17 de jan de 2018

Como montar um portfólio de desenvolvedor e apresentar meu trabalho?

Udacity Brasil

Imagine que você tem apenas uma chance de mostrar seu trabalho como desenvolvedor web. Qual ferramenta você escolheria para isso? Antes de tomar essa decisão, é importante ter em mente que os recrutadores esperam mais do que uma lista de projetos anexada ao currículo.

Saber montar um portfólio de desenvolvedor pode abrir as portas para uma carreira cuja demanda vai continuar superando a oferta de profissionais nos próximos anos. “O portfólio é como se você estivesse me dizendo: esse aqui sou eu e é isso que eu faço”, define Ariane Cezário, profissional especializada no recrutamento para times de tecnologia da 99 — startup brasileira de mobilidade.

Por isso, é essencial aprender quais são os principais passos para montar um portfólio que diferencie o seu trabalho. “Tem bastante oportunidade vindo por aí na área de desenvolvimento”, garante Ariane. E você não vai deixar passar, certo?

Amplie sua definição de portfólio

Para entender a importância dessa ferramenta, podemos fazer uma comparação simples: o currículo tradicional apenas descreve sua formação e experiências. O portfólio mostra o que você realmente sabe fazer.

Que tal investir na criação de um site próprio, que mostre a sua marca pessoal? Seja construindo do zero ou personalizando temas, você pode usar a página para passar uma ótima impressão não só a respeito do seu trabalho, mas também de você.

Para tal, tenha como objetivo apresentar um código limpo, uma excelente interface do usuário e um design elegante — lembrando que “elegante” não exclui elementos divertidos e cheios de personalidade.

E isso vale até para quem, no dia a dia, se dedica menos à questão visual dos projetos. “Recebo muitos portfólios de profissionais UX, UI, BX, CX e front-end, mas nunca de back-end. Seria muito legal receber um material diferente, que não fosse só um currículo, apresentando os projetos em que a pessoa mais gostou de trabalhar e como atuou neles”, sugere Ariane.

Outra dica: já pensou em enviar uma apresentação em vídeo? Essa ideia pode dar certo. “Eu acho que funciona muito bem. Eu já consigo ver, ali, algumas habilidades de comunicação do candidato. É fantástico”, avalia a recrutadora da 99.

Liste suas habilidades mais relevantes

Você já ouviu falar que os recrutadores analisam um currículo em pouco tempo? No caso do portfólio, que é uma ferramenta visual, isso pode ser até mais rápido — menos de meio segundo. “Entre o currículo e o portfólio, o segundo mostra de forma muito mais rápida e natural, para mim, se o candidato tem o que estamos procurando”, completa Ariane Cezário.

Também é importante ser o mais claro e direto possível. “Não coloque aquilo em que você só deu uma pincelada. E, principalmente para os profissionais na faixa dos 20 anos, cabe uma dica: saiba focar e se aprofundar nas bibliotecas de cada linguagem. Observo que muitos estão partindo para outra coisa antes de dominar o que começaram”, reforça.

Em um bom portfólio, com navegação direta, intuitiva e consistente, as seguintes seções não podem ficar de fora:

  • "Quem sou": faça uma breve apresentação, deixe claro quem você é, inclua certificações importantes e o tipo de trabalho que você busca. Use um tom mais pessoal e evidencie traços de personalidade que separam você da multidão;
  • "Trabalhos e Projetos": de quais projetos você mais se orgulha? Quais linguagens você realmente domina? Isso é o que deve aparecer aqui. Não se esqueça de fornecer o contexto do projeto, além dos resultados. Recrutadores não esperam ler apenas uma descrição do produto final, eles querem saber como você contribuiu;
  • "Contato": inclua formulários para facilitar o envio de mensagens, acesso ao download do seu currículo e os links para seus perfis em redes sociais.

Outra excelente prática para um portfólio de desenvolvedor é deixar que os seus clientes falem por você. Não tenha vergonha de pedir feedback e publicar depoimentos de quem conhece o seu trabalho.

Apresente um currículo curto e rico em informações

Quem já possui alguns anos de estrada deve saber selecionar informações. Destaque a sua formação e os certificados obtidos, mas inclua apenas aqueles que têm relação com os seus objetivos atuais.

Agora, se você é menos experiente, uma forma de enriquecer o portfólio é investir em projetos pessoais — como um blog em que você compartilha insights vinculados aos seus projetos — e em cursos que levam os alunos a colocar em prática o aprendizado.

Um exemplo são os programas Nanodegree da Udacity voltados para desenvolvedores. O aprendizado é baseado na execução de projetos práticos, que são revisados por especialistas renomados em cada área. Esses trabalhos podem — e devem — fazer parte do seu portfólio e do seu perfil na plataforma de colaboração GitHub. Empresas parceiras, como a 99, recebem periodicamente os currículos dos alunos da Udacity.

Seja você mesmo

Ao construir seu portfólio, pesquise sites de outros desenvolvedores, inspire-se nas referências, mas deixe o produto final com a sua cara.

Essa orientação é valiosa também em relação à veracidade das informações. Tudo o que você disser poderá ser usado — contra ou a favor de você. “Um exemplo: quando o desenvolvedor destaca no portfólio que fez um projeto sozinho, eu peço detalhes bem específicos desse job na entrevista”, explica Ariane Cezário.

Se o trabalho foi realizado com profissionais mais experientes do que você em determinado projeto, não esconda isso. A informação parcialmente correta cai facilmente por terra quando os recrutadores fazem um reference check ou um teste técnico durante a entrevista.

Portanto, seja fiel à sua personalidade e, ao mesmo tempo, fique de olho nas atitudes mais buscadas por quem está recrutando. “Independentemente do perfil, o comportamento importa, pois indica se o candidato tem adesão aos nossos valores, como ‘ser genuinamente preocupado com as pessoas’ e ‘questionar padrões’, por exemplo”, menciona.

Não subestime a importância do seu perfil no LinkedIn. “Eu não só confiro se as informações estão coerentes, mas analiso o networking e as indicações. Se a pessoa diz que é especialista em CSS, por exemplo, seleciono as três primeiras indicações dessa área e analiso os perfis em relação a cargo, experiência e qual a relação com o candidato”, especifica Ariane.

Além do LinkedIn, manter um perfil atualizado no GitHub é especialmente importante para desenvolvedores. Redes que privilegiam contribuições da comunidade e apresentam conteúdos de alta qualidade são excelentes para praticar algumas das principais habilidades exigidas pelo mercado, como:

  • Encontrar soluções para problemas cotidianos;
  • Mostrar capacidade de colaborar com projetos;
  • Demonstrar interesse em investir no próprio aprendizado, seja sozinho ou com colegas;
  • Manter uma rede saudável de relacionamentos e contatos.

Pesquise empresas e fique de olho nas tendências

Quando a 99 recebe um portfólio de desenvolvedor, o profissional é analisado pelas especialidades apresentadas no documento e também pelas empresas em que já trabalhou. “O fato de o profissional vir de uma grande corporação ou de uma startup vai fazer diferença na adaptação em relação ao fit cultural e ao time”, explica.

Por isso, tenha em mente as organizações nas quais você gostaria de trabalhar. Pesquise sobre elas e destaque, no portfólio, como seu trabalho pode ajudá-las a atingir seus objetivos. “Hoje, os desenvolvedores chegam muito mais bem preparados do que em qualquer outra unidade de negócios. Eles não vêm focados apenas no salário, querem saber como a empresa realiza sua missão e como pretende crescer, o que é bem bacana”, resume Ariane Cezário.

Outro fator destacado por ela é a necessidade de demonstrar duas características: versatilidade e visão macro, ou seja, estar atento à estratégia do setor e ao que está por vir. Na visão dela, o mercado está muito favorável, com destaque para as tecnologias relacionadas a áreas como data science, data engineer, machine learning e deep learning.

“Aquela ideia de que o desenvolvedor será contratado exclusivamente para ‘codar’ não funciona mais. Desejamos conhecimento aprofundado, mas também flexibilidade para se adaptar a um novo contexto, quando necessário”, conclui a especialista em times de tecnologia.

O objetivo de seu portfólio de desenvolvedor deve ser o de criar uma presença online única. Ao mesmo tempo em que demonstra a profundidade e a amplitude de suas habilidades, a apresentação deve dar a potenciais empregadores e clientes um gostinho de como seria trabalhar com você. E fique atento: seu portfólio deve evoluir junto com você. Não se esqueça de mantê-lo atualizado!

Pronto para criar um portfólio que chamará a atenção dos recrutadores? Caso queira começar a desenvolver projetos, conheça o programa Nanodegree Desenvolvedor Front-End da Udacity!

Crédito da imagem: 99

Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.