1 de jun de 2018

17 startups que usam tecnologia para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

Udacity Brasil

Qualquer um que visualize um mundo melhor no futuro certamente imagina uma sociedade mais igualitária e pacífica, além de recursos naturais mais preservados para as gerações que estão por vir. É com tudo isso que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas se preocupam.

Os ODS foram criados em 2015 e surgiram para repetir o sucesso de um plano anterior que durou 15 anos – os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – que, entre outros feitos, conseguiu diminuir pela metade a pobreza extrema no mundo.

Os novos objetivos visam ir além e melhorar a vida de todos, em todo o planeta, na tentativa de criar um bom futuro para as próximas gerações e para o meio ambiente. A ideia é que as metas sejam alcançadas até o ano de 2030.

Estes objetivos, com os quais líderes de 193 nações se comprometeram, integram uma agenda universal que visa equilibrar a prosperidade humana com a proteção do planeta.

E em tempos de hackathons até no Vaticano, era natural que a tecnologia surgisse nesse espaço.

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Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

"Estamos decididos a libertar a raça humana da tirania da pobreza e da penúria e a curar e proteger o nosso planeta", afirma a ONU na apresentação do plano. "Estamos determinados a tomar as medidas ousadas e transformadoras que são urgentemente necessárias para direcionar o mundo para um caminho sustentável e resiliente."

E não são apenas os os governos que podem se envolver com o cumprimento desses objetivos. Muitas startups estão, consciente ou inconscientemente, diretamente envolvidas com os ODS.

Isto é, elas se propõem a resolver os mesmos problemas que são apontados pela ONU como prioridade para os próximos anos. A seguir, conheça os 17 ODS da ONU e saiba como startups de todo o mundo – inclusive brasileiras – estão contribuindo para a construção de um futuro melhor.

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1. Erradicação da pobreza

Até 2030, a ONU quer reduzir pelo menos pela metade a proporção de pessoas que vivem na pobreza em todo o planeta. Para se ter ideia, até mesmo em Nova York (EUA), uma das cidades mais ricas do mundo, um a cada cinco habitantes vive na pobreza.

Foi por isso que lá surgiu o Blue Ridge Labs @ Robin Hood, organização que visa acabar com a pobreza da região apoiando startups que têm esse mesmo objetivo.

Uma das startups apoiadas pelo Blue Ridge Labs @ Robin Hood é a Propel. O objetivo da empresa é ajudar as pessoas de baixa renda a controlarem melhor suas despesas, para que o dinheiro que elas recebem do governo na forma de bolsa-auxílio não acabe tão rápido e seja usado de maneira consciente.

“Uma das minhas ambições é ajudar nossos usuários a colocar mais comida na mesa”, diz Jimmy Chen, fundador da Propel, em entrevista à Fast Company.

A startup faz isso por meio de um aplicativo que explica de maneira simples ao usuário quanto dinheiro ele ainda tem no cartão da bolsa-auxílio e ainda revela boas promoções próximas a ele, para que fique bem alimentado durante todo o mês.

2. Fome zero e agricultura sustentável

Uma das metas da ONU para os próximos anos é dobrar a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores de alimentos. Felizmente, esse também é o objetivo de algumas startups, como a FarmCrowdy, a primeira plataforma digital de crowdfunding agrícola da Nigéria.

A FarmCrowdy surgiu em 2016 e seu objetivo é conectar pequenos agricultores a investidores por meio do site ou app. Os chamados "patrocinadores agrícolas" selecionam as pequenas fazendas onde desejam investir e a Farmcrowdy usa os fundos arrecadados para pagar os agricultores, fornecer insumos e garantir suporte técnico desde o plantio até a colheita.

Ao final do ciclo, o investidor recebe um retorno sobre o montante que aplicou e os agricultores têm uma remuneração justa pelo trabalho que desenvolveram no campo.

3. Saúde e bem estar

Esse objetivo da ONU é amplo e tem várias frentes: reduzir taxas de mortalidade, acabar com epidemias, aumentar a prevenção de doenças, assegurar acesso à educação sexual, atingir a cobertura universal de saúde, apoiar o desenvolvimento de vacinas e melhorar o desenvolvimento e a formação de profissionais de saúde nos países em desenvolvimento.

É nesse último item que a startup brasileira medRoom se concentra. A empresa, idealizada em 2015, aplica a tecnologia de realidade virtual e as estratégias de gamificação para melhorar o treinamento de estudantes e profissionais da saúde.

Segundo a empresa, funciona quase como um simulador de vôo: o programa faz com que o usuário se sinta imerso na prática da saúde e ainda permite o acompanhamento do aprendizado.

“Todo nosso trabalho é focado no abismo que existe entre as aulas teóricas e práticas, oferecendo ferramentas para tornar essa transição mais eficiente e confortável”, explica Vinícius Gusmão, cofundador e CEO da medRoom, em entrevista à Exame.

4. Educação de qualidade

O quarto objetivo tem por missão assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, além de promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.

No Brasil, a startup Árvore de Livros, fundada em 2014, visa transformar a educação através do acesso à leitura e da formação de novos leitores.

A startup considera o cenário da educação no país alarmante: segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê em média apenas 1 livro ao ano e há 77 milhões de não-leitores.

Atualmente com um acervo de mais de 10 mil títulos, a Árvore de Livros é a maior plataforma de leitura para escolas da América Latina. Mas, além de ser uma biblioteca digital, a empresa também oferece serviço de apoio pedagógico completo, impactando milhares de alunos.

“Criamos uma plataforma que tem sido chamada pelos alunos de Netflix de livros da escola, na qual eles podem ler a qualquer hora e lugar", explicou o CEO da empresa João Leal, em entrevista à Udacity.

"Disponibilizamos para os professores uma série de relatórios de progresso e comportamento de leitura dos alunos para que eles saibam o que está acontecendo. Auxiliamos as escolas também com capacitação, treinamento e projetos de leitura. Tudo isso para atingirmos o nosso objetivo final, que é, no fim do dia, fazer com que os alunos leiam cada vez mais e melhor”, afirma Leal.

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5. Igualdade de gênero

Para a ONU, é imprescindível buscar a igualdade de gênero e empoderar mulheres e meninas para acabar com todas as formas de violência e discriminação de gênero.

Uma iniciativa brasileira nesse campo e que merece atenção é a PrograMaria, que joga luz sobre a disparidade de gênero no mercado da computação, ou seja, a falta de profissionais mulheres na área de tecnologia. De acordo com os dados da PrograMaria, 92,1% dos cargos nesse campo são ocupados por homens.

Para ajudar a mudar essa situação, a PrograMaria fornece conteúdo sobre o assunto em seu site – entrevistas, reportagens, tutoriais, infográficos e cursos –, visando empoderar as mulheres e inspirá-las a mudar esse quadro.

6. Água potável e saneamento

Não há futuro sem água potável. É por esse simples motivo que os ODS da ONU contemplam a gestão sustentável da água e o acesso a condições adequadas de saneamento e higiene.

No Brasil, a premiada startup Stattus4 trabalha justamente com essa temática. A empresa é especializada em identificar vazamentos de água potável e, assim, evita o desperdício desse elemento essencial para a vida.

O grande diferencial da Stattus4 é a tecnologia empregada para realizar a tarefa. Até o surgimento da empresa, o método tradicional de detecção de vazamentos era manual e pouco eficiente – dificuldade sentida na prática pelos fundadores da startup quando eles ainda trabalhavam em outra empresa do ramo.

Foi assim que o engenheiro eletrônico e matemático Antônio Oliveira, um dos sócios da startup, teve o insight de criar um "ouvido biônico", batizado de Fluid, para resolver a questão.

"Desde o início, eu e o Antônio queríamos empreender com um propósito, e com o Fluid encontramos a união perfeita entre ganhar dinheiro e fazer a diferença. O nosso objetivo hoje é acabar com o problema de água no mundo. É isso que nos move todos os dias", afirma em entrevista à Udacity Marília Lara, CMO e sócia da empresa.

O sistema da Stattus4 utiliza a tecnologia de microssensores de vibração de pressão (MEMS), hardware conectado em larga escala, processamento de sinais (via computação musical) e classificação de dados (através de machine learning e ceep Learning).

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7. Energia limpa e acessível

O mundo ainda tem muito o que avançar quando o assunto é energia. É preciso ampliar o uso de fontes limpas de energia e garantir um preço acessível para que todos tenham acesso a elas.

Essa é a missão da Kite Power Systems. A startup criou a primeira central elétrica do mundo movida por paraglides. Seu fundador, Simon Heyes, crê que essa será uma boa solução de energia para o futuro.

O paraglide voa de 8 a 450 metros, puxando uma corda que gira uma turbina e, assim, produz eletricidade apenas com a força do vento. O projeto ainda está em desenvolvimento, mas é promissor.

8. Trabalho decente e crescimento econômico

O oitavo objetivo definido pela ONU prevê um crescimento econômico inclusivo e sustentável, assim como emprego pleno e trabalho decente para todos.

A Kunla, startup brasileira de impacto social fundada em 2017, se encaixa nesse ODS. Trata-se de uma plataforma de seleção de candidatos para vagas operacionais.

Por meio de simples aplicativo de comunicação, ela faz duas boas ações ao mesmo tempo: torna as vagas de emprego conhecidas em regiões periféricas (onde a população dificilmente teria acesso a elas) e também transforma mães que ficariam em casa apenas cuidando dos filhos em recrutadoras de mão de obra, empoderando-as e ajudando na geração de renda.

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9. Indústria, inovação e infraestrutura

A construção de infraestruturas resilientes, o incentivo à inovação e a promoção da industrialização sustentável fazem parte do nono ODS da ONU.

Uma startup que se alinha a esses princípios é a alemã Additive Works, que se autodenomina "a empresa de soluções do amanhã" e tem a missão de tornar o processo de impressão 3D mais eficiente e barato.

A solução proposta é o software batizado de “Amphyon”, que envolve um sistema de quatro etapas chamado de Princípio ASAP (Assessment, Simulation, Adaption, Process) e que promete revolucionar a impressão 3D.

A conta é simples: ao imprimir peças sob medida a preços competitivos, a produção será totalmente utilizada e evita-se o desperdício.

10. Redução das desigualdades

O objetivo é que até 2030 aconteça intenso empoderamento e promoção da inclusão social, econômica e política de todas as pessoas, independentemente da idade, gênero, deficiência, raça, etnia, origem, religião ou condição econômica.

A TechEquity Collaborative é exemplo de startup que segue esse ODS. A empresa, sem fins lucrativos, foi fundada em São Francisco, nos EUA, e quer acabar com a gentrificação – processo de revitalização de centros urbanos que acaba por repelir os moradores menos favorecidos da região e atrair camadas mais ricas da sociedade.

Com intenso uso da internet para comunicação, o foco da empresa é fazer advocacy, ou seja, falar sobre o assunto e dar suporte a outras organizações que têm ações voltadas às comunidades afetadas.

A própria São Francisco, que fica próxima ao Vale do Silício, é um exemplo dessa necessidade: nos últimos oito anos, o aluguel médio subiu quase 50%.

11. Cidades e comunidades sustentáveis

Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros e sustentáveis é mais uma proposta de ODS.

Dentro desse contexto, a startup americana Swiftera ajuda cidadãos, empresas e governos municipais a tomarem decisões para criar cidades inteligentes, levando em conta de mobilidade, lazer e planejamento urbano.

Ao fornecer imagens geoespaciais a um preço acessível, a empresa auxilia seus clientes a analisar o passado, explorar o presente e visualizar o futuro das cidades de maneira estratégica.

12. Produção e consumo responsáveis

O 12º objetivo a ser cumprido busca assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis, de modo a alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais.

A startup inglesa GoodGuide fornece informações, reviews e notas para mais de 75 mil produtos para que os consumidores possam fazer escolhas mais conscientes – tanto para a saúde como para o meio ambiente. Assim, a empresa acredita que irá impulsionar os fabricantes a fazerem produtos cada vez melhores.

O app do GoodGuide tem um leitor de código de barras: basta apontá-lo para o produto para ter as informações na palma da mão. Mais de 1 milhão de consumidores já usam o website e o app.

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13. Ação contra a mudança global do clima

A ONU reconhece a urgência de tomar medidas para combater a mudança climática e seus impactos. Dentro desse tema, a liberação de gases que contribuem para o efeito estufa é uma das grandes responsáveis pela mudança climática – e a queima de lixo faz parte dessa realidade.

Na Índia, até hoje a maior parte dos resíduos (inclusive os recicláveis) é queimada em aterros, o que prejudica muito o meio ambiente. A startup indiana Banyan Nation foi fundada para transformar esse cenário e mudar a forma como a população encara o lixo que produz.

A empresa oferece serviços gratuitos de coleta de lixo reciclável sob demanda para municípios, domicílios e empresas. Graças a uma tecnologia térmica proprietária, o processo de reciclagem de plásticos foi agilizado e ganhou eficiência no país.

14. Vida na água

Outro tópico importante para a ONU é a conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos do planeta.

Essa é a preocupação que guia o trabalho da startup americana The Ocean Cleanup, cujo objetivo não poderia ser mais nobre: livrar os oceanos de todo o lixo plástico que flutua em sua superfície.

O uso de métodos convencionais (embarcações e redes) levaria milhares de anos e seria extremamente caro para ser concluído. Mas a previsão é que o sistema desenvolvido pela startup consiga remover metade da Grande Mancha de Lixo do Pacífico – que tem 1,6 milhão de metros quadrados – em apenas 5 anos e com um custo bem menor.

A tecnologia consiste em um sistema na forma de uma barreira que flutua no oceano e é desenhado para coletar itens plásticos variados, desde detritos de apenas 1 centímetro até aqueles com dezenas de metros de comprimento.

15. Vida terrestre

Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres. Deter e reverter a degradação da terra. Frear a perda de biodiversidade. Todos esses são objetivos da ONU para os próximos anos.

Pensando nisso, a startup MyGreenWorld deseja inspirar mudanças, educação e ativismo em torno da conservação da vida selvagem.

A empresa criou um aplicativo chamado "World of the Wild", que permite ao jogador construir seu próprio santuário de vida selvagem e resgatar, alimentar e prestar assistência médica a uma variedade de animais, competir em quizzes educacionais e conhecer alguns dos as espécies mais ameaçadas do mundo. A ideia é conscientizar as crianças desde cedo sobre a importância da preservação.

16. Paz, justiças e instituições eficazes

Esse objetivo visa promover sociedades pacíficas, inclusivas e justas para todos no futuro.

No campo da justiça, pode-se destacar a Promise, startup americana que busca diminuir o número de encarceramento de pessoas pobres que não podem pagar fiança enquanto aguardam julgamento ou sentença nos Estados Unidos.

O aplicativo criado pela empresa faz o monitoramento remoto das pessoas acusadas de cometer crimes de baixo risco e, assim, oferece uma alternativa mais econômica e humanitária ao encarceramento, melhorando os resultados de longo prazo para indivíduos e comunidades. O rapper americano Jay-Z está entre os investidores da startup.

17. Parcerias e meios de implementação

O último dos ODS envolve a mobilização de recursos para países em desenvolvimento, de modo que eles possam se desenvolver de maneira sustentável.

A Endless OS é uma startup que se preocupa com isso. A empresa sabe que nos países em desenvolvimento ainda hoje pode ser difícil obter uma boa conexão de internet.

Por isso, oferece um sistema operacional para computadores com mais de cem aplicativos gratuitos e ferramentas poderosas de educação e entretenimento que não exigem uma conexão com a internet para funcionar.

As soluções são tradicionalmente voltadas para empresas e entidades governamentais, mas a empresa recentemente expandiu suas possibilidades ao lançar o Endless Mini, um pequeno computador pessoal de US$ 79 que vem com uma centena de aplicações offline, como Wikipedia, e pode utilizar televisões como monitores. Atualmente, a companhia foca nos mercado emergentes, incluindo China, México e Brasil.

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Sobre o autor
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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.