22 de ago de 2018

Pagamento digital: o que é e como funcionam os diferentes sistemas?

Udacity Brasil

Um dia, no futuro, os cartões de crédito e as cédulas de dinheiro serão relíquias expostas em prateleiras de museus – e é possível que isso aconteça antes do que você imagina. Afinal, tecnologias disruptivas vêm mudando a forma como as pessoas trabalham, se divertem, se comunicam, se locomovem e fazem suas compras.

Desde o surgimento do modelo de pagamento digital PayPal no final da década de 1990 até a recém-inaugurada loja física Amazon Go (que aboliu o uso de caixa registradora ou qualquer forma de check-out para pagar as compras), o mundo tem presenciado uma série de inovações tecnológicas que apontam para a considerável diminuição do uso do dinheiro na forma como conhecemos hoje.

No Brasil, as novidades costumam aparecer atreladas às instituições tradicionais. O Apple Pay (que funciona com iPhone, Apple Watch, iPad ou Macbook), por exemplo, já permite que clientes do banco Itaú paguem suas compras sem um cartão físico. Já o Google Pay funciona em uma série de bancos, como Banco do Brasil, Neon, Next e Bradesco – e a lista cresce.

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Uma brevíssima história do dinheiro

O dinheiro faz parte da história humana há cerca de 3 mil anos e, obviamente, assumiu diferentes formatos ao longo de tanto tempo de existência. Ou seja: a mudança é elemento natural nesse campo. Portanto, com o atual avanço da tecnologia, não daria para esperar outra coisa a não ser que o dinheiro continuasse se transformando.

Antes da criação do dinheiro, as pessoas se utilizavam de simples trocas (também chamadas de escambo) para obter aquilo que queriam. Gado, legumes e cereais eram os principais itens trocados. Mas havia também quem usasse até mesmo enormes pedras, às vezes até submersas, como o povo da pequena ilha de Yap, na Micronésia.

Foi em 600 a.C. que surgiu a primeira moeda de metal que se tem notícia, criada pelo rei Alyattes na Lídia, hoje parte da Turquia. As notas de dinheiro demoraram ainda mais aparecer: somente em 1661 d.C. sua circulação teve início. Já o jovem cartão de crédito não tem nem cem anos de existência – foi introduzido em 1946.

O passado (e o futuro) do dinheiro são tema desse pequeno documentário, feito pelos portais Quartz e RetroReport

Dinheiro no mundo digital

Em uma sociedade cada vez mais conectada, permeada por telas e imersa na realidade digital, o dinheiro vem assumindo novas formas, cada vez menos materiais. Pare e pense: quantas vezes no seu dia a dia você paga por um produto ou serviço em papel moeda? Do táxi ao e-commerce, boa parte das compras têm sido realizadas com pagamento digital.

Há pouquíssimo tempo, esse tipo de pagamento estava limitado ao uso de serviços por aplicativos ou lojas online, mas o surgimento de criptomoedas como a Bitcoin e de soluções como o Google Pay e Apple Pay hoje permitem levar o pagamento digital instantâneo também para as lojas físicas.

"Até agora, passamos por duas fases do dinheiro. No mundo analógico, tínhamos que lidar com objetos físicos e o dinheiro se movia na velocidade dos humanos. No mundo digital, o dinheiro pode ir muito além e muito mais rápido", explicou em um TEDx Neha Narula, pesquisadora e diretora do Digital Currency Initiative, no MIT Media Lab.

Ela afirma ainda que estamos prestes a entrar em uma nova fase do dinheiro. "O futuro do dinheiro é programável. Quando combinamos software e moeda, o dinheiro se torna mais do que uma unidade estática de valor. Em um mundo programável, nem sentimos mais que estamos fazendo uma transação", diz.

O pagamento sem contato com a carteira e sem troca de dinheiro material ainda está apenas começando. No futuro, é muito provável que a nova lógica do dinheiro seja largamente inserida na chamada tecnologia wearable (que você veste).

É o caso, por exemplo, da empresa inglesa bPay, que permite que seus usuários façam pagamentos utilizando simples objetos como chaves, chaveiros, pulseiras, relógios ou um adesivo que pode ser colado em qualquer item que a pessoa queira levar consigo no momento de fazer compras.

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Empreendedores e pagamento digital

Para sobreviver e prosperar no atual cenário, qualquer empreendedor que tenha um comércio físico ou virtual deve estar preparado para encarar essa nova realidade dos pagamentos.

Não se trata de uma moda passageira. É uma mudança de paradigma e quanto antes o empreendedor compreender isso, melhor. Essas mudanças vieram para ficar: já não é possível pensar de modo analógico num mundo digital.

De acordo com um relatório da consultoria Accenture, a mudança nos pagamentos ficará cada vez mais rápida e a pressão de transformação não irá diminuir com o tempo. A Accenture afirma que a geração Z (hoje composta por adolescentes e jovens adultos) representará 40% dos consumidores já no ano de 2020.

"A geração Z é naturalmente digital. Eles nunca viveram sem o Google, a Apple, o Facebook e a Amazon", diz o documento. "Sessenta e oito por cento desses consumidores estão interessados em pagamentos instantâneos de pessoa para pessoa mais do que qualquer outro grupo etário."

Apesar de parecer desafiador, o assunto do pagamento digital pode abrir um leque de oportunidades e vantagens para os donos de negócio. O PayPal, por exemplo, é uma empresa norte-americana de pagamento digital nascida em 1998 e hoje tem 244 milhões de contas ativas globalmente – 3,5 milhões no Brasil.

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A companhia oferece soluções de pagamento digital até mesmo para quem não tem uma loja online. Isto é, se o empreendedor vende produtos pelas redes sociais, e-mail ou blog, também consegue utilizar a ferramenta. No Brasil, são cerca de 150 mil parceiros de diversos portes.

"Os pagamentos digitais são o futuro do dinheiro no mundo inteiro. Olhando vinte anos à frente, a tendência é de que o papel moeda deixe de ser utilizado. Isso será inevitável", alerta Thiago Chueiri, diretor de desenvolvimento de negócios do PayPal Brasil, em entrevista à Udacity.

Chueiri afirma que os cartões de crédito continuarão a ser usados como fonte de pagamento, mas isso não exigirá mais a presença física de um cartão de plástico – e sim apenas um celular ou qualquer outro device que esteja conectado ao cartão, como computadores ou os wearables.

"Na China, 95% das pessoas pagam os produtos por meio do smartphone. Alguns países já estão às portas da digitalização total, como é o caso da Suécia e da Dinamarca", comenta o diretor da PayPal. "Os sistemas virtuais são mais fáceis de usar, mais seguros, intuitivos e democráticos".

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O PayPal funciona como uma carteira eletrônica completa, capaz de processar pagamentos e recebimentos com segurança do começo ao fim da transação. Isso representa uma mudança na maneira como as pessoas consomem produtos e serviços, tornando a vida mais fácil e segura, tanto para consumidores como para empreendedores.

A tendência é deixar tudo cada vez mais fácil. O One Touch do PayPal, por exemplo, é um sistema de checkout ultrarrápido, que dispensa a digitação de login e senha na hora da compra: basta que o cliente dê opt-in na opção (na hora de pagar). A partir daí, sempre que ele usar aquele device (seja um smartphone, um notebook, tablet ou computador), bastará clicar em "comprar".

Por trás dessas inovações estão tecnologias como inteligência artificial e data science e os profissionais que sabem trabalhar com elas. "Trabalhamos com diversos tipos de profissional, dentre os quais especialistas em engenharia computacional, inteligência artificial, gestão de fraude, machine learning, governança corporativa e atendimento ao consumidor", explica Thiago Chueiri.

Pagamento digital ao alcance de todos

O levantamento da Accenture afirma que, nessa nova era, todos podem ser comerciantes e todos os dispositivos podem se tornar um dispositivo de pagamento, da maquininha da loja mais luxuosa ao celular à vendedora de doces ambulante.

De acordo com um estudo da consultoria Capgemini, até 2020 estima-se que sejam feitas 726 bilhões de transações de pagamentos digitais em todo o mundo. Tudo isso se deve à popularização de carteiras digitais como Google Pay, por exemplo. Essa solução chegou no Brasil, ainda como Android Pay, em novembro de 2017 e o país foi o primeiro da América Latina a receber essa forma de pagamento.

Apesar de a empresa não divulgar quantas pessoas e estabelecimentos utilizam o sistema no Brasil e no mundo, o Google Pay pode ser usado em qualquer terminal de pagamento com NFC (Near Field Communication), além de diversos sites e aplicativos.

"O Google Pay facilita a vida dos clientes nas suas compras no comércio e no e-commerce/in-app. A adesão ao Google Pay está crescendo e cada vez mais pessoas se beneficiam da facilidade de pagar com ele", afirma Felipe Cunha, executivo de Google Pay para América Latina, em entrevista à Udacity.

Cunha explica ainda que os empreendedores devem saber que as transações de NFC seguem um padrão de indústria, são totalmente seguras e apresentam rapidez no atendimento. "Para aceitar o Google Pay, o lojista deve contatar seu fornecedor de pagamentos e pedir que seu equipamento tenha o NFC habilitado", diz o executivo.

Para entender a velocidade das mudanças, observe seus hábitos: quantas coisas você pagou com dinheiro essa semana pelas ruas? E com algum tipo de cartão? Agora pense em seus hábitos há cinco ou – se tiver idade suficiente! – quinze anos atrás. É provável que você conclua: melhor assim.

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Sobre o autor
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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.