14 de set de 2018

Udacity cria CursoOnline, iniciativa para incentivar a educação online no Brasil

Udacity Brasil

Na manhã de 14 de setembro, em São Paulo, foi lançado o CursoOnline, nova iniciativa da Udacity para incentivar a educação online para todos os brasileiros e ajudar a colocar o tema em pauta através de conteúdos compartilháveis e que falam sobre todo o ecossistema.

“Para conseguirmos cumprir nosso propósito, não basta criar e desenvolver nossas escolas”, disse Carlos Souza, diretor geral da Udacity para a América Latina. "Temos a responsabilidade de fomentar a bandeira do lifelong learning e contar para o mundo o que aprendemos a respeito das melhores ferramentas e estratégias."

O que dizem os números?

Em um levantamento feito pela Udacity em parceria com a empresa de pesquisa digital MindMiners, é possível entender que há espaço (e demanda) no Brasil.

Entre os respondentes, 78% disseram que a educação tradicional no país não prepara seus alunos para o mercado de trabalho. Quase a mesma parcela (75%) respondeu já ter começado um curso online antes, e a vontade vai além de um curso pontual: 76% também considerariam fazer uma pós-graduação online.

"As pessoas estão vendo cada vez mais a conexão entre educação e carreira e querem aprender o que gostam já pensando no futuro”, disse Talita Barcelos, data scientist da Udacity. "E aí vem o conceito de lifelong learning. Se a carreira é para vida toda, a educação também é."

Os fatores mais importantes na hora de escolher um curso online aparecem na seguinte ordem:

  1. Qualidade do conteúdo
  2. Valor acessível
  3. Marca reconhecida pelo mercado de trabalho
  4. Flexibilidade de horários / Certificado reconhecido pelo MEC

Entre os pontos positivos da educação online estão principalmente a personalização do conteúdo e a flexibilidade para aprender o que quiser, no momento que quiser – na hora do almoço, no trânsito, no fim de semana. “As pessoas começam a enxergar que cursos online resolvem as dores que tinham”, afirmou Talita.

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O impacto crescente da educação online no mercado

Cursos online ganham aderência constantemente, como mostram os milhões de estudantes que já apostam na modalidade pelo mundo (só na Udacity, hoje são mais de 50 mil), seja através de MBAs online, cursos estruturados ou aulas no YouTube.

Para conversar sobre o assunto, o evento de lançamento do CursoOnline trouxe também o painel "Educação e tecnologia: como os cursos online impactam o mercado de trabalho”.

Painelistas discutem educação online e seu impacto na carreira e no mercado de trabalho

Mediado por Carlos Souza, a conversa trouxe insights de quem atua em diversas frentes educacionais: Ana Luisa Santos, senior market manager da Khan Academy, Felipe de Mattos, diretor de inovação da Kroton, e Michelle Schneider, sales manager do LinkedIn e ex-head da vertical de educação da empresa.

Michelle logo resumiu o motivo do impacto: com as rápidas mudanças em curso, especialmente devido aos avanços tecnológicos, não é mais factível se preparar apenas no começo da vida profissional.

“Percebemos, diante do mundo e das habilidades novas que o mercado tem exigido, que cada vez mais temos que nos desenvolver sempre”, disse. “Aquela coisa de terminar de estudar aos vinte anos, entrar no mercado e fazer pequenas pausas para estudar, como entrar em um MBA, acabou."

É onde entra o conceito de lifelong learning, ou aprendizado contínuo: para avançar e crescer profissionalmente em um mundo que não para de mudar, é preciso se atualizar constantemente, seja ao adquirir habilidades pontuais ou conjuntos inteiros de habilidades para aproveitar novas carreiras.

Os painelistas concordaram que a educação online se torna cada vez mais popular por enfrentar tanto a defasagem da educação tradicional e as novas exigências do mercado quanto ao oferecer uma experiência diferente, mais personalizada e flexível, que se adequa às necessidades de cada um.

Na Kroton, que oferece tanto ensino presencial quanto a distância, há o fortalecimento do modelo híbrido. “Temos apostado muito em reunir o melhor do online e do offline”, disse Felipe.

A Khan Academy, que tem cerca de 2,8 milhões de usuários brasileiros, também é peça de um modelo híbrido para muitos professores que utilizam a plataforma. “Nós permitimos a personalização [do ensino]: o professor pode ver o quanto um aluno sabe sobre um tema e recomendar conteúdos para suas turmas. É uma oportunidade de elevar todo mundo para cima.”

Soft skills: um ponto de atenção

Nem só de hard skills se faz um profissional do futuro. Felipe aproveitou para destacar a importância crescente de soft skills, como negociação, trabalho em grupo e mentalidades empreendedora e de crescimento (growth mindset) para realmente formar indivíduos preparados para essa nova fase. “Desenvolver isso online não é trivial”, afirmou.

Essa não seria uma discussão de poucas consequências. “Temos que nos preocupar muito com a formação dessa base, que é o insumo para bons profissionais e um país competitivo. A qualidade de nosso trabalho e de nossas empresas será fruto de quem estamos formando.”

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A tecnologia e o incentivo

Todas essas novas oportunidades também exigem esforço dos alunos, onde quer que estejam e o que quer que estudem – e a tecnologia e equipes atentas podem ajudá-los a integrar esses novos hábitos.

“Para que a educação online traga resultados de fato, exige-se disciplina”, disse Ana Luisa. “Uma de nossas métricas internas na Khan é em cima disso: todos os projetos mensuram o número de alunos altamente engajados. Não adianta ter milhões de pessoas se elas não estão usando a plataforma.”

Na Khan Academy, o ponto de virada identificado foram 30 minutos semanais de uso. Com isso em mente, a equipe testa meios de incentivar usuários e aposta em trazer um elemento humano ao aprendizado digital.

“É preciso estar onde as pessoas estão. Na Udacity, tem canal de Slack e agora tem grupo no WhatsApp. Na Khan, percebemos que professores não acessam tanto e-mails quanto gostaríamos – e que WhatsApp e Facebook são melhores. O desafio é encontrar os canais apropriados e que estimulam essa permanência e retenção.”

Felipe destacou também a questão do design instrucional, que envolve métodos e recursos para criar um processo de ensino e aprendizagem personalizado. Com a tecnologia, é possível encontrar padrões individuais e identificar os melhores momentos para estudar e se engajar.

“O poder da educação digital, para mim, vem nessa linha”, disse ele, que co-fundou a Studiare, uma startup de ensino adaptativo que foi adquirida pela Kroton. “Um aluno já veio me dizer: ‘Você me ajudou a ter uma rotina de estudos e ajudou a mudar meu jeito de aprender’."

Para Carlos Souza, a tecnologia também permite inserir um novo nível de dinamismo na educação, o que acelera o processo de aprendizado. “Quando eu estava na faculdade, era frustrante ter uma prova para entregar e o professor demorar duas semanas para dar um retorno. Ao receber o resultado, eu nem lembrava mais daquilo”, falou.

“Na Udacity, você faz o projeto, manda para a gente e temos um pool de revisores qualificados espalhados pelo mundo.” Através do sistema, o revisor que estiver disponível e habilitado para avaliar aquele projeto específico pode se voluntariar e tem então 24h para oferecer o feedback.

“O tempo médio de resposta chega a ser quatro ou cinco horas”, fala. "Fomos de um feedback que leva semanas, num caso que não usa tecnologia, para um feedback em horas.”

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Um novo jeito de contratar (e ser contratado)

O mercado já começou a responder a essa nova realidade da educação. Empresas inovadoras como Google, IBM, LinkedIn e Apple já não exigem diploma para seus processos seletivos, dando mais atenção às conquistas e aos portfólios que demonstram o que candidatos sabem hoje.

"Por melhor que seja a universidade, o mundo girou e a coisa mudou. Então é preciso valorizar mais o portfólio e ensinar às pessoas que divulguem isso. Onde estão esses seus projetos? Estão no LinkedIn?”, indagou Michelle.

“Eu já recrutei pessoas incríveis sem diplomas. Valorizei seus portfólios e históricos de projetos. O que está no papel já não é tão relevante quanto o que você demostra saber”, disse Ana Luisa.

Por onde começar?

Com tantos recursos disponíveis e ideias na cabeça, pode ser até difícil estabelecer por onde começar. Antes de começar um curso online nos próximos minutos, no entanto, há uma pergunta que você pode responder: em que direção deve seguir para chegar onde quer?

Não é uma questão incomum, e há diversas maneiras de respondê-la. Para Michelle, é trabalhar de trás para frente. “Quando entendo que quero dar um próximo passo, olho o perfil das pessoas que estão [lá]. O que elas têm que eu não tenho ainda?"

Ana Luisa sugere uma reflexão na mesma linha. “Faça um plano e mapeie seus gaps. Onde você quer chegar e qual vai ser seu caminho? Os conteúdos estão aí – e estão online."

Vá além:

• Michelle Schneider, Sales Manager do LinkedIn
Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.