24 de out de 2018

Para onde caminha a inovação no Brasil?

Udacity Brasil

Mais startups no mercado, investimentos de grandes empresas em novos modelos de negócio, aumento dos programas de aceleração e do número de espaços de colaboração, empresários mais bem preparados. Traços de um ecossistema empreendedor maduro: esse é o cenário que vem se desenhando no Brasil na última década, de acordo com especialistas em inovação. “Já vemos cada vez mais pessoas inseridas na tecnologia, assim como uma mudança de mindset em empresas tradicionais”, afirma Júlia Chagas, gerente de marketing da aceleradora Startup Farm.

Em 2018, depois de dois anos de estagnação, o Brasil subiu da 69ª para a 64ª posição no Global Innovation Index, que avalia 126 economias com base em 80 indicadores. Mais investimentos em pesquisa, importação e exportação de tecnologia e a qualidade das publicações científicas estão entre os motivos da melhora. O crescimento no número de startups do país também contribui para um ambiente mais inovador: de 2012 a 2017, o salto foi de quase 3 mil novos empreendimentos registrados pela Associação Brasileira de Startups.

Segundo Felipe Matos, fundador da Startup Farm e diretor do Dínamo — um movimento de articulação de políticas públicas focadas em startups —, “tudo isso vem contribuindo para uma cultura mais forte de empreendedorismo e inovação no Brasil”. Ouvidos pelo blog, Júlia, Felipe e Lineu Andrade, diretor de tecnologia do Itaú Unibanco e responsável pelo Cubo Itaú, comentam os principais caminhos da inovação no país.

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Tendências

Alguns tipos de tecnologia têm se destacado nesse mercado em ascensão. Inteligência artificial, Internet das Coisas, blockchain para segurança da informação, biotecnologia e aplicação de realidade virtual são algumas da tendências que os três experts apontam. “Essas tecnologias são a base dos produtos desenvolvidos pelas startups e estão por trás das soluções apresentadas pela maioria dos empreendedores com potencial de escala que selecionamos no Cubo”, explica Lineu.

O Cubo Itaú faz uma curadoria de novos empreendimentos, aproximando-os de grandes empresas, investidores e universidades. “Um ambiente de conexão qualificada permite que negócios sejam gerados com mais assertividade, além de ajudar a desenvolver a cultura empreendedora e boas práticas no mercado”, diz o diretor. Essa mentalidade também está presente nas aceleradoras, que direcionam estrategicamente os negócios e formam redes de contato. “O processo de aceleração e o ambiente de pressão controlada permitem que o negócio evolua”, afirma Júlia.

Segundo ela, tudo isso contribui para uma grande tendência de “democratização da tecnologia e do reconhecimento da necessidade de inovação pelas grandes corporações”. Felipe acrescenta que o avanço tecnológico também modifica as relações de trabalho e tem potencial para romper paradigmas em várias indústrias. “Essas tendências projetam um futuro em que as pessoas terão que mudar a sua forma de trabalho, valorizando a criatividade, a autonomia e o senso crítico, além de aprender a conviver junto com as máquinas”, defende ele.

Desafios

Apesar desses avanços, Júlia e Felipe alertam para os entraves burocráticos, tanto do governo brasileiro quanto das grandes empresas, que podem acabar atrasando os processos de inovação no país. “O Brasil está hoje entre os piores países do mundo para se empreender em relação ao ambiente regulatório e procedimentos burocráticos”, diz Felipe. Ele aponta como outros problemas as altas cargas tributárias, a insegurança jurídica para os investidores e a falta de incentivos governamentais.

É por isso que a equipe do Dínamo se engaja na questão das políticas públicas voltadas para a inovação — neste link, aliás, dá para baixar um playbook sobre boas práticas em políticas públicas de apoio às startups. “Governos no mundo inteiro têm aumentado investimentos em ciência e tecnologia, bem como modernizado seu sistema de educação para preparar os estudantes de hoje para profissões do amanhã, que muitas vezes nem existem ainda. Nós também deveríamos seguir por esse caminho”, defende Felipe.

Lineu é mais otimista e acredita que o Brasil já tem tomado esse rumo. “A maturidade do mercado nacional avança bastante a cada dia. As grandes empresas, de uma maneira geral, estão mais interessadas em aprender sobre esse universo e estão lidando melhor com as startups; e vice-versa. Continuar com essa educação de ambos os lados e dar acesso às startups é o caminho para o desenvolvimento”, diz ele.

Nesse sentido, espaços como o Cubo, o Google Campus e o Inovabra — que prezam por um ambiente de colaboração entre diferentes players — podem facilitar o progresso. “Atrair todos os agentes para constantes trocas de experiência, conhecimento e evolução permite a agilidade que a tecnologia exige”, avalia Lineu. Júlia concorda, especificamente no que diz respeito à participação dos centros de pesquisa universitários nesse jogo. “Uma aproximação maior das universidades e da academia de modo geral pode trazer benefícios a todos nesse contexto.”

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Como entrar nesse universo?

Na opinião dos especialistas, a melhor forma de entrar no universo da inovação, da tecnologia e do empreendedorismo é justamente entrando. “É importante estar inserido no ecossistema empreendedor, seja pela participação em eventos, nas iniciativas de empreendedorismo, nos programas de aceleração, em coworkings. É importante se envolver e se aproximar de quem já está fazendo algo”, defende Júlia.

Felipe também acredita no valor desse networking e, sobretudo, no poder de um bom time. “É muito difícil iniciar um negócio sozinho, e o empreendedor deverá buscar sócios e parceiros com competências complementares. Recomendo ampliar a rede de contatos. Há uma série de eventos, programas de apoio e aceleração e espaços de colaboração pelo país que permitem essa inserção”, diz.

A despeito das barreiras burocráticas, o Brasil tem um mercado em crescimento e cheio de oportunidades para quem quer inovar. Para Lineu e Felipe, o segredo consiste em dois passos: primeiro, encontrar os nichos a serem explorados; depois, validar esse feeling no mundo real — o que envolve muita pesquisa e diálogo com clientes e parceiros em potencial. “O principal é ter uma solução que atenda à realidade do mercado, atrelada à tecnologia para que tenha potencial de escala”, explica Lineu.

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.