Projeto de hyperloop, trem futurista criado por Elon Musk, chega ao Brasil

Udacity Brasil
6 de jun de 2018

Imagine sair do centro de São Paulo e chegar em duas horas na praia de Boa Viagem, no Recife, sem precisar pegar um avião. Pode parecer ficção científica, mas trata-se de um projeto real e bem creditado chamado hyperloop.

O hyperloop é um projeto de trens ultra-rápidos que “levitam” e atingem velocidades de 1 200 quilômetros por hora. O sistema já passou com sucesso por testes preliminares (que você pode ver no vídeo abaixo) e já há acordos para criar redes de hyperloop no Oriente Médio e ligando a China à Europa.

O Brasil não deve ficar de fora dessa rede: a HyperloopTT, uma das empresas que estão desenvolvendo essa tecnologia de transporte, anunciou recentemente a inauguração de um centro de pesquisa na cidade de Contagem, em Minas Gerais.

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O que é o hyperloop?

Elon Musk, o CEO da Tesla e da SpaceX, idealizou o hyperloop em um documento publicado em 2013. De acordo com Musk, trata-se da forma de transporte mais eficiente entre cidades que estejam a uma distância de cerca de 1500 quilômetros uma da outra.

O documento é uma leitura interessante. Nele, Musk detalha os princípios da engenharia por trás da sua ideia de design do transporte e chega até a estimar os custos que o sistema teria para ser implementado e mantido, desde os “trilhos” até as cápsulas.

Ele não chegou a desenvolver a ideia. É compreensível: naquele momento, já chefiava uma montadora de carros elétricos semiautônomos e uma empresa que fabricava, lançava e pretendia também reutilizar seus foguetes. Por isso, ele conclui seu documento dizendo tratar-se de um “conceito open source de transporte”, e incentivando outras pessoas a contribuir para ele.

De fato, muitas decidiram levar a ideia adiante. Surgiram então uma série de empresas com nomes que remetem à ideia de hyperloop, como a britânica Virgin Hyperloop One, a indiana DGWhyperloop, a canadense TransPod e a americana HyperloopTT (esse TT significa “transportation technologies”) – essa última é a que está vindo para o Brasil.

Essa diversidade destaca como o hyperloop não é (por enquanto) propriedade de uma só pessoa. Pela natureza “open source” do projeto de Musk, a ideia é que qualquer um possa levar o projeto adiante. Por isso, é útil pensar na palavra “hyperloop” da mesma maneira que se pensa nas palavras “avião” ou “trem”: ela representa toda uma categoria de transportes.

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Como um hyperloop consegue ir tão rápido?

Uma das bases do hyperloop é a levitação magnética, uma tecnologia que já é utilizada nos “trens-bala” do Japão. Por meio de campos magnéticos cuidadosamente controlados, os trens japoneses flutuam sobre os trilhos – e esses mesmos campos garantem que eles não descarrilhem.

Como os trens não encostam no trilho, não há qualquer atrito entre o veículo e o percurso dele. Tirando a energia perdida por conta da resistência do ar (que é minimizada graças ao design do trem), toda a potência do trem-bala é usada para acelerá-lo, o que lhe permite atingir velocidades de mais de 600 quilômetros por hora.

O hyperloop pretende também se aproveitar da levitação magnética associada a um design aerodinâmico. Mas diferentemente dos trens-bala, que rodam em trilhos a céu aberto, as “cápsulas” do hyperloop rodarão em túneis fechados quase a vácuo.

Os túneis têm duas funções: primeiro, servem de guia de percurso para as cápsulas. Segundo, o fato deles estarem quase sem nenhum ar dentro permite que a pressão dentro dos túneis seja manipulada de forma a ajudar a acelerar as cápsulas.

Manipulando a pressão do ar dentro dos tubos, o sistema de transporte consegue auxiliar os motores elétricos (abastecidos por energia solar) da cápsula a irem ainda mais rápido. São esses dois fatores que permitem que as cápsulas do hyperloop cheguem a mais de 1.200 km/h.

Além de ser incrivelmente rápido e surpreendentemente acessível, o hyperloop tem outra vantagem: pelo menos de acordo com o projeto de Musk, ele é o sistema de transportes que gasta menos energia por passageiro transportado.

Por isso, Musk também imaginou colocar uma série de painéis solares em cima das “cápsulas” e no teto dos trilhos para que o sistema fosse capaz de gerar a própria energia. Com isso, o problema da emissão de gases do efeito estufa por outros meios de transporte também poderia ser amenizado.

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A chegada do hyperloop ao Brasil

No começo de abril, a HyperloopTT anunciou a criação de um Centro Global de Inovação na cidade mineira de Contagem. A instituição servirá como um centro de pesquisas em logística e terá também um laboratório de fabricação e um ecossistema de startups e pesquisadores envolvidos.

A criação do centro se deu por meio de uma parceria público-privada e o município de Contagem cedeu à empresa um espaço físico de 22 mil metros quadrados (e quatro mil metros quadrados construídos), localizado em uma área nobre da cidade.

O projeto tem um investimento de R$ 26 milhões só em sua primeira fase. Esse montante vem tanto da própria HyperloopTT e de outros investidores privados quanto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SEDECTES), do governo do estado de Minas Gerais.

Infelizmente, a presença da companhia não significa que o Brasil terá um hyperloop nacional tão cedo assim. De acordo com a Superinteressante, o presidente da iniciativa, Bibop Grespa, disse que o investimento atual contempla apenas a criação do centro de pesquisa.

“A construção do hyperloop é outra coisa, outra esfera”, disse. Melhor segurar a ansiedade: ainda deve demorar um tempo até que o projeto de Minas Gerais se torne parte de uma rede brasileira e, quem sabe, sul-americana de hyperloops.

Além disso, espalhar-se pelo mundo faz parte da estratégia de empresa: atualmente, há mais de 50 equipes trabalhando em seis continentes. Até agora, há parcerias governamentais para desenvolver a tecnologia na Eslováquia, Abu Dhabi, República Tcheca, Indonésia, Índia e Coreia do Sul. Além do centro brasileiro, que foca em logística, há outro na França com foco em inovação.

Nada disso afeta o entusiasmo dos mineiros e outros brasileiros em relação ao projeto. Segundo Alex de Freita, prefeito de Contagem, a aposta é em uma nova revolução industrial na região. "Os efeitos serão muito positivos na geração de riqueza e conhecimento e na autoestima da população", afirmou.

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