30 de ago de 2018

Quais são as carreiras e habilidades do futuro? Recrutadores explicam

Udacity Brasil

A essa altura do campeonato, você pode estar se perguntando: se o futuro muda tanto, como posso garantir que minha preparação esteja em harmonia com o que o mercado procura? A resposta está na fonte: recrutadores. São eles que, ao intermediar a relação entre candidatos e empregadores, melhor enxergam as tendências e os perfis em alta – mesmo aqueles que apenas começaram a despontar.

A primeira coisa a se fazer é desmistificar o cenário. “Quando se fala em indústria 4.0, se fala muito em desemprego de pessoas. Não concordo com essa ideia por uma razão simples: já passamos por quebras de paradigmas produtivos antes e o ser humano se adaptou a isso”, começa Rannison Silva, gerente de negócios da recrutadora Robert Half. "Antes havia o cocheiro, hoje há o Uber."

Este novo paradigma, resume, será transformado pelo nível de precisão, eficiência e otimização possível com tecnologias de inteligência artificial. E isso não é necessariamente ruim. “Haverá pessoas trabalhando de um jeito diferente: ganhando menos por trabalhos específicos e com mais tempo para fazer outros trabalhos também."

Essa é uma das facetas da chamada “gig economy", uma nova realidade em que profissionais trabalham mais através de contratos de curto prazo ou como freelancers e menos em empregos permanentes e em tempo integral.

“Já começamos a perceber que há profissionais – tanto entre os que estão começando quanto de níveis seniores – que se interessam mais por trabalhar em diversos projetos. É algo que não necessariamente vai trazer remuneração fixa e benefícios, mas que traz flexibilidade de tempo e interesses, um valor que não é estimado em números.”

Leia: Aprendizado contínuo: uma mentalidade necessária para a carreira do futuro

Uma nova forma de conduzir a carreira

Para ter sucesso dessa maneira, é preciso entender o que se pode vender em termos de trabalho, o que é preciso adquirir ou fortalecer para se destacar e também quem quer comprar os serviços ofertados. “É uma nova forma de conduzir a carreira, algo como Você S.A.”, brinca Rannison.

Não é uma tendência unilateral. Do lado das empresas – que contratam esses profissionais para determinadas tarefas –, já há ajustes sendo feitos, com um número crescente de prestadores de serviços e colaboradores remotos nas equipes.

Quem prefere experiências mais permanentes e tem um apetite menor por risco também precisa adotar essa mentalidade flexível para se manter competitivo, já que, para sobreviverem e prosperarem, as próprias organizações precisam mudar constantemente.

Em um pronunciamento, a Dell, uma das mais importantes empresas de tecnologia do mundo, explicou que o ritmo de mudanças será tão rápido que funcionários precisarão aprender na prática a usar novas tecnologias como realidade aumentada e realidade virtual. “A habilidade de adquirir novos conhecimentos será mais valiosa que o conhecimento em si”, explicou a companhia.

E lidar com o inesperado de maneira estruturada significa ser permanentemente curioso e disposto a se aprimorar e reciclar, mesmo que isso não tinha a ver diretamente com seu papel. “Ficar sem ter pelo menos uma ideia do que é algo como blockchain ou inteligência artificial é uma falha”, afirma Rannison.

Há maneiras de deixar essa transição mais palatável, principalmente ao transformar sua própria perspectiva. “Não se coloque como funcionário de uma empresa, mas como empreendedor de si mesmo. Tente ver seu trabalho do dia a dia de uma forma não tradicional. Isso faz diferença”, aconselha o recrutador.

Leia: Quer se preparar para o futuro do trabalho? Pense em sua carreira como uma startup

A carreira e o mercado brasileiro

Para Lucas Mendes, cofundador da plataforma de vagas de tecnologia Revelo, o Brasil passará por uma transformação similar àquela que os EUA passaram nas últimas duas décadas, em que uma pessoa passa a trabalhar para diversas empresas ao invés de uma e assim maximiza seu retorno.

Além disso, ele vê uma transformação não só nas relações entre trabalhadores e empregadores, mas também na ideia de carreira em si. Se para a última geração a ambição era ter uma longeva carreira de sucesso, Lucas aposta que agora profissionais terão pelo menos três.

"Globalmente, acredito que as pessoas vão se acostumar com a ideia de ter muitas carreiras na vida delas e possivelmente trabalhar com uma coisa diferente a cada ano”, fala. "Cada vez mais, acho que o ensino superior vai ter função de base e não de especialização.”

Nesse contexto acelerado, adquirir novos ferramentais torna-se crucial: “É quase como se todo mundo precisasse se acostumar a sair da zona de conforto".

Do ponto de vista individual, será preciso investir esforço para entender os trade offs entre estabilidade e novas oportunidades, um equilíbrio subjetivo e que tem a ver com as preferências e perfil de cada um.

E mesmo no ambiente tecnológico de ponta, que à primeira vista pareceria mais estável que outros, as mudanças são rápidas. Quando a Revelo começou, em 2014, ainda com o nome contratado.me, os profissionais mais buscados eram desenvolvedores web, puxados principalmente pelo amadurecimento do segmento nacional de e-commerce.

Os anos seguintes viram se fortalecer as carreiras de desenvolvimento mobile. Recentemente, são os profissionais de data science e machine learning que estão em alta, assim como product managers e product owners.

Lucas destaca os dois últimos para demonstrar que a tecnologia não é fechada apenas nela mesma, mas envolve outras competências ao seu redor. “Essas são pessoas com capacidade de gestão e que conseguem navegar na realidade digital. Não há uma capacitação técnica específica para essa carreira.”

Conheça carreiras do futuro:

Onde estão as habilidades do futuro?

Agora você sabe que precisa estar atento às mudanças, mas em meio ao dilúvio diário de informações essa pode ser uma tarefa intimidante. E pode parecer ainda mais difícil entender que habilidades específicas são uma boa aposta – mas há um caminho.

Há algumas habilidades gerais, como flexibilidade, empatia, gestão e resiliência, que serão importantes ao longo de toda a vida, assim como exercitar o autodidatismo. Trata-se de algo cada vez mais fácil de fazer graças à variedade de recursos educacionais de qualidade atuais, que acomodam curvas também diversas de aprendizado. Basta pesquisar.

“E a partir do momento que você para de pensar em quanto te pagam para pensar em quanto você vale, entende por onde ir”, explica Rannison. “Você quer se posicionar como especialista em e-commerce? OK. O que é importante e que você ainda não sabe? O que existe na área e ainda não é corretamente atendido? Essas perguntas vão levá-lo a se posicionar, se preparar e buscar informação.”

Lucas oferece outra ideia. "Pense em quem são os líderes mundiais na sua carreira. O que eles têm de diferente? Essas pessoas raramente são gênios natos e é mais frequente que tenham uma capacidade de se atualizar muito grande", fala. "Tente entender onde você quer chegar. Agora faça o caminho para trás." Questione-se: o que você precisa saber ou fortalecer para chegar lá?

Para quem busca informações sobre áreas específicas, Rannison recomenda especialmente a participação em comunidades especializadas. “A informação é uma ferramenta formidável e fóruns de discussão online permitem que você esteja próximo [da pessoas da área] sem estar ali fisicamente”, resume Rannison. "Hoje em dia não tem mais desculpa.”

Tempo para uma nova mentalidade

Por fim, internalize a seguinte mensagem: prepare-se antes da oportunidade aparecer ao invés de correr contra o tempo quando ela surgir. Isso lhe dará uma grande vantagem competitiva.

“Não é preciso se preocupar com o que vai acontecer, mas em como se encaixar. Tente entender onde a mudança está e dar o passo junto com ela ao invés de resistir", conclui Rannison.

Afinal, aguçar a própria curiosidade e aprender constantemente com as mudanças é algo que grandes figuras da tecnologia sempre fizeram e com enorme sucesso. “Sempre brinco que Steve Jobs não tinha vale-refeição”, diverte-se Lucas.

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.