3 de mai de 2018

A inteligência artificial como artista: músicas, filmes e quadros criados por AI

Udacity Brasil

De maneira geral, os profissionais que trabalham com inteligência artificial buscam construir computadores e máquinas que consigam simular comportamentos tradicionalmente associados à inteligência humana. Pode não parecer pouco para você levantar uma xícara de chá ou decidir que aquela foto é de um gato e não de um sapo, mas acredite: foram milhões de anos até chegar aqui.

Através de machine learning, visão computacional e processamento de linguagem natural, entre diversas outras vertentes, AI, como é conhecida em sua em inglês, está avançando consistentemente numa direção que mesmo humanos não conseguem explicar direito como funciona: a criatividade.

Não é preciso se preocupar com um mundo tomado por pinturas ou sitcoms criados por inteligências artificiais: essas tecnologias ainda estão em estágio inicial e criam suas versões com base em exemplos cuidadosamente selecionados e calibrados por humanos.

"É fácil para a inteligência artificial criar algo novo que é apenas aleatório. Mas é muito difícil criar algo que é novo, inusitado e útil", resumiu John Smith, gerente de multimídia e visão da IBM Research.

Leia: O que é inteligência artificial? As perguntas mais frequentes

No entanto, ao contrário de humanos, não levam anos para aperfeiçoar seu traço ou aproveitam fins de semana para fazer outra coisa: elas avançam rapidamente em seu aprendizado.

Entre as diversas aplicações extremamente úteis de inteligência artificial, que vão de diagnósticos médicos mais rápidos e precisos a carros autônomos, certamente há espaço para momentos lúdicos – e músicas surpreendentemente boas.

Confira abaixo 6 obras criadas por sistemas de inteligência artificial – e lembre-se que você pode se capacitar para criar as próximas com os programas Nanodegree da Udacity!

Roteiro de filme

Sunspring. A palavra parece significar algo, mas não significa nada - assim como o filme de ficção científica que leva este título e foi escrito por uma rede neural alimentada com dezenas de roteiros de filmes reais, de Wall-E a O Quinto Elemento. Ela inclusive se deu um nome: Benjamin.

Apropriadamente, o elenco do curta-metragem inclui Thomas Middleditch, protagonista do seriado Silicon Valley, em que interpreta o CEO de uma startup que utiliza redes neurais. "Nada vai ser uma coisa, mas fui eu que cheguei nessa pedra com a criança e deixei os outros dois", diz ele em dado momento.

O resultado é interessante (e engraçado). Curiosos podem ler o roteiro na íntegra aqui.

Trailer de filme

Em 2016, a plataforma cognitiva IBM Watson criou o trailer do filme Morgan ao analisar aspectos visuais e sonoros e a composição de centenas de outros trailers de filmes de terror. Com essa informação em seu sistema, Watson selecionou as cenas que julgou serem melhores para este propósito a partir do filme completo e editores humanos fizeram o processo de juntá-las.

Música

Ao utiliar o TensorFlow, uma biblioteca de machine learning de código aberto criada pelo Google, a equipe do MusicVAE criou um modelo de machine learning que oferece "paletas de sons" para músicos que querem explorar e misturar diferentes sonoridades.

Para divulgar a ferramenta, o grupo fez com que o modelo misturasse duas melodias diferentes. O efeito é bastante agradável:

Outra obra musical de AI é o álbum Coditany of Timeness, da "banda" DADABOTS, criado por um software de deep learning que analisou e processou um álbum de metal e imitou seu estilo.

Pintura

Em 2016, uma nova obra de Rembrandt van Rijn, um dos artistas mais famosos da história e morto há mais de quatro séculos, foi anunciada. Era, na verdade, um projeto artístico: uma peça feita via impressão 3D criada por um sistema de inteligência artificial que passou 18 meses analisando 346 pinturas do mestre e 150 gigabytes de dados.

Tudo que aparece no quadro, um retrato de um homem branco vestido com roupas pretas de época, está de acordo com o estilo de Rembrandt – inclusive a textura das pinceladas, copiada com cuidado pela impressora.

Embora seja convincente, aos olhos dos experts a pintura logo se entrega. A expectativa dos criadores do projeto é que a técnica possa evoluir para ajudar a reparar e restaurar verdadeiras obras de arte.

A arte pela arte?

O bom humor da equipe do Google é famoso e, aliado a uma vontade de não deixar nada ser desperdiçado, surgiu o projeto aberto Deep Dream, que aumenta os erros de reconhecimento de suas redes neurais profundas para gerar vídeos cheios de efeitos psicodélicos. Os resultados não estariam deslocados num museu de arte moderna.

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