18 de mai de 2018

Com a ajuda da Udacity, este biólogo abriu uma startup no Amazonas

Udacity Brasil

Preto e dourado, o tambaqui é um peixe de água doce que pode pesar até 30 quilos e é bastante popular à mesa: das 691 mil toneladas de peixes produzidas no Brasil em 2017, mais de 300 mil eram de peixes nativos como ele.

Tantos pescados – e piscicultores – trazem possibilidades de negócio. Para o biólogo Rafael Luckwu Sousa, a ideia virou negócio durante o Nanodegree Startup Founder, que ensina os conceitos de empreendedorismo necessários para criar e evoluir uma startup.

Em suas pesquisas científicas para o mestrado na Universidade Federal do Amazonas, que termina em março de 2019, ele avalia como a densidade de estocagem afeta o estresse no tambaqui.

Após conversar com piscicultores da região e descobrir os problemas que enfrentam na produção, Rafael começou a pensar num biosensor que, através da análise de proteínas isoladas, pudesse oferecer informações sobre a saúde dos peixes.

Inspirado pelas grandes empresas que se originaram em universidade americanas, ele viu a possibilidade de aproveitar sua pesquisa e o curso de empreendedorismo da Udacity para "criar uma startup que beneficiaria muita gente”.

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Aprendendo a empreender

Para dar corpo ao projeto, Rafael fez um curso gratuito de modelagem de negócios oferecido pela incubadora Ayty. Ao final das aulas, um colega lhe indicou o catálogo da Udacity, e Rafael investiu no Nanodegree Design Sprint e no curso gratuito How to Build a Startup, ministrado pelo empreendedor Steve Blank.

Em seguida, resolveu fazer parte da primeira turma do Nanodegree Startup Founder, que começou em janeiro de 2018. O jovem fez os três meses de aula de casa, em Manaus – e no meio do caminho conseguiu até apresentar sua defesa de qualificação de mestrado e fazer o curso de Design Sprint.

Conforme o negócio foi tomando forma, ganhou um nome: Oipeixe. Trata-se de um app e um biosensor que, juntos, trabalham para identificar de forma instantânea parasitas em peixes. Com essas informações, piscicultores podem adquirir as soluções sugeridas para deixar os peixes saudáveis novamente. Todos os dados ficam guardados na nuvem e podem ser usados para ajudar na gestão de produção.

Rafael no laboratório da Universidade Federal de Manaus / Foto: acervo pessoal

Como validar a ideia é parte essencial da jornada de uma startup, Rafael levou os conhecimentos que adquiriu online para a prática em entrevistas com potenciais usuários, onde buscou confirmar “se eles realmente sentiam o problema na pele".

E para afiar seus conhecimentos de negócios, Rafael mergulhou em livros sobre o assunto, como Oportunidades Exponenciais, de H. Diamandis Peter, Value Proposition Design e Business Model Generation, ambos de Alexander Osterwalder e Yves Pigneur, referências importantes no Startup Founder.

Por enquanto, sua operação é de um homem só e o biosensor ainda está em desenvolvimento. A motivação, no entanto, está bem definida: ”Vejo uma boa oportunidade de ter a minha independência financeira e gerar oportunidades de empregos e propósitos de vida para outras pessoas.”

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Premiado em São Paulo

O progresso foi tanto que a Oipeixe foi uma das 10 startups selecionadas pela Udacity para participar de um dia intenso de atividades em São Paulo, que incluiu um bootcamp ministrado pela aceleradora ACE, parceira do curso e a maior da América Latina, e um demo day na presença de investidores e aceleradoras.

Depois de fazer seu pitch para um grupo de jurados, Rafael foi escolhido como grande vencedor da noite. Em agosto, vai fazer as malas para aproveitar seu prêmio: uma semana de imersão no Vale do Silício, polo de inovação mundial, onde receberá mentoria da Udacity para desenvolvedor seu produto e visitará grandes empresas, como Tesla e Google.

De imediato, ele já tem seus próximos passos planejados. Hoje com o apoio das instituições UFAM, ILMD-Fiocruz Amazônia, Sebrae, EZscience Biotecnologia e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, ele quer entrar logo em uma aceleradora e formar sua equipe.

Empolgado, vislumbra um futuro cheio de oportunidades para um negócio que nem sonhava em existir há seis meses. A outros futuros empreendedores, ele dá um conselho: ”Se você sente que o curso pode te ajudar a chegar mais perto do seu sonho, então faça – e dê o melhor de si.”

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.