12 de set de 2018

O que é Material Design, a linguagem de design do Google

Udacity Brasil

Criar um aplicativo não é uma tarefa fácil. É necessário ter conhecimentos de programação para garantir que todos os recursos que você pretende dar a seus usuários funcionem sem problemas e de maneira rápida. Mas programar é apenas uma parte do trabalho.

Num mercado cada vez mais saturado de apps, é necessário dar à sua criação um aspecto visual que não seja apenas agradável, mas que ajude seus usuários a aproveitarem ao máximo sem precisar ficar procurando muito tempo pelo recurso que querem.

Ou seja, além de ser um bom programador, você também precisa conhecer um pouco de design. São duas habilidades complexas e que poucos profissionais podem afirmar que dominam.

Se você sabe programar e precisa de uma ajuda com a parte visual e de usabilidade, no entanto, o Google tem algo para facilitar o caminho. Trata-se do Material Design, que é basicamente um conjunto de diretrizes de design da empresa para a criação de sites e apps.

Você pode pensar nele como uma espécie de “guia de design do Google”, mas isso na verdade não conta toda a história. O Material Design é uma espécie de guia de criação e usabilidade para profissionais que não estão necessariamente acostumados a pensar nessas questões.

"É uma forma de comunicar superfícies", resume Christian Robertson, designer do Google.

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O que é Material Design: entre o virtual e o material

Segundo o Google, o Material Design tem três objetivos:

  • Criar uma linguagem visual que una os princípios do bom design à tecnologia
  • Criar um sistema que unifique a experiência de usuário entre diversas plataformas
  • Permitir criatividade, inovação e expressão de marcas

De acordo com Caio Caly, consultor de UX da MJV Technology, a ideia é criar uma espécie de “linguagem visual universal”. “Quando você abre um app que usa Material Design, pode nunca tê-lo usado antes, mas já viu algo parecido em algum lugar então sabe como”, diz.

Ou seja, os apps com Material Design têm usabilidade semelhante, o que facilita o processo de aprender a usá-los.

E de olho no crescente número de novos usuários de smartphones pelo mundo, as diretrizes de design do Google também pretendem tornar os apps simples e inteligíveis mesmo para alguém que nunca tenha usado um aplicativo antes. Como isso é possível?

Para atingir essa meta, o Google se inspirou justamente no mundo material. Mesmo que você não tenha nenhuma experiência com o mundo “virtual” dos aplicativos, você já tem alguma experiência com o mundo material – então seria apenas questão de fazer essa ponte.

Entenda o que é User Experience (UX)

Isso é feito tratando os elementos visuais dos apps como se eles fossem, de fato, materiais. Por exemplo: você está usando um app e surge uma janela em cima da sua janela atual. Essa janela provavelmente terá uma sombra, para indicar que ela está “em cima” de outra coisa.

Parece natural que seja assim. Tão natural que a gente até esquece que aquela janela na verdade é um elemento virtual – e não precisa ter sombra.

Especialistas do Google explicam (com papel!) como os mundos físico e digital se entrelaçam no Material Design

Outro exemplo: quando você está diante de um “carrossel” de fotos, é possível ver o cantinho das outras fotos além da imagem principal que está selecionada. Esse “cantinho” é muito importante, porque mostra ao usuário que as outras imagens estão lá, e podem ser acessadas com um gesto.

Os gestos também são importantes, porque são uma maneira que já usamos para interagir com o mundo material. Quando o usuário aprende que pode deslizar para os lados para ver outras telas, torna-se algo muito natural de se fazer: é quase como virar as páginas de um livro físico.

A metáfora do desktop

E vale destacar que essa não é uma inovação do Google, mas um pensamento recorrente no design digital. A mesa de trabalho (ou desktop) foi pensada nos anos 1970 precisamente da mesma maneira: para se parecer com uma mesa, onde é possível colocar arquivos e pastas. E até a lixeira ali do lado integra o cenário. Faz sentido, não?

A interface do Xerox, primeira empresa a aplicar a metáfora do desktop e o começo da interface de usuário como a conhecemos

As vantagens e as limitações do Material Design

Caio considera que o Material Design é um estilo “muito bem pensado” de apresentação e usabilidade. Como os aplicativos e o sistema do Google são usados por bilhões de pessoas no mundo todo, é muito importante que ele se adapte a uma grande variedade de necessidades e estilos de uso.

“Ele é meio que uma referência para tudo. Se você vai criar um aplicativo, é meio como se o Google te dissesse ‘você não precisa criar tudo do zero: usa isso aqui porque a gente sabe que funciona’”, conta.

Segundo Caio, isso torna o Material Design uma referência muito boa especialmente para quem não é designer. Se a pessoa consegue programar um aplicativo mas não sabe ao certo como fazer para melhorar sua usabilidade e seu aspecto visual, as diretrizes do Google oferecem uma série de soluções prontas.

No entanto, ele ressalta que o Material Design é apenas uma das soluções possíveis para os problemas de interface e de experiência do usuário que a maioria dos criadores de apps encontram. E embora seja uma boa solução, ele não é a única – e, na maioria das vezes, não é a melhor.

“Se você tem tempo, tem gente e tem dinheiro, vale a pena investir para criar algo que funciona melhor ainda para o seu usuário”, diz Caio. O aspecto generalista do Material Design faz com que ele seja usado com frequência mesmo quando uma solução mais específica seria melhor. Isso pode acabar colocando em risco a capacidade dos usuários de aprender.

“Se você se acostuma a ver uma caixa de texto sempre do mesmo jeito, não vai entender que tem que escrever lá quando ela for diferente”, exemplifica Caio. Embora o Google não explicite em nenhum lugar a pretensão de tornar o Material Design uma espécie de língua franca da User Experience, sua aplicabilidade e facilidade acaba criando essa possibilidade.

Por outro lado, a linguagem acaba também valorizando mais os apps e serviços que têm um estilo diferente. “Se todo mundo usa o Material [Design] e você consegue fazer algo diferente e melhor, você vai se destacar mesmo”, diz Caio.

Como usar o Material Design?

Permanece, no entanto, o fato: hoje em dia, há muita gente criando aplicativos e boa parte dessas pessoas não tem um estudo prévio em design de interfaces e experiência do usuário.

Para elas, a existência do Material Design é uma vantagem imensa. A única questão é: como começar a usá-lo?

O primeiro passo é ler sobre o tema, e nesse aspecto o Google é bastante generoso. A página do Material Design tem um grande volume de informação sobre as diretrizes e melhores práticas, incluindo explicações detalhadas sobre cada aspecto do design e vídeos que ajudam a entender como as coisas devem funcionar.

O Google tem também uma página geral sobre design que é bem interessante para quem está nessa etapa do processo. Naturalmente, ela é focada no Material Design, mas inclui exemplos de uso das diretrizes, texto sobre assuntos como acessibilidade no design e podcasts – uma boa referência para começar um mergulho no assunto.

E para quem está em busca de inspiração, há ainda o Material Design Awards, uma premiação para os serviços que usam as diretrizes de design do Google da melhor maneira. O fato de que aplicativos com funções, estilo e públicos-alvo muito diferente figurem entre os premiados ajuda a ilustrar como o Material Design pode ser amplamente aplicado.

Ao fim e ao cabo, trata-se de mais uma oportunidade para aproveitar a tecnologia para criar algo seu – possivelmente um grande negócio – e disponibilizá-lo para um enorme número de pessoas. E a combinação de cores ainda fica boa!

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.