistemas de navegação complementam ações humanas diretamente e criam melhores motoristas. Mas, no futuro, o software vai tirar humanos do lugar do motorista e esses mesmos sistemas vão simplesmente tornar esses carros autônomos mais eficientes – e auxiliar as máquinas."

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A conclusão: prepare-se para dividir os benefícios

Depois de explicar esses três mitos, Susskind os uniu para delinear sua visão do futuro do mercado de trabalho: a automação está se fortalecendo e não há razão para pensar que há uma linha invisível que ela não poderá cruzar. “Essa é a parte que traz preocupação”, disse.

Mas há um lado positivo, social e economicamente, por trás de tudo isso. “Há um problema econômico que tem dominado a maior parte da história humana: como criar uma torta econômica grande o suficiente para todos?”

Há dois mil anos, quase todos viviam na pobreza. Mil anos depois, era basicamente a mesma coisa. Mas nos últimos séculos, conforme o crescimento econômico ganhou impulso, a torta se tornou muitíssimo maior.

“O PIB global por pessoa, o valor desses pedaços individuais da torta, hoje é de cerca de 10 150 dólares”, enfatizou. “Se o crescimento continuar em 2%, nossas crianças serão duas vezes mais ricas que nós. Se continuar em apenas 1%, nossos netos serão duas vezes mais ricos que nós. Nós resolvemos o problema econômico tradicional."

No vídeo acima, entenda o que é a renda básica universal

O verdadeiro desafio do futuro, resumiu Susskind, não é impedir o avanço da automação, mas garantir que esses novos pedaços de prosperidade sejam bem distribuídos – mesmo num mundo em que há menos trabalho para todos. “Há muitas discussões sobre o assunto, como várias formas de renda básica universal, uma abordagem que já está sendo testada nos EUA, na Finlândia e no Quênia”, falou.

“Resolver esse problema vai exigir que pensemos de maneiras muito diferentes e vai haver muito desacordo sobre o que deve ser feito”, continuou. “Mas é importante lembrar que esse é um problema muito melhor de ter do que aquele que assombrou nossos antepassados por séculos: como tornar a torta maior em primeiro lugar."

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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.