O que é BI? Entenda o que é Business Intelligence

Udacity Brasil
23 de mai de 2018

Business Intelligence (BI) é uma técnica de coleta, organização, análise e visualização de dados que se popularizou entre as grandes empresas nos últimos anos. Por meio do levantamento de dados brutos, o BI traduz a sequência dos elementos desestruturados em informações organizadas para simplificar a visualização de outras pessoas em um negócio.

Trata-se de um processo comumente utilizado para compreender, sob a perspectiva mercadológica, o comportamento dos consumidores que já nascem online e se comunicam de forma ativa, dinâmica e rápida no mundo virtual. A inteligência de negócios proporcionada pela técnica tem trazido inovação ao universo empresarial.

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O que é BI

O termo Business Intelligence (BI) significa inteligência de negócios e BI é um conjunto de técnicas e conceitos baseados na coleta e organização de dados.

As ferramentas utilizadas pelo BI – que são diversas e incluem PowerBI, da Microsoft, Business Intelligence 12c, da Oracle, e Watson Analytics, da IBM – ajudam a traçar pesquisas e facilitar a tomada de decisão de gerentes na gestão empresarial, o que explica sua popularização generalizada nos últimos tempos.

A demanda de empresas tem feito crescer este mercado. Segundo a Revelo, uma plataforma de recrutamento online especializada em tecnologia, o número de candidatos entrevistados para vagas de BI no Brasil cresceu 40% mais rápido do que em todas as outras carreiras ao longo do último ano.

As técnicas de BI auxiliam o progresso das empresas, conduzindo a uma reestruturação dos processos organizacionais. Isso porque, com as informações obtidas a partir da análise de BI, é possível estabelecer padrões e prever tendências, o que permite a antecipação de situações.

Funciona da seguinte maneira: as ferramentas acessam os conjuntos de dados coletados e após a transformação, decodificação e interpretação por parte do analista de BI, as descobertas processadas são apresentadas nos formatos de gráficos, mapas, resumos e/ou relatórios.

Com as informações analisadas em mãos, compartilha-se o material visualizado com outras pessoas da empresa e monitorar a evolução do processo. Em seguida, são encaminhadas como suporte para a tomada de decisões e tornar o negócio mais "inteligente".

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O conceito de Business Intelligence

Para entender o que é Business Intelligence, é preciso voltar um pouco às origens: o conceito surgiu a partir do momento em que era possível ter acesso a bancos de dados – ou seja, a interações feitas em um dado período de tempo para cada ação.

Por exemplo, em um banco de dados, há as seguintes informações isoladas: usuário A comprou o produto 1 na data XX/YY/ZZZZ; usuário B comprou o produto 2 na data FF/GG/HHHH. Com esses dados, o analista de BI faz uso das interfaces visuais para simplificar de forma mais completa a visualização dos dados individualizados.

Em uma tabela – e pode ser mesmo numa planilha do clássico Excel – tudo fica mais fácil de visualizar, pois a ferramenta organiza as informações coletadas que antes estavam dispersas, individualizadas e codificadas na forma bruta. A interpretação e a organização dos dados é melhor compreendida do que uma série de dados lançados sem sistematização nenhuma.

Com a tradução do dado bruto para o didatismo da tabela de informações, é possível trabalhar na análise dos dados para que sejam geradas informações para auxiliar a tomada de decisão pelos gestores da empresa.

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Para que serve BI?

Após sabermos o que significa BI, vamos ao objetivo principal: afinal, para que serve BI? A meta primária da técnica é dar suporte à gerência empresarial para a definição inteligente e embasada por dados de estratégias de negócio. Ao analisar um relatório desenvolvido por um analista de business intelligence, um gestor deve ser capaz de rapidamente ter a visão completa da empresa para a qual trabalha.

Por ser uma solução de otimização empresarial, o BI serve para munir um gestor de evidências fundamentadas de dados que foram previamente organizados, interpretados, traduzidos e analisados por um especialista.

E mesmo após a apresentação dos relatórios, o trabalho de monitoramento deve continuar sendo feito pelo analista de BI: após a tomada de decisão, os resultados práticos vão determinar se o planejamento elaborado pelo analista de business intelligence necessita de ajustes ou não.

Para isto, é preciso que o especialista tenha sempre em mente a importância de medir constantemente o desempenho passado e, se necessário, realizar novos cruzamentos de dados para efeitos comparativos na realização de prognósticos.

Com o Business Intelligence, é possível, por exemplo, fazer uma comparação sofisticada entre os resultados financeiros obtidos com os indicadores diagnosticados no mesmo período do ano anterior – e isso é valioso para uma infinidade de empresas.

Exemplos de uso de Business Intelligence

Agora que já falamos sobre o que é Business Intelligence e para que serve, vamos ao uso prático. Como atua o analista de BI e de que forma técnica é usada profissionalmente?

Também chamado de analista de inteligência de negócios, o profissional de BI pode se integrar a diversas áreas. As principais são recursos humanos, marketing, estatística, financeiro e contabilidade.

Logística

Imagine que uma empresa, por exemplo, resolve otimizar melhor sua cadeia de produção. Supondo que essa busca tenha sido motivada por atrasos, é possível afirmar que o negócio vai necessitar de ferramentas de BI para detectar e determinar eventuais falhas no processo anterior a fim de administrar, com estratégias embasadas de evidências, os caminhos menos arriscados para melhorar a cadeia.

Neste caso, os recursos de Business Intelligence também servirão para identificar produtos que normalmente atrasam mais do que outros ou ainda se os modais de transportes estão envolvidos nos atrasos.

Marketing

Já no marketing, o analista de business intelligence pode mensurar uma campanha publicitária para dizer à diretoria da agência e aos demais envolvidos se deu certo ou não; ou seja, se deu retorno e visibilidade à empresa ou falhou nessa tarefa.

Para tanto, o profissional de BI que trabalha com marketing vai fazer uma pesquisa de mercado e ser o responsável por toda a aplicação mercadológica, isto é, vai estudar o concorrente e o consumidor. Nas empresas, ele pode também se tornar o encarregado de cuidar da base de dados de um cliente específico.

Por essas funções, é comum que o BI seja confundido com o mídia social. A diferença é que o analista de business intelligence trabalha como métricas e indicadores de desempenho, o que demanda conhecimentos em matemática e tecnologia, diferentemente do profissional de mídias sociais, que está focado na comunicação mais apropriada para determinado tipo de conteúdo.

O BI serve tanto como pré, quanto para o pós-campanha. Ele é o responsável por fazer estudo de mercado para entender onde a empresa deve continuar atuando. Também é feita a análise pós-campanha para checar se aquilo que foi estudado previamente de fato se concretizou ou se o planejamento foi o ideal.

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Áreas de Business Intelligence

Há três tipos básicos de analista de business intelligence: de ferramenta, web analytics e de social media.

O chamado analista de ferramenta é o técnico que faz a mineração dos dados: é ele quem procura padrões de dados em sistemas de venda.

Já o BI de web analytics vai coletar dados de páginas de e-commerce, que se baseiam em visitantes de sites. A partir deles, o analista vai montar padrões para estudar o comportamento dos usuários. Dessa maneira, é possível esmiuçar a forma como o consumidor chegou até o site, ou seja, o caminho percorrido pelo usuário.

Ao analisar quem é o usuário, o analista de BI focado em web analytics cria uma persona para a marca, identificando a qual grupo virtual esse usuário pertence. Via de regra, esse grupo virtual é parecido com o público real.

Por fim, o BI de social media está focado em analisar o comportamento das pessoas no ambiente das mídias sociais e identificar padrões dentro das redes sociais para a criação de um conteúdo atraente voltado para aquele público.

Há ferramentas específicas de monitoramento: as próprias redes sociais têm seus monitores e há muitas outras ferramentas (inclusive gratuitas) no mercado, que fornecessem dados estratégicos para avaliar a performance de uma marca ou de um serviço.

Em termos de formação, o profissional BI – como na maioria das áreas – logo constata que, quanto mais completo for, mais ele tende a ser valorizado em uma empresa.

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Ferramentas básicas de BI

Entre as ferramentas básicas de BI está o dashboard, também chamado de painel de controle ou painel de indicadores. É uma tela única onde os dados podem ser vistos em peças visuais, como gráficos de linhas, pizza e colunas, além dos semáforos.

O painel apresenta uma visão panorâmica do conjunto de dados disponíveis da empresa. Isso porque os elementos gráficos traduzem, de forma didática e autoexplicativa, todos os dados brutos em um só painel.

Entre as principais ferramentas de trabalho do analista, destacam-se três softwares de BI: Power BI (Microsoft), Tableau e QlikSense. A Tableau é considerada a melhor plataforma self-service pela Gartner,- empresa que é referência na área de BI e atua no ramo de consultoria e pesquisas em Tecnologia da Informação.

Um exemplo de pacote de ferramentas de BI gratuito é o da Microsoft (Power BI). Com um painel de dados que utiliza gateways – ou seja, pontes ou portais de ligação; é geralmente um roteador ou computador colocado entre duas redes –, é possível congregar bancos de dados de diferentes origens e consolidar no painel de bordo a partir do recorte necessário.

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Neste serviço de análise de negócios desenvolvido pela Microsoft, é possível acessar fontes de dados, organizá-los e criar relatórios interativos. Os relatórios podem se produzidos diretamente no Servidor de Relatório do Power BI, que pode ser atualizado conforme for necessário.

A análise pode ser distribuída, via nuvem e rapidamente, para os diversos atores do universo corporativos que estão interessados nos resultados.

Ter BI baseado na computação em nuvem é uma transformação importante, e é questão de pouco tempo para que data centers descentralizados se comuniquem de forma mais moderna e independente.

É por sua evidente praticidade que o BI totalmente móvel já começou a se inserir como uma forte tendência na área. A incorporação em nuvem possibilita a criação de um tipo de ferramenta que permite levar ao gestor em um dispositivo móvel como um tablet, por exemplo, todos os cenários possíveis.

Além do software Power BI, a Microsoft também oferece gratuitamente e online uma apostila de Business Intelligence, cujo download pode ser feito aqui.

O que faz um analista de Business Intelligence?

O publicitário Humberto Mota, de 24 anos, é analista de business intelligence há quatro anos em São Paulo. Graças à afinidade com matemática, o profissional atua em duas áreas: BI de social media e BI de web analytics.

Na perspectiva do marketing de conteúdo, com o qual ele atua, o BI é utilizado para medir o sucesso das estratégias digitais. Os indicadores de sucesso (chamados de KPIs, ou Key Performance Indicators) são determinados por métricas previamente estabelecidas a partir da identidade do negócio.

Tendo claro o perfil da empresa, um analista como Humberto traça qual conteúdo mais engaja com determinado público-alvo consumidor dos produtos, ajuda a fazer crescer a busca pelo consumo – ou seja, a audiência, como inscritos em canais do YouTube –, identificar padrões de comportamento, fortalecer o público cativo e atrair novos usuários, além de fazer análise pós-campanha para eventuais ajustes.

De um analista de business intelligence como ele, exige-se uma formação mista. Isto é, o profissional da área deve ter conhecimentos em tecnologia e sistemas, mas não somente – o entendimento sobre tecnologia da informação é o básico.

O profissional de BI precisa ter conhecimento sobre negócios e, na prática, mescla TI e gestão. Isso significa dizer que é fundamental o estudo básico de finanças e contabilidade.

E há bastante gente se interessando por essa possibilidade, visto que uma carreira na área de business intelligence é considerada uma das mais promissoras da década.

Um relatório publicado em 2016 pela Technavio, empresa de pesquisa e consultoria de tecnologia, aponta para uma taxa crescimento anual do mercado global de Business Intelligence em mais de 10% até 2020.

Segundo a pesquisa, três principais fatores têm despertado interesse do mercado: a disponibilidade de dados, a adoção crescente de análise de dados e a possibilidade de implantação de BI em nuvem.

Como se tornar analista de business intelligence?

Humberto diz que, para se tornar um analista de business intelligence, a primeira informação que é preciso ter em conta é: gostar de números. O profissional de BI precisa ser um tradutor e analista de tabelas, exemplifica.

“O desafio é conseguir transformar fatos, gostos, pessoas, ambientes e sociedade em número para depois saber ler esses números de volta e entender se esse retorno foi positivo ou negativo”, diz ele.

Se tivesse a chance de aconselhar uma pessoa interessada em seguir na área, Humberto daria o que considera a sugestão mais importante: estude, principalmente matemática.

O BI exige uma capacidade de interpretação muito grande e uma capacidade matemática bem específica. O analista lida muito com números, na mesma medida em que também lida com habilidades de interpretação. Essas duas capacidades são inerentes ao trabalho de um bom analista de business intelligence.

De maneira geral, a base deve ser boa em matemática, estatística e raciocínio lógico. Esse conhecimento facilita a rapidez na resolução de problemas. “Estude muita matemática financeira e analítica. Estude muito Excel. Torne o Excel a sua grande aliada, a sua ferramenta de trabalho”, orienta Humberto.

Para se encaixar no perfil, encare as ferramentas de análise – como o Google Analytics, por exemplo – como parte do trabalho de BI no dia a dia.

Para se tornar um profissional da área, é preciso também entender os tipos de ferramenta específicos de BI e aprender sobre tecnologia. Entender de linguagem de programação (mesmo não sendo programador) é interessante, assim como ter conhecimentos de marketing digital. Tudo para que possa aprender a dar mais insights em sua análise.

Além disso, explica Humberto, conhecimentos básicos de inglês são extremamente bem-vindos. “É muito bom saber pelo menos o básico em inglês. Muitos dos livros sobre business intelligence estão em inglês.”

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Cursos de Business Intelligence

Há diversas opções educacionais, presenciais e online, para a formação de um analista de inteligência de negócios – basta ter interesse e afinidade com temas diversos que ultrapassam as áreas de conhecimento mais tradicionais e saber onde estão as lacunas que você deve preencher.

Entre os cursos online gratuitos, há muitos que ensinam sobre o uso específico de determinadas ferramentas utilizadas no trabalho de um analista de business intelligence, como Google Analytics, ou conhecimentos como estatística.

Introdução à Estatística – Udacity

Ao longo de 2 meses, este curso online gratuito de estatística para iniciantes ensina como extrair significado dos dados, técnicas para a visualização de relacionamentos em dados e técnicas para compreender relações usando matemática. Saiba mais aqui!

Intro to Relational Databases – Udacity

Ao longo de 1 mês, este curso online gratuito ensina os princípios e como utilizar SQL, DB-API e outros tipos de bancos de dados. É preciso saber programar o básico em Python. Saiba mais aqui!

Caso tenha interesse em conhecer mais sobre a atuação de um analista de BI mas ainda não sabe se deseja seguir a carreira, a dica é entrar em contato mínimo com a área para entender as demandas de seu cotidiano, seja através de uma vivência com um colega de empresa ou um projeto pessoal.

Se você já tem certeza de que vale investir em BI, área da tecnologia que é hoje considerada uma das mais promissoras pela interlocução com a inteligência de mercado e data science, uma das opções é fazer cursos estruturados estes da Udacity:

Nanodegree Fundamentos de Análise de Dados

Ao longo de 3 meses, este curso ensina para iniciantes as habilidades necessárias para ter um perfil analítico e saber medir resultados, como conhecimentos de Excel, SQL e visualização de dados com Tableau. Não é preciso ter nenhuma experiência prévia. Saiba mais aqui!

Nanodegree Analista de Dados

O objetivo deste curso de 5 meses, que dispensa experiência em programação, é ensinar como utilizar dados brutos da melhor forma e desenhar, na prática, um plano de ação. O aluno aprende um conjunto de técnicas em análise de dados, a aplicação prática da teoria na criação de dashboards e a projeção dos modelos preditivos com base na comparação de desempenho.

O curso também desenvolver habilidades de tomar decisões estratégicas na gestão de negócios, antecipando tendências e analisando variáveis. Saiba mais aqui!

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