16 de out de 2018

6 boas práticas para criar interface de usuário

Udacity Brasil

Você já parou para pensar como se sente em relação às cores, à fonte e aos ícones dos aplicativos que usa em seu celular? Que intuições essas características provocam? Se o tom do texto de um site de compras mudasse, sua jornada por ele seria diferente? E se a cor do Youtube não fosse vermelha?

Tudo isso pode passar despercebido no nosso dia a dia – pelo menos em um nível consciente –, mas a verdade é que todas as nossas interações em uma plataforma, seja ela um site ou um aplicativo, dependem dos fatores que moldam a interface de usuário.

Também conhecida por UI (do inglês "user interface"), a interface de usuário diz respeito à camada visualmente perceptível das plataformas que usamos na internet. É por meio dessa camada que as pessoas navegam e se comunicam para realizar ações. Daí sua importância: quanto melhor a interface de usuário, mais positivas são as interações. “É uma parte estética que interfere muito na usabilidade”, diz Claudia Mardegan, especialista em UI e professora na escola Mergo.

Leia também: Entenda as diferenças entre UX e UI

Para ela, é impossível separar o campo visual da experiência do usuário como um todo. “O designer de interface se preocupa muito com o look and feel da coisa. Se você pensar só no visual ou só na experiência fica ruim, tudo é um conjunto equilibrado”, explica.

Por isso, cada decisão sobre cores, tipografia, espaços em branco e disposição dos botões e do menu não só impacta a impressão visual do usuário como afeta sua experiência.

O designer responsável pela UI deve estar atento a todos esses detalhes. “Como você identifica que um app pertence a uma marca? Será que os traços traduzem o que minha empresa pensa? Geram confiança no negócio? A preocupação vai desde a transmissão do branding até a compreensão dos sentimentos do usuário”, avalia Claudia.

Nesse processo, algumas práticas, que listamos a seguir, podem ajudar a encontrar um caminho proveitoso para uma boa interface de usuário.

Leia também: O que é design thinking e como aplicá-lo no trabalho e na vida pessoal?

Entenda conceitos fundamentais

Assim como muitas outras áreas do design, a criação da interface de usuário é norteada por alguns princípios fundamentais, entre eles a Gestalt. A psicologia da Gestalt (palavra que em alemão significa “forma”) surgiu no começo do século 20 e se baseia na ideia da percepção de um todo formado por vários elementos. O todo, enquanto unidade, é interpretado de modo diferente da soma das partes.

Aplicada ao design, a Gestalt ajuda a criar um balanço entre a unidade e a variedade. Para isso, se baseia em seis leis básicas (sobre as quais você pode ler mais neste texto do Choco La Design):

  • Semelhança
  • Proximidade
  • Continuidade
  • Pregnância
  • Fechamento
  • Unidade

O que significa pensar no usuário? Instrutores da Udacity explicam

Outro conceito caro aos designers de UI é a avaliação heurística, que nada mais é que um processo para encontrar soluções para um problema. Esse termo foi cunhado em 1990 por Jakob Nielsen e Rolf Molich, definindo uma metodologia de análise para encontrar problemas comuns em uma interface de usuário. Para fazer essa inspeção, eles estabelecem as dez heurísticas de usabilidade (saiba mais sobre cada uma delas neste post do professor de UX Edu Agni):

  • Diálogos simples e naturais
  • Falar a linguagem do usuário
  • Minimizar a sobrecarga de memória do usuário
  • Consistência
  • Feedback
  • Saídas claramente demarcadas
  • Atalhos
  • Boas mensagens de erro
  • Previnir erros
  • Ajuda e documentação

Na prática, essas heurísticas ajudam a informar constantemente o usuário sobre o estado do serviço (como aquela ampulheta do Windows, que demonstra que o computador está trabalhando) e manter a consistência da apresentação (como sempre encontrar o mesmo botão de saída, do mesmo tamanho, no mesmo lugar).

Evite os modismos e os achismos

Agora que você sabe o básico sobre UI, pode sentir a tentação de imitar aquela interface tão bonita. Mas há outras coisas para levar em conta além da aparência.

Tendências estéticas para sites e aplicativos, por exemplo, vão aparecer e se disseminar. No entanto, elas não necessariamente serão a melhor opção para todos os tipos de serviço e para as impressões que algumas marcas querem transmitir. “Talvez não funcione se um aplicativo de banco usar os mesmos traços do Facebook, por exemplo. Pode deixar de passar segurança”, diz Claudia.

Da mesma forma, basear as escolhas para a sua interface em suposições e “achismos” sobre o usuário nem sempre dá certo. “Você nunca vai saber a resposta, por mais que tente ser assertivo.” É mais produtivo buscar entender por que algumas decisões apresentam melhores resultados do que outras. E como chegar a isso? Compreendendo como seu público pensa (de verdade) através de testes.

Compreenda o público e faça testes

A melhor forma de não cometer erros guiados pelas tendências visuais do momento ou por hipóteses não acertadas sobre o usuário é conhecendo bem o público que o aplicativo ou site irá atender.

Para isso, Claudia propõe alguns questionamentos: qual é a forma de raciocínio da pessoa? Em qual contexto ela está inserida? Qual é sua idade, seu estilo de vida, sua faixa socioeconômica?

Tudo isso ajuda a compreender melhor o cenário em que a interface de usuário será utilizada. “Pessoas mais velhas, por exemplo, não têm caráter exploratório. Se você esconder alguma função no menu, pode ser que elas não encontrem. Já pessoas mais jovens preferem explorar, por isso o Tinder tem algumas coisas escondidas”, explica Claudia.

Ela avalia que as entrevistas com o usuário são úteis tanto na fase anterior à elaboração da interface quanto na hora de realizar testes com o produto. “Quanto mais alta a fidelidade da prototipação, menos erros você tem com o usuário depois do lançamento. Testar um protótipo com a interface final mostra resultados mais realistas para a correção de erros.”

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Busque uma interface consistente

Manter a consistência em todas as partes da interface é uma das melhores formas de torná-la mais agradável. “É muito fácil cair na inconsistência. Às vezes você faz uma tela, aprova e depois começa a fazer a próxima com outros tons e fontes diferentes”, diz Claudia. Ela recomenda prestar atenção nas cores e usar não mais do que duas famílias tipográficas.

A coerência se manifesta não só no produto, mas também na equipe. Criar um design system — ou seja, estreitar a relação e unificar a linguagem entre designers e desenvolvedores — pode ser vantajoso nas várias etapas do processo de criação da interface, desde a definição da identidade até os testes de protótipo e eventuais modificações. É o que defende Amilton Paglia neste texto do UX Collective BR.

Preze pelo conforto visual

Imagine que você está passeando pelo shopping e vê um óculos de sol em uma loja de grife. Você não pode pagar por ele, então decide procurar um semelhante nas vitrines da rua 25 de Março, em São Paulo. Chegando lá, se depara com tantas outras opções que começa a se questionar se era aquele óculos que você realmente queria. Você pode até desistir de comprar qualquer óculos.

Claudia usa essa analogia para explicar a importância da legibilidade e da disposição das informações na interface, que geram conforto para o usuário. “Muitos erram porque querem colocar muita informação em pouco espaço de tela.” Para evitar esse tipo de erro, ela dá algumas dicas:

  • Fontes não serifadas são a melhor opção para telas com pouco texto;
  • Já em textos longos é melhor usar fontes com serifa;
  • É importante trabalhar as variações de tamanho da fonte em proporções previamente definidas;
  • Leve em consideração os espaços em branco entre as linhas, pois são eles que geram conforto visual;
  • Pense nas ações específicas que o usuário fará em cada tela para avaliar a pertinência de botões e menus de navegação;
  • Invista em um design mais realista e menos abstrato.

Mantenha-se atualizado

Todas essas práticas podem ajudar a garantir um bom resultado para sua interface, e acompanhar as respostas do usuário também faz parte do processo. “Como é uma coisa que depende muito do público, olhar para os números e analisar as reações é essencial para desenvolver um aprendizado sobre o seu trabalho”, diz Claudia.

Além disso, é bom estar atento ao mercado e à concorrência. Claudia acredita que entender a complexidade do nicho e desenvolver habilidades técnicas na área é mais importante do que se especializar no uso de ferramentas específicas. “As ferramentas surgem e desaparecem a toda hora. O que vale é o conhecimento do mercado e a habilidade técnica que você consegue aplicar a novas ferramentas.”

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Sobre o autor
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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.