5 de fev de 2018

Em busca de emprego? Não se intimide com as exigências da vaga

Christopher Watkins

Todos que já buscaram emprego sabem como é. Você encontra aquela vaga que parece perfeita. Começa a ler a descrição. Anima-se. Eis que chega a lista de habilidades necessárias – e tudo vira desânimo.

Você pensa: “Eu não sei fazer todas essas coisas que o cargo demanda. Não estou habilitado para a vaga”. Identificou-se? Em caso positivo: fique tranquilo. Você não está sozinho. Não se sinta mal por isso.

Leia: Saiba como construir sua própria trilha de carreira

A importância da confiança

Nossa equipe de gestão de carreiras passa uma enorme quantidade de tempo conversando e debatendo com os alunos (graduados e graduandos) a respeito dessa experiência da busca de um emprego. E o que aprendemos de mais importante nesse processo é: a importância da confiança.

Nosso objetivo é encontrar os fatores que podem minar sua confiança e, em contrapartida, as estratégias que impedirão esse processo.

Você pode estar mais preparado do que imagina

Obviamente, é preciso estar familiarizado com os conhecimentos necessários para a vaga. Não podemos ignorar a lista por completo. Mas também não é preciso se preocupar tanto com isso.

A verdade é que não se espera que o candidato tenha todas aquelas habilidades em seu repertório de conhecimento. Chegamos a essa conclusão ouvindo os relatos de nosso alunos.

Eles, automaticamente, comparam a descrição do cargo àquilo que julgam conhecer e dominar. E quando sentem que não estão gabaritados para aquela vaga, perdem totalmente a confiança. E o que é pior: nem se candidatam.

O título de um artigo recente do USA Today nos oferece uma reflexão interessante: “Talvez você esteja mais preparado para aquele emprego do que imagina.”

Abaixo estão alguns trechos do artigo:

“As empresas não estão buscando alguém que preencha 100% daquilo que é demandado na descrição do cargo. Busca-se algo em torno de 70 a 75%. O que se procura, de fato, são pessoas com alto potencial de desenvolvimento e que tenham grande capacidade de adaptação à cultura da empresa.” – Paul McDonald, Senior Executive Director, Robert Half

Convenhamos: 70% da lista já representa um cenário totalmente diferente.

Além do mais, as questões voltadas ao potencial e adaptação à cultura podem acabar fazendo de você um candidato qualificado para a vaga.

Não se exclua das oportunidades

A Adzuna, uma ferramenta global de busca por vagas de emprego, dá voz a esse sentimento em uma recente postagem, intitulada "Apply For Jobs You Are Not Qualified For” (em tradução livre, “Concorra a vagas para as quais você não se sinta qualificado”):

“Não se preocupe em preencher 100% dos requisitos. As empresas fazem as listas de demandas pautadas na ideia de desencorajar os candidatos totalmente inapropriados para a vaga.

Se analisarmos bem, a maioria das pessoas não atenderia a uma eventual lista de critérios para a atual posição que ocupam em suas respectivas empresas. Com isso em mente, não se preocupe em estar 100% gabaritado antes de formalizar seu interesse em uma determinada oportunidade.

Inclusive, é comum que uma vaga seja moldada às aptidões de um candidato promissor. Claro que cada empresa opera de uma forma. Mas, sem uma boa razão, não se exclua das oportunidades que chamarem sua atenção."

O texto continua e oferece conselhos que contrapõem esse sentimento de despreparo perante as múltiplas exigências técnicas.

Entre os conselhos estão:

  • Aprimorar sua rede de contatos
  • Enfatizar suas competências comportamentais
  • Exibir projetos pessoais que evidenciem seu compromisso, engajamento e experiência

Leia: Mudança de carreira para a área de marketing: afinal, o que é preciso?

O que a empresa pode fazer por você?

Em 2015, em um artigo intitulado “The Simple Change That Attracts Great Job Applicants” (em tradução livre, “Uma simples mudança pode atrair excelentes profissionais para sua empresa”), o The Wall Street Journal realizou um fascinante estudo que testou a eficácia de duas diferentes abordagens na elaboração de uma descrição de cargos:

  1. Uma descrição buscava adaptar as exigências da vaga ao perfil do candidato
  2. Outra descrição estipulava as aptidões necessárias para o preenchimento da vaga

Lauren Weber, autora do artigo, descreve as diferenças entre as duas abordagens da seguinte maneira:

“A grande maioria dos anúncios de emprego expõe uma longa lista de pré-requisitos definidos pela empresa. Essa abordagem faz sentido para quem pretende preencher uma vaga. Mas, em contrapartida, repele as pessoas que a empresa busca atrair. No atual cenário, as empresas precisam traçar seus planos de recrutamento e seleção levando em conta a perspectiva do candidato. Assim sendo, a pergunta central para quem vai redigir um anúncio de emprego é: O que a empresa pode fazer para um potencial funcionário?"

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram várias descrições de cargo na área de engenharia e gestão de projetos.

O segundo passo foi reescrevê-los levando em conta os dois tipos de abordagem mencionados. Por fim, eles analisaram os quase 1000 formulários preenchidos pelos candidatos.

Os resultados foram significativos:

“Aquele anúncio centrado no candidato, e não nas exigências da empresa, atraiu mais pretendentes. A média ficou em 1,37 pretendentes por vaga, e o nível de preparação desses postulantes ao cargo foi substancialmente maior."

Leia: Por que todo profissional deve aprender programação?

Faça uma autoanálise

Espero que agora você reconsidere a análise daqueles anúncios de emprego que descartou por considerar acima das suas qualificações. Considere, portanto, uma autoanálise como parte do processo:

Conhecimentos técnicos

As aptidões preenchem 70% da lista de habilidades técnicas necessárias, pelo menos? Se for o caso, siga adiante!

Se não for, pesquise aquilo que você pode estudar e aprender em um curto espaço de tempo para tentar preencher essa lacuna.

Por exemplo, se a visualização de dados em nível básico for uma aptidão necessária, saiba que nosso programa Nanodegree Data Science para Negócios dura apenas três meses.

E há uma série de outros cursos abertos sobre Ciência da Computação, HTML, criptografia, Python e mais!

Competências comportamentais

Isso é mais complicado do que parece, mas é preciso mostrar evidências. Você é o conselheiro de alguém? É responsável por lançar alguma iniciativa importante? Já ocupou algum cargo gerencial? Já palestrou em algum evento?

Pense em exemplos e circunstâncias que demonstrem sua capacidade de liderança e de solução de problemas. Evidências de fortes competências comportamentais incluem os já citados “alto potencial de desenvolvimento” e “capacidade de adaptação à cultura da empresa”.

Aprendizado contínuo

Atualmente, o fator mais importante para que sua busca por um novo emprego seja bem-sucedida é a capacidade de demonstrar o ímpeto genuíno pelo aprendizado ininterrupto.

O que você está aprendendo agora? Se estiver cursando algum programa Nanodegree, ponha-o em seu currículo! Mesmo que ainda não tenha terminado o curso, mencioná-lo já demonstra seu comprometimento com o aprendizado constante.

Leia: Os 10 Nanodegree mais procurados por brasileiros em 2017

Candidate-se à vaga

O uso da intuição foi desqualificado nessa nova era em que tudo é pautado na análise de dados. Mas esta ainda é uma decisão que pode ser tomada com o coração.

Lembre-se: o que importa é a confiança.

Se você, de fato, acredita que esteja apto para a vaga, vá em frente! Não deixe que uma longa lista de pré-requisitos o desencoraje a concorrer a qualquer vaga de seu interesse.

Não há garantia nenhuma de que você será contratado caso concorra à vaga. Mas é certo que, caso não se candidate, não será.

Christopher Watkins é escritor e CWO da Udacity. Escreve em um MacBook ou iPad de dia e em uma Underwood, Remington ou Royal à noite. Sempre carrega um Moleskine.

Post originalmente publicado no blog da Udacity

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Christopher Watkins