Os primeiros passos para criar uma startup de sucesso

Udacity Brasil
23 de jan de 2018

Em um mercado cada vez mais dinâmico, criar uma startup tem sido a solução encontrada por muitas pessoas que querem empreender. Essas empresas emergentes têm modelos de negócio inovadores e apresentam soluções ágeis para os diferentes problemas encontrados pelos consumidores. Todavia, esse processo de criação apresenta muitos desafios, além de demandar tempo e preparação.

Para saber como criar uma startup e ser bem-sucedido, ouvimos Manoel Lemos, partner da Redpoint eventures, venture capital (empresa de capital de risco) com foco em negócios digitais, cujo objetivo é proporcionar capital, know how e suporte aos empresários. O executivo também é cofundador do Cubo Itaú, organização de fomento a startups digitais localizada em São Paulo.

Manoel e os outros partners da Redpoint, Anderson Thees e Romero Rodrigues, já realizaram mais de 130 investimentos combinados. Com base nas dicas de quem está imerso no ecossistema de empreendedorismo tecnológico no Brasil, descubra quais são os passos a serem seguidos se você deseja transformar a sua ideia em uma startup.

Encontre um problema a ser resolvido

Encontrar um campo de atuação é o primeiro passo para quem quer empreender. É imprescindível identificar no mercado uma necessidade de consumo que não está sendo bem atendida.

“Startups de sucesso vêm para resolver um problema, uma dor do consumidor ou uma ineficiência do mercado. É preciso ter clareza do que resolver e para quem. É bom se apaixonar pelo problema, até mais do que pela solução”, destaca Manoel Lemos.

No processo de identificação de um problema a ser resolvido, é preciso entender como essa questão afeta o público e, para tal, é preciso ter a dimensão de quem será atendido. Manoel ressalta que o tamanho do público-alvo de uma startup está fortemente ligado à novidade que será oferecida. Não obrigatoriamente os empreendedores devem focar em nichos muito específicos.

“Quando há um problema de um grupo de usuários, é possível que haja grupos mais inchados ou abrangentes. A Uber, por exemplo, focou em um problema quase universal. Já uma solução antifraude é real para potenciais clientes variados, mas não é para qualquer usuário. É necessário saber qual problema resolver e para quem”, acrescenta o investidor.

Manoel ressalta ainda que é essencial saber a dimensão do mercado e a relevância da solução oferecida. “Você tem de entender se aquele problema é realmente importante e quão grande é o mercado. Às vezes, o mercado é pequeno e o problema é pouco relevante, o que pode não valer a pena. Portanto, é importante descobrir quão grande é aquele problema e quantas pessoas ele atinge”, explica.

Conte com uma equipe multidisciplinar e eficiente

Ainda que o empreendedor seja capaz de conduzir os negócios de sua empresa, é importante contar com parceiros que possam agregar no desenvolvimento dessa startup. Ter o apoio de sócios capazes de auxiliar nesse processo é um importante passo para viabilizar as ideias e tornar essa empresa bem-sucedida.

“Logo na largada, você não vai querer estar sozinho. É importante que o time de fundadores esteja bem completo, com duas, três ou quatro pessoas muito alinhadas do ponto de vista do que querem construir, com estilos complementares. Haverá o fundador voltado para a visão e outros para tecnologia, comunicação e operação”, observa Manoel.

Com os perfis desejados na equipe de fundadores, a startup incrementará seu time à medida que alcançar novas etapas. Inicialmente, os novos membros devem ser pessoas ligadas ao desenvolvimento do produto ou serviço. Em sequência, a empresa poderá buscar profissionais de marketing, vendas e suporte.

Valide a solução para o problema encontrado

Uma vez que o empreendedor já identificou um problema a ser resolvido e conta com uma equipe de sócios, é necessário partir para a etapa de solução, que deve ser inovadora. O novo empreendimento somente se viabilizará quando houver a confirmação de que seu produto ou serviço está sendo bem recebido pelos consumidores.

“O próximo passo é prototipar e verificar se a ideia terá pessoas que realmente usam e que ficam satisfeitas. Isso indica que você está encontrando um mercado para atuar. É o processo de validação: você descobre se tem um produto ou não”, destaca Manoel.

Ele aponta, ainda, como validar a ideia que originou a startup: “O melhor caminho é prototipar e testar com grupos pequenos de usuários reais. Há diversas maneiras de realizar essa validação, inclusive de forma rápida e eficiente. É preciso verificar a aceitação do produto ou serviço e qual será o interesse do público na solução que você está propondo. A resposta pode ser positiva ou indicar a necessidade de ajustes”.

Ao validar seu protótipo, o empreendedor também poderá aproveitar essa etapa para entender como precificá-lo. “Logo que você começa a testar o produto, pode identificar ideias de precificação. Não é no dia zero que você descobrirá o melhor preço”, alerta o partner da Redpoint eventures.

Uma vez que a startup já souber quanto será investido em atração de usuários e quanto cobrará pelos seus serviços, os fundadores poderão ter convicção a respeito da lucratividade desse modelo de negócio. Essas respostas são importantes para o processo de atração de investidores.

Faça a captação de investimentos

A captação de investimentos para a startup é um processo que seguirá o crescimento da empresa, de acordo com um modelo conhecido como “financiamento por estágio”. Em um primeiro momento, o empreendedor pode recorrer a amigos e familiares, em um sistema conhecido como FFF (friends, family and fools), para, quando o negócio estiver bem encaminhado, buscar investidores maiores.

“Depois de captar investimentos para fazer o básico e validar a ideia, a startup já terá um pouco mais de histórico para mostrar a investidores anjos, fundos de capital semente ou aceleradoras. Assim, conseguirá dinheiro para uma etapa de 18 a 24 meses, que envolve o lançamento. Apenas em um momento seguinte, será a hora de trazer investidores profissionais para a mesa e captar um recurso maior para incrementar a equipe e poder escalar ainda mais, em uma nova fase de 18 a 24 meses. Com isso, a startup já saberá como a máquina funciona e como pisar no acelerador”, explica Manoel.

O empreendedor, portanto, deve ter em mente quanto de capital será necessário para cada estágio. Lembre-se que, depois de validar a ideia, o lançamento será a etapa para confirmar o quão boa é a solução e se, de fato, você sabe vendê-la. A partir de então, é preciso escalar a produção, a fim de que o negócio se torne cada vez mais rentável.

Criar uma startup demanda tempo, empenho e, principalmente, preparação para saber como lidar com os diferentes fatores que envolvem a implementação de uma empresa. Com a experiência de já ter auxiliado diversos novos empreendedores, Manoel ressalta que a resiliência será imprescindível nesse processo.

“É preciso se preparar para ser bastante resiliente e ter persistência. Não existe sucesso em uma startup do dia para a noite. Isso sempre foi construído no projeto de cada etapa. O ideal é procurar por smart money, ou seja, o dinheiro que vem com inteligência e know how, porque não é possível saber tudo de cara. É importante se aproximar de pessoas que já passaram por problemas similares”, aconselha.

Para estar mais preparado para tirar sua ideia do papel e transformá-la em um negócio bem-sucedido, conheça o Nanodegree Startup Founder da Udacity.

Crédito da imagem: Cubo Itaú