5 oportunidades geradas pela internet das coisas (IoT) no marketing digital

Udacity Brasil
15 de jan de 2018

A hiperconectividade é uma característica da era digital: os dispositivos hoje não estão conectados apenas com outros dispositivos, mas também com pessoas. Ciente desse advento, o mercado já aplica inúmeras possibilidades da internet das coisas (IoT) ao marketing para conquistar clientes, aumentar vendas e posicionar marcas.

A IoT faz com que recursos antes inimagináveis possam ser inseridos nos produtos para que eles próprios se transformem em pontos de venda ou, no mínimo, em ferramenta de relacionamento com o cliente e de suporte às estratégias de marketing digital.

Nesse contexto, o público-alvo das empresas pode ser impactado por ações realizadas a partir de intervenções em aparelhos como smartphones, tablets, smart TV e até mesmo em equipamentos "vestíveis", que se transformam em interface para fazer a conexão entre empresas e potenciais clientes.

Já há diversos exemplos reais de como soluções tecnológicas podem estar a serviço do marketing, fazendo com que as marcas consolidem sua presença digital e consigam fazer parte do cotidiano das pessoas. Ou seja, o marketing pode fazer uso da IoT como uma poderosa ferramenta de trabalho!

1. Uso de produtos para análise de comportamento

A startup americana de planos de saúde Oscar Health oferece um dispositivo wearable (vestível) para seus clientes: o smartwatch. Esse relógio inteligente, além das funcionalidades habituais, atua como um smartphone.

Ele coleta informações relacionadas ao comportamento de cada consumidor, como horas de sono e atividades físicas realizadas, e as envia para um banco de dados. A partir daí, metas de saúde são estabelecidas ao usuário como condicionante para o recebimento de descontos nas mensalidades do seguro-saúde.

Além disso, a oferta de exames e check-ups por parte da empresa soa natural para o cliente, já que esses serviços são oferecidos sempre que identificado algum risco de saúde ou um longo intervalo sem que a informação de consultas médicas tenha sido atualizada no sistema.

2. Segmentação mais eficiente pela geolocalização

A internet das coisas pode estar presente em negócios de toda natureza. Em um lançamento recente, o Banco do Brasil desenvolveu uma ferramenta para facilitar a venda de um produto bem característico da instituição financeira: o crédito rural.

A solução embarcada em tablets e smartphones permite que produtores rurais — um segmento de atuação bem específico do banco — capturem coordenadas da propriedade que desejam financiamento agrícola.

Ao utilizar o app GeoMapa Rural, recursos de geolocalização demarcam em um mapa o perímetro que será alvo do projeto para captação de recursos. Os dados ali coletados seguem direto para a agência que formalizará o contrato.

O marketing das linhas de crédito rural passou a focar em dispositivos móveis justamente porque eles estão em todo lugar, inclusive no campo. A tecnologia desenvolvida facilita não só a liberação de recursos, mas também o contato entre cliente e empresa.

Isso também permite maiores oportunidades de divulgação do banco em um ambiente menos urbano, no qual a navegação na internet não é tão frequente e o marketing digital focado em mecanismos de busca e em publicidade paga pode ser menos eficiente.

3. Interação do usuário com a marca fora do momento da compra

Ser abordado durante uma consulta a um produto em uma loja já é algo esperado pelo cliente. Mas contatá-lo quando ele não está no ponto de venda é algo que pode ser surpreendente.

Contando com essa possibilidade, a Bem Seguro envia pushes (notificações por meio de mensagens clicáveis) geolocalizados com ofertas de seguro viagem quando o cliente chega em alguns aeroportos parceiros.

Naquele momento, muitas vezes o cliente está no aeroporto apenas para usufruir de um serviço já contratado — o trecho aéreo. Em geral, ele não está à procura de uma apólice de assistência viagem propriamente dita. Mas a oportunidade é aproveitada pela empresa e essa estratégia tem se mostrado mais efetiva e barata do que ações de marketing direto ou digital não contextualizado.

4. Criação de experiências dinâmicas com o usuário

A era digital começou quando a cloud computing se estabeleceu e permitiu que as empresas tornassem virtuais soluções que antes ficavam fechadas dentro dos muros do empreendimento.

Com essa tecnologia, é possível utilizar serviços de computação — como rede, servidores, armazenamento, software e bancos de dados — por meio da internet. Inclusive, foi só a partir da nuvem que a IoT se tornou viável e outras possibilidades mais elaboradas também ganharam vida.

É o caso de aplicações práticas de computação cognitiva e inteligência artificial, que tratam da aprendizagem de máquina — ou seja, a noção de que computadores aprendem com padrões e podem antecipar resultados a partir de análises preditivas.

Essas tecnologias estão sendo exploradas por empresas de ponta, como a Tesla Motors, que tem investido em inovadores carros elétricos.

Os modelos saem de fábrica com softwares que capturam o estilo de direção dos usuários da marca e analisam esses dados para melhorar a performance dos veículos. Assim, versões do sistema são desenvolvidas e atualizadas remotamente, oferecendo mais conforto, economia de energia e segurança aos proprietários de um Tesla.

Além disso, mensagens publicitárias são enviadas — como a oferta de óleo do motor sempre que registrada uma baixa no reservatório, ou o anúncio de filtros de ar-condicionado quando há resíduos que provocam mau desempenho.

Essa interação permanente entre a inteligência que comanda o carro, o motorista e a empresa desenvolvedora permite um dinamismo que aproxima o consumidor da marca. É comum ver empresas que adotam essa linha conseguirem naturalmente fidelizar o cliente sem a necessidade de ações de marketing direto.

5. Integração inteligente entre estratégia e produto

Quando a empresa consegue estar presente no cotidiano das pessoas, ela amplia as possibilidades de conquistar novos clientes a partir da experiência positiva manifestada por seus consumidores.

A pulseira inteligente Fitbit é um bom exemplo. O gadget acompanha o usuário em seus exercícios físicos e também nas atividades rotineiras, como deslocamentos dentro de casa, no ambiente de trabalho e durante o sono.

O objetivo é monitorar funções vitais e gerar estatísticas sobre o condicionamento físico, performance esportiva e outros quesitos de saúde. Mas outra utilidade mercadológica está por trás desse equipamento: a conquista de novos clientes.

Isso se dá graças à funcionalidade de compartilhar em mídias sociais os resultados do controle feito pela pulseira. Imagine que um amigo seu publica no Facebook que acabou de completar 10 mil passos, perder mil calorias e, com isso, espera ter perdido 1 kg em um só dia?!

A associação entre esse resultado e a pulseira é imediata: sem a pulseira, o esforço de emagrecimento do amigo poderia não ser tão produtivo. Isso estimula que os conhecidos queiram aderir ao recurso e tragam para suas vidas a oportunidade de alcançar uma boa forma com a pulseira que estimula o usuário a ser mais saudável.

O exemplo do Fitbit demonstra o potencial mercadológico advindo da integração entre a estratégia do negócio e o produto. As próprias funções do dispositivo assumem um papel de ação de marketing, contribuindo para que a marca se firme no mercado e registre aumento crescente de vendas.

A revolução dos dispositivos em prol do marketing

Todos esses exemplos mostram que os dispositivos que nos acompanham no dia a dia podem se transformar em displays para marketing online.

Essa é uma característica exponencial, bastando considerar o número de equipamentos conectados no mundo: segundo o Gartner, serão 25 bilhões de aparelhos até 2020.

Quando se pensa no volume de investimentos que é direcionado para propaganda digital, considerar que dispositivos podem ser usados para fazer isso "de graça" é algo no mínimo interessante. E o melhor: o marketing utilizado acaba sendo contextualizado, chega direto ao público-alvo, entra na casa do cliente e torna-se parte do seu cotidiano.

O futuro do marketing será uma sequência do que já temos hoje: digital, mas com o diferencial de estar cada vez mais inserido na dinâmica pessoal, familiar e profissional dos clientes.

Nesse cenário, a internet das coisas (IoT) no marketing é irreversível — e isso é positivo. Se é importante que o marketing esteja onde o cliente está, é por meio da conectividade que isso será possível. A presença digital das marcas dependerá, cada vez mais, do bom uso dessa relação.

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