12 de nov de 2018

Como o Guiabolso aplica inteligência artificial nas suas soluções

Udacity Brasil

"Inteligência artificial” é um conjunto de ferramentas tecnológicas que possibilita uma série de aplicações interessantes, desde criar rostos de pessoas que não existem até detectar fraudes de cartão de crédito. O Guiabolso, por sua vez, pretende usá-la para algo ainda mais próximo do dia a dia do brasileiro: ajudar seus clientes a economizar dinheiro.

Nas palavras de Marcio Reis, o diretor de data science do Guiabolso, o aplicativo é uma espécie de “personal trainer” das finanças. Ele analisa seu padrão de gastos e, com base nos dados que recebe e nos seus objetivos, oferece dicas para que eles consigam gastar seu dinheiro onde realmente importa.

Já dá pra imaginar que fazer isso não é nada simples – e não só por questões tecnológicas. “A gente tá tentando ajudar as pessoas a escolherem produtos relevantes. Não de uma forma impositiva, mas ajudando com escolhas e alternativas”, diz Marcio. “E machine learning, data science e inteligência artificial ajudam a gente a fazer isso”, complementa, ressaltando a importância do lado técnico.

E esse lado técnico é tão sofisticado quanto importante. Cada vez que os usuários do Guiabolso fazem uma compra, as máquinas da empresa fazem uma quantidade de cálculos que a maioria deles provavelmente nem imagina. São justamente esses cálculos que permitem que o app funcione.

Desde 2013, quando foi criado, o app já foi baixado mais de 10 milhões de vezes e tem 5 milhões de usuários ativos. Os negócios também vão bem financeiramente: em 2017, em sua quinta rodada de investimentos, a startup captou R$ 125 milhões.

Leia também: Quais são os principais trabalhos na área de IA e data science?

Como o Guiabolso usa inteligência artificial

Quando você começa a usar o Guiabolso, precisa permitir que as máquinas e os algoritmos da empresa acessem o seu extrato bancário. Dessa forma, quando você faz alguma compra com o cartão (de débito ou crédito) associado àquela conta, o aplicativo já vê o texto da transação e o valor. Antes de mais nada, ele precisa decidir em qual categoria (alimentação, bares, transporte, etc.) aquela compra se encaixa – só com aqueles dois dados.

Para isso, segundo Marcio, os sistemas da empresa exploram cada palavra do texto da transação e dão, para cada uma, uma pontuação de probabilidade para cada categoria. Em outras palavras, eles avaliam a probabilidade que cada palavra daquela transação tem de caracterizá-la em uma determinada categoria. Se a transação tiver a palavra “alimentos”, por exemplo, provavelmente é porque veio de um restaurante ou mercado.

Decidir com base apenas no texto e valor de uma transação pode ser um pouco tênue. Por isso, os sistemas da empresa usam também um algoritmo de “nearest neighbors”, ou “vizinhos mais próximos”. Esse algoritmo compara os dados daquela transação (o valor e a pontuação de probabilidade de cada palavra) aos de demais transações.

Esses cálculos todos são o que permitem que o aplicativo categorize automaticamente as compras feitas pelo usuário em cada categoria. É uma etapa que precisa ser bem feita, não só para que o usuário tenha controle de suas finanças como também para que a empresa consiga usar a informação de gastos dele para lhe aconselhar melhor na sua vida financeira.

Leia também: Como programar uma IA (inteligência artificial)?

Dados que ajudam a gastar melhor

Com base na informação de quanto o usuário está gastando em cada categoria, o Guiabolso consegue oferecer conteúdos adequados. Esse conteúdos podem ser desde um reconhecimento pelo fato dele estar entre os 10% de usuários que mais economizam, até uma advertência jocosa por ele estar entre os 10% que mais gastam dinheiro em bares, segundo Marcio.

Mas esses conteúdos nunca têm uma postura de censurar o usuário ou recomendar diretamente uma atitude. “A gente não acredita nisso de que há uma única maneira de chegar lá. A gente acredita em dar opções para que as pessoas escolham como gastar da melhor maneira”, diz Marcio.

Por isso, se o Guiabolso percebe, por exemplo, que a pessoa está gastando mais de 50% de sua renda com apps de transporte (Uber, 99, etc.), pode mostrar um post com sugestões para gastar menos. Essas sugestões podem ser desde ir de transporte público, usar serviços públicos de bicicleta como a Yellow, ou até em casos extremos comprar um carro próprio.

Para dar a cada usuário as dicas adequadas, no entanto, o aplicativo novamente usa inteligência artificial. Isso permite que ele mostre a dica certa à pessoa certa no momento certo. E isso, por sua vez, aumenta as chances de que ela assimile e aplique aquelas recomendações.

“Se você ler de uma vez só mil dicas para economizar dinheiro, não vai adiantar muito porque a maior parte daquilo não vai fazer tanto sentido para você naquela hora. Com a inteligência artificial, a gente consegue ser bem mais preciso nas nossas recomendações”, diz Marcio.

Leia também: Um carro autônomo do Brasil: conheça o CaRINA, da Universidade de São Paulo

Segurança dos dados no Guiabolso

Para fazer tudo isso, no entanto, o Guiabolso precisa de um volume imenso de dados sensíveis. O sigilo bancário, afinal, é protegido por lei. A empresa destaca estar ciente da imensa responsabilidade que tem no gerenciamento desses dados. “A gente tenta manter um nível de segurança dos dados equivalente ao dos grandes bancos em termos de firewalls e processos”, diz.

Uma das tecnologias que a empresa usa para isso é a criptografia. Segundo Marcio, todos os dados que permitiriam identificar nominalmente os clientes do aplicativo são criptografados. Dessa forma, mesmo que um hacker se infiltrasse nos servidores da empresa, só conseguiria acessar um monte de informações embaralhadas e sem sentido.

“A gente consegue processar analytics e data science em cima desses dados, mas jamais identificar os usuários”, diz Marcio. Segundo ele, a empresa até consegue aplicar regras aos dados (por exemplo, para selecionar os usuários que gastam mais de metade de sua renda com apps de transporte), mas jamais consegue saber que as movimentações X se referem à pessoa de nome Y.

Trazendo as finanças para a mesa

O resultado disso é que a empresa consegue conversar com seus clientes sobre como eles estão gastando seu dinheiro, mas sem violar a privacidade de ninguém. E isso tem também o efeito positivo de transformar assuntos financeiros em tópicos de conversa.

“As pessoas em geral não conversam sobre dinheiro porque se sentem meio preocupadas. A gente tenta ser esse ‘cara’ com quem você pode falar, mas também incentiva os usuários a conversar sobre dinheiro entre si, para aprender mais”, diz Marcio.

Ele acredita que esse tipo de compartilhamento de informações pode levar a mudanças profundas na maneira como as pessoas decidem gastar seu dinheiro. Isso porque o mundo hoje tem uma quantidade “ridícula” de informação. “E quando a gente isso traz isso pro lado financeiro, acaba tendo que fazer uma escolha: ou despende um esforço enorme para analisar toda essa informação, ou se contenta em fazer uma escolha sub-ótima na hora de gastar”, diz.

O objetivo do Guiabolso, nesse sentido, é ser um facilitador, uma ferramenta que ajuda a fazer escolhas ótimas mesmo em meio a essa avalanche de informação. “E machine learning, data science e inteligência artificial nos ajudam a fazer isso.”

Saiba mais sobre inteligência artificial:

Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.