25 de jul de 2018

O que é internet das coisas e por que está mais próxima do que você imagina

Udacity Brasil

Não tem segredo. A internet das coisas, também chamada de IoT (do inglês, "Internet of Things"), é fácil de entender: trata-se, basicamente, de usar a internet para conectar diferentes equipamentos do dia a dia – do simples smartphone até seu tênis de corrida.

"IoT é um conceito que relaciona o uso de dispositivos com poder computacional embarcados em qualquer tipo de equipamento, trazendo inteligência e valor agregado ao estarem conectados com a internet", explica Luís Leão, Content Developer da Udacity.

Ele continua: "Uma analogia simples seria fazer com que qualquer equipamento possa ser mais inteligente – desde a TV de casa até um equipamento industrial. Essa inteligência vem não apenas do computador que está dentro dele, mas também da conectividade com a nuvem e a internet".

Na internet das coisas tudo se resume, portanto, a fornecer conectividade e inteligência aos objetos que nos cercam. Em uma palestra TEDx sobre o assunto, o engenheiro industrial Marcel Schouwenaar, professor da Delft University of Technology (Holanda), afirmou: "Quando o mundo se torna conectado pela internet das coisas, nós deixamos softwares observar nossas cidades, nosso ambiente de trabalho, nossa sala de estar. Esses algoritmos analisam os dados e nos ajudam a tomar decisões melhores sobre como trabalhar com mais eficiência ou como nos mantermos saudáveis, por exemplo".

Uma breve história da IoT

Apesar de estar muito em evidência atualmente, o tema da internet das coisas não é novo. Em 1989, por exemplo, surgiu – acredite! – a primeira torradeira conectada à internet. É claro que naquela época (e talvez até hoje) essa ideia não parecia fazer o muito sentido. Mas o fato é que a possibilidade de conectar objetos comuns à rede vem sendo discutida e testada há muitas décadas.

Embora a ideia de conectividade dos equipamentos não seja tão nova assim, o termo "IoT" é um pouco mais recente. "O termo foi citado pela primeira vez em 1999 por Kevin Ashton, pesquisador britânico do MIT, para definir elementos físicos que poderiam se identificar e criar uma rede automaticamente – na época, através da tecnologia RFID", ensina Luís Leão, da Udacity. "Cada dispositivo seria identificado com um número único e isso seria capaz de criar uma rede local com esses dispositivos, de forma a compartilharem recursos e informações".

De lá para cá, com o avanço da internet e da tecnologia, novas possibilidades surgiram e, aquilo que antes parecia coisa de ficção científica, hoje já é realidade.

Internet das coisas para quê?

Pode ser que você esteja se perguntando: "será que é realmente necessário conectar os objetos à internet?". A resposta pode ser um grande sim ao se observar as potencialidades que essa tecnologia traz.

"O principal objetivo da IoT é reduzir custos e otimizar processos. A conectividade dos dispositivos poderá alcançar todos os setores, desde residências à indústria, comércio e serviços", afirma Leão.

Ele comenta que o Google, por exemplo, possui uma divisão chamada Nest, focada em desenvolver dispositivos para residências. A empresa começou com o lançamento de um termostato inteligente que ajuda na economia de energia e hoje possui uma série de sensores, câmeras e alarmes que se comunicam de maneira inteligente. "Isso não seria possível sem os recursos dessa conectividade e do processamento na nuvem", diz.

Um levantamento feito pela consultoria McKinsey & Co. afirma que se os governos e as empresas tomarem boas decisões nessa área, a conexão do mundo físico com o mundo digital poderia economizar mais US$11,1 trilhão ao ano já em 2025 em todo o mundo.

Outro relatório, produzido pela consultoria Gartner, prevê que 50 bilhões de dispositivos estarão conectados à internet até o ano de 2020 – o que poderá criar novas dinâmicas para marketing digital, vendas e serviços com clientes. "Nós teremos um ecossistema conectado e não mais dispositivos individualizados!", diz o Content Developer da Udacity.

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Será que é IoT?

Como internet das coisas é um termo ainda pouco conhecido pela população em geral, é normal que surjam dúvidas sobre o assunto. A seguir, conheça algumas características que definem a IoT:

  • É preciso ter múltiplos dispositivos e eles devem atuar em rede (mesmo que seja uma rede local isolada)
  • Os dispositivos coletam dados e atuam com algum elemento (podem ativar ou desativar algum equipamento ou elemento dele mesmo, por exemplo)
  • Não necessita de intervenção humana. Eles passam a tomar decisões sozinhos baseados no aprendizado que obtiveram com os sensores e comportamento humano

Vídeo da IBM explica sucintamente como funciona a internet das coisas

A internet das coisas está entre nós

Olhe ao redor. Você já está cercado de objetos conectados à internet: desktop, smartphone, smart TV, smartwatch, tablet, notebook, desktop, videogame, câmeras de segurança e babá eletrônica.

A grande novidade é que, daqui em diante, cada vez mais dispositivos começarão a vir com conexão à internet e, consequentemente, ficarão mais inteligentes e funcionais.

Exemplo disso é o termômetro Kinsa: enquanto um termômetro convencional apenas mede a temperatura corporal da pessoa, o Kinsa é capaz de armazenar o histórico de febre de toda a família, oferece orientação personalizada sobre como aliviar os sintomas febris, lembra o paciente sobre a dosagem e o horário dos medicamentos e ainda avisa quando o quadro de febre é preocupante a ponto de ser necessário procurar um médico.

Outro produto curioso que se utiliza da internet das coisas é o Whistle, um pequeno equipamento que, quando colocado na coleira do cachorro, fornece ao dono a localização exata do pet, informa as vezes e que sai e volta para casa e mostra as atividades diárias do animal.

Chaves e cadeados, localizadores de objetos, irrigadores de jardim, sistemas de iluminação, termostatos – tudo isso também já têm suas versões em IoT. Isso sem mencionar os processos industriais que também vêm sendo otimizados graças à novas tecnologias.

"Hoje podemos ver alguns exemplos de IoT associados à automação residencial. Esses dispositivos ainda não são uma realidade próxima no Brasil devido ao custo, mas alguns fabricantes, como a Philips, já estão comercializando lâmpadas inteligente aqui no país", diz Luís Leão, da Udacity.

Ele também chama a atenção para os "wearables" – itens que podem ser vestidos, usados no corpo. Cada vez mais empresas estão tentando criar produtos capazes de incorporar informações do usuário que os utiliza. É o caso do Mimo, um monitor de recém-nascidos. "Ele fica anexado a um 'body' de bebê – que pode ser lavado – e monitora a posição da criança, além de padrões respiratórios, temperatura e saúde", explica Leão. O Mimo ainda se integra com o termostato inteligente para ajustar a temperatura do quarto automaticamente e trazer maior conforto e segurança para a criança.

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É preciso lembrar ainda que os tão comentados carros autônomos também são dispositivos de IoT. "Além de comunicar-se entre si e identificarem o ambiente ao seu redor, eles podem ser utilizados como um serviço de mobilidade e remover a necessidade de adquirir um veículo próprio", afirma Luís Leão.

Esse tipo de automóvel já é uma realidade nos Estados Unidos, onde o Google está iniciando testes públicos, e a estratégia faz parte dos planos divulgados por Elon Musk para a Tesla.

"Quando a verdadeira direção autônoma for aprovada por reguladores, você poderá chamar seu Tesla de praticamente qualquer lugar", escreveu o CEO. "Você poderá também adicionar seu carro à frota compartilhada de Teslas ao simplesmente apertar um botão no aplicativo e deixá-lo gerando renda enquanto você está de férias ou no trabalho."

Ou seja, donos de Tesla ganharão dinheiro e usuários do serviço não precisam se preocupar em adquirir um carro autônomo que utiliza IoT para funcionar perfeitamente.

Internet das coisas no Brasil

No Brasil, segundo informa Luís Leão, o setor agrícola deve ser o maior beneficiário da IoT – e isso já está acontecendo. "Têm surgido startups focadas em trazer inteligência para o campo e coletando dados de bovinos e do solo, a fim de trazer um maior rendimento da produção e atuar de forma mais granular, mapeando as menores variações de solo ou do rebanho e indicando soluções para os diagnósticos", comenta o Content Developer da Udacity.

Outro exemplo de aplicação de IoT no Brasil é o Porto Maravilha, região portuária do Rio de Janeiro que foi revitalizada há alguns anos. O local recebeu bueiros inteligentes, com sensores volumétricos que avisam se atingirem estado crítico e precisarem ser limpos. A região também tem sistema de monitoramento de fluxo de pessoas, estações interativas de informações turística conectadas à internet e sensores que enviam notificações ao Centro de Operações Rio sobre os dados ambientais da região. Tudo visando melhorar a gestão e conservação do lugar.

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IoT é segura?

A resposta mais simples e direta para essa pergunta é sim: IoT é relativamente segura. Você provavelmente não enfrentará perdas ou danos sérios por conta de sua babá eletrônica ou termômetro inteligente.

No entanto, o fato é que tudo o que está conectado à internet pode, de alguma forma, ser hackeado – e os dispositivos de IoT não não exceção. Ou seja: as empresas precisam investir em segurança para que seus produtos não fiquem tão vulneráveis a ataques.

Um relatório da Samsung afirma que a necessidade de proteger todos os dispositivos conectados até 2020 é "crítica". O documento diz que esse tipo de tecnologia apresenta grandes oportunidades, "mas também níveis de risco que ainda não foram totalmente quantificados". Segundo a empresa, fazer investimentos é fundamental para garantir a segurança de uma nova geração de máquina e de pessoas.

Potencial para o futuro da internet das coisas

Se atualmente já existe uma porção de dispositivos de IoT, pode ter certeza: no futuro haverá muitos mais. De acordo com estudo da McKinsey, os principais campos para desenvolvimento de IoT são:

  • Humano: dispositivos "wearable" para monitorar saúde e bem-estar
  • Domicílio: controles remotos de dispositivos e sistemas de segurança instalados nos lares
  • Vendas: lojas e restaurantes terão "self-checkout" e otimização de estoques
  • Escritórios: sistemas de gerenciamento de energia e de melhora da produtividade
  • Fábricas: otimização de processos e equipamentos e melhor controle sobre o estoque
  • Veículos: carros, caminhões, navios, aviões e trens terão melhores sistemas de manutenção e serão mais eficientes. Automóveis serão autônomos
  • Cidades: espaços públicos serão monitorados para melhor controle do tráfego e do meio ambiente.

Luís Leão, da Udacity, acredita que cada vez mais os dispositivos conectados poderão aprender sobre o comportamento humano – e melhor do que nós mesmos. "Ao entender como nós agimos, eles podem direcionar nossos esforços para o que realmente importa – removendo tarefas repetitivas das nossas mãos, por exemplo", afirma.

Segundo ele, no futuro, as pessoas sempre terão aquilo que elas precisam no momento certo. Afinal, a internet das coisas permite que os dispositivos prevejam necessidades e se organizem para que elas sejam atendidas no momento apropriado – desde chamar um carro para te levar a um compromisso até fazer compras de supermercado automaticamente.

"O importante é ultrapassarmos a discussão da automação residencial, muito comum quando se fala em IoT, e chegarmos no que podemos chamar de 'inteligência residencial'. A casa passa a ser um computador e atua como algo mais inteligente e proativo", prevê Leão.

No campo da indústria, a conectividade dos equipamentos trará mais eficiência. "As máquinas podem indicar a necessidade de manutenção e adequar uma janela para que esse procedimento não interfira na produção", explica ele. "Além disso, a automação das fábricas pode antever demanda e organizar a produção automaticamente."

Entenda como internet das coisas, carros autônomos e cidades inteligentes se conectam

Udacity, IoT e você

O Content Developer da Udacity Luís Leão afirma que o ponto mais importante da IoT não é o dispositivo em si, mas sim a inteligência presente nesse tipo de tecnologia. É ela que permite utilizar o poder computacional disponível na nuvem para gerar grandes massas de dados e, por meio do aprendizado de máquina (machine learning), consegue transformar todo esse volume de dados em informação.

"A Udacity oferece programas que focam desde a análise de dados e se aprofundam ainda mais, até chegarmos em aprendizado de máquina, inteligência artificial, deep learning e carros autônomos", explica Luís Leão. "O fundamental não é pensar no dispositivo primeiro, mas no serviço como um todo, em como ele será utilizado pelo consumidor, quais dados serão gerados e qual o aprendizado ele terá com esses dados", diz.

Portanto, se você quer atuar no campo de internet das coisas, é fundamental dominar os conhecimentos oferecidos pelos cursos da Udacity para poder participar da criação de dispositivos com alto valor agregado. Já escolheu por onde começar?

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.