11 de out de 2018

Conheça a Gerando Falcões, ONG que aplica a mentalidade de startups em projetos sociais

Udacity Brasil

Foi buscando histórias inspiradoras que Eduardo Lyra desafiou as estatísticas e, saído da periferia de Guarulhos, na grande São Paulo, se transformou em um dos nomes mais reconhecidos do empreendedorismo social no Brasil. Ao reunir casos de sucesso de jovens brasileiros em um livro, que vendeu de porta em porta na favela onde morava, ele angariou recursos para colocar de pé o projeto Gerando Falcões, em 2011.

A trajetória da ONG de Eduardo poderia se assemelhar à de muitas outras do tipo: a organização nasceu da vontade de mudar uma realidade de exclusão, criando oportunidades para jovens periféricos driblarem a violência a que são expostos. No entanto, a grande guinada do Gerando Falcões, que hoje atende quase 2 mil famílias em três comunidades paulistas, foi se valer da mentalidade de gestão de startups e empresas líderes de mercado.

Para isso, Eduardo contou, de início, com uma consultoria de administração da Ambev. “Um dos nossos grandes focos é a gestão orientada para resultados. Não adianta ter um sonho e não ter a entrega”, diz ele.

Com reuniões mensais entre toda a equipe, formação de conselhos e ferramentas para facilitar a comunicação, o projeto aplica conceitos como as metodologias lean (uma estrutura enxuta e eficiente) e agile (o desenvolvimento ágil) para alavancar os processos de tomada de decisão.

É por meio desse modelo de gestão e de uma estratégia de rede para acelerar outras ONGs parceiras que Eduardo e sua equipe tocam o Gerando Falcões, promovendo ações na periferia centradas em quatro pilares: cultura, com atividades como aulas de dança e cursos de DJ; esporte, realizando oficinas e campeonatos internos; qualificação profissional, por meio de cursos profissionalizantes de programação, maquiagem, logística e gastronomia; e geração de oportunidades para ex-presidiários.

Formação de lideranças

O modelo de governança da organização — criado pela Accenture, uma das maiores consultorias do mundo — já colocou em prática mais de 20 programas voltados para esses quatro tipos de atividades.

Isso inclui aulas de teatro, skate, programação e animação, por exemplo, além de atendimento psicossocial, formação cidadã e recolocação de ex-presidiários no mercado de trabalho. Tudo orientado para atingir os resultados esperados.

Eduardo explica que uma das metas existentes é para a alocação dos jovens participantes dos programas em postos de trabalho. “Se batemos essa meta, centenas de empregos e milhares de reais são gerados para as comunidades”, diz. Além disso, todos os colaboradores têm indicadores de performance, metas pessoais e profissionais e plano de carreira. “Tentamos sempre entender o que não está funcionando e trabalhar para resolver os problemas de forma mais eficaz”, explica.

O maior objetivo do projeto hoje é aumentar o número de famílias acolhidas de dois para 20 mil até 2019, saltando de três para dez comunidades sob o atendimento do Gerando Falcões. Para essa expansão, Eduardo aposta no aceleramento de outras ONGs com recursos de sua própria organização e na criação de lideranças. “Queremos encontrar líderes eficientes na periferia”, afirma.

Ele considera que para o empreendedorismo social funcionar é preciso um equilíbrio entre um grande propósito e um bom modelo de gestão. “Você tem que ter pessoas que acreditam de uma forma desvairada que aquilo vai dar certo. A gente acredita que pode mudar a favela ao criar a mais transformadora rede de ONGs”, defende. “A gestão sustenta o processo para o propósito não morrer.”

Documentário sobre a Gerando Falcões

Da favela ao centro

Não demorou para que essa mentalidade rendesse frutos. O trabalho do Gerando Falcões virou referência, Eduardo foi eleito pela revista Forbes e pelo Fórum Econômico Mundial como uma das grandes lideranças do empreendedorismo social e outros parceiros de peso apareceram.

Hoje a organização tem o apoio dos empresários Jorge Paulo Lemann, Carlos Wizard, Daniel Castanho, Flávio Augusto da Silva e Elie Horn. “Eles contribuem com recursos, inteligência e visão”, explica Eduardo.

Com isso, o Gerando Falcões passou a expandir o leque de empresas de ponta engajadas nas suas ações. A Microsoft e a Oracle, por exemplo, já realizaram cursos de programação em parceria com o projeto de Eduardo, contribuindo para a inserção de jovens da periferia no mercado de startups, marketing e tecnologia. “Minha grande habilidade é construir essas pontes entre a favela e a avenida Faria Lima”, diz Eduardo, se referindo a um dos maiores centros empresariais de São Paulo.

Ele acredita que “um certo nível de charme e elegância” é fundamental para os líderes sociais na defesa de suas causas junto a grandes parceiros. “Sempre gostei muito de estar com as pessoas e contar histórias. Isso me fez estar na rua, construindo oportunidades e abrindo portas”, afirma.

“Liderança, para mim, significa isso: menos muros, mais pontes.” Assim Eduardo, que começou buscando histórias inspiradoras, se tornou, ele mesmo, um case de sucesso.

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.