9 de out de 2018

Realidade aumentada: como funciona e qual é seu potencial de mercado?

Udacity Brasil

Você se lembra do Pokémon Go, que chegou aos celulares em 2016? A febre causada pelo jogo, que permitia caçar pokémons no mundo real, trouxe mais de 850 milhões de downloads, segundo a Niantic, responsável pelo jogo e cenas dignas de um filme, como uma multidão de pessoas explorando o Central Park, em Nova York, em uma frenética busca por um Vaporeon.

Além de ser o primeiro jogo oficial da série Pokémon para celulares, o Pokémon Go tinha outro recurso inovador: um sistema de realidade aumentada, que permite que os jogadores vejam os monstrinhos no cenário à sua volta e tentar capturá-los. A realidade aumentada, no entanto, vai muito além dos pokémons. A possibilidade de inserir elementos virtuais no mundo é muito promissora tanto para o mundo dos jogos e entretenimento quanto para a produtividade.

Imagine, por exemplo, se a sua área de trabalho fosse apenas uma escrivaninha vazia, mas cheia de apps e interfaces que você só podia enxergar usando um óculos especial. Se bem utilizada, essa inovação pode facilitar bastante seu dia a dia.

E por mais que a realidade aumentada já seja tema de conversa há bastante tempo e ainda não tenha chegado ao mercado de forma ampla, é bem provável que isso mude nos próximos anos. Conforme a tecnologia necessária para criar e vivenciar experiências de realidade aumentada se tornar mais barata, ela deve se popularizar até se tornar quase tão comum quanto celulares — não por acaso, é uma das apostas da Apple para dispositivos futuros.

Segundo Rogerio Lima, artista digital e fundador do estúdio Tropical Cyborg, esse momento está chegando. “Realidade aumentada não é super nova. Já existe há algum tempo, mas, assim como a realidade virtual, agora a tecnologia alcançou um estágio em que dá para levar para as massas como um produto comercial”, considera.

A Niantic continuou a trabalhar com realidade aumentada, mesmo depois que o hype passou: o vídeo acima explica em que ponto a empresa está

Assista ao webinar: As principais tecnologias em desenvolvimento no Vale do Silício

Realidade aumentada: como funciona essa tecnologia?

A realidade aumentada é parecida com a realidade virtual: nos dois casos, você pode colocar um óculos para ver o mundo de um jeito bem diferente. Mas enquanto a realidade virtual praticamente exclui todo o mundo à sua volta e te leva para outro lugar, a realidade aumentada traz elementos digitais para onde você está.

Nas palavras de Rogerio, dá para imaginar essa diferença da seguinte maneira: a realidade virtual leva você para outro lugar, enquanto a realidade aumentada traz coisas diferentes para onde você está.

Descrevendo assim, ela pode parecer meramente uma versão “light” da realidade virtual. Mas a mistura entre elementos reais e virtuais pode fazer com que o aparecimento de objetos inusitados seja ainda mais chocante. Veja, por exemplo, o vídeo que a empresa Magic Leap divulgou para mostrar as possibilidades de seu próximo óculos de realidade aumentada:

Para realizar experiências como essa, um equipamento de realidade aumentada precisa de diversos componentes. O principal deles é uma tela, pela qual a experiência poderá ser vista pelo usuário, ou duas telas, no caso de um óculos. Com duas telas, o equipamento consegue mostrar uma imagem ligeiramente diferente para cada olho, o que ajuda a dar a noção de tridimensionalidade dos objetos virtuais.

Ele também precisa de giroscópios e acelerômetros que são responsáveis por detectar quando o usuário mexe o aparelho. A informação desses sensores permite ao equipamento entender como o usuário está mexendo a cabeça (no caso de um óculos) e fazer com que as imagens virtuais se adaptem aos movimentos.

E ele precisa também de câmeras para enxergar o mundo à sua volta e conseguir projetar adequadamente as imagens nele. Nesse caso ele também pode usar uma só câmera com capacidade de “enxergar” em 3D, ou duas câmeras cujo sinal combinado lhe dê essa capacidade.

Isso porque se o equipamento quiser mostrar, por exemplo, um dinossauro em cima de uma mesa, ele precisa entender onde está a mesa. Ou, no exemplo do vídeo acima, para mostrar a baleia pulando na quadra de basquete, é necessário saber até onde vai a quadra.

Leia também: Impressão 3D: o que é e como funciona a tecnologia?

Aplicações da realidade aumentada

Assim como a realidade virtual, a realidade aumentada também parece num primeiro momento ser uma nova tecnologia voltada para games como Pokémon Go. Mas como Rogério destaca, há cada vez mais aplicações mercadológicas de realidade aumentada. Seu estúdio, por exemplo, costuma fazer experiências de realidade aumentada e virtual para eventos e fins publicitários.

Além disso, ele ressalta que já há muitas empresas incorporando realidade aumentada em seus processos. A Ford começou a usar os óculos de realidade aumentada HoloLens, da Microsoft, no processo de design de seus carros. Ele permite uma renderização tridimensional de um carro e mostra-o por meio dos óculos, sem precisar de um modelo físico.

Esse recurso é usado pela Ford durante o processo de design. Mas a loja de móveis IKEA fez uma ferramenta de realidade aumentada que chega também aos usuários finais: seu app tem um recurso que lhe permite visualizar os móveis de seu acervo no meio da sua casa. Isso ajuda a evitar que você compre um sofá que não cabe na sua sala, por exemplo. O vídeo abaixo mostra a funcionalidade:

É fácil perceber como um recurso desse tipo pode ser útil para os clientes. A Amazon viu a oportunidade e não ficou para trás: meses depois, ela apresentou um recurso semelhante, que permite ao comprador visualizar milhares de itens do seu estoque já na sua casa.

Como programar em realidade aumentada?

Segundo Rogerio, as experiências de realidade aumentada não costumam seguior o mesmo fluxo de criação que apps e softwares, porque elas dependem mais dos ambientes em que serão usadas. O processo de criação, portanto, precisa envolver o ambiente.

“Realidade aumentada na verdade é mais do que uma tecnologia, é uma experiência. Então não existe um padrão de como programar, porque depende da sua intenção”, conta. “Quando você vai programar para realidade aumentada, cada vez é diferente.”

Rogerio conta que costuma usar a Unity – que também é usada no Nanodegree Desenvolvedor Realidade Virtual – para fazer a programação das experiências. A Unity é uma “engine” de criação que também é muito usada para games e permite criar e animar objetos virtuais, inserindo-os no mundo real.

A Unity roda na linguagem C# e, embora ela tenha uma interface visual, Rogerio considera que é fundamental para quem deseja trabalhar com realidade aumentada saber pelo menos um pouco de programação. “Não precisa ser C#, mas se você já sabe que quer trabalhar com isso, pode começar com ela”, diz.

A Apple e o Google também têm suas próprias caixas de ferramentas para quem deseja programar experiências em realidade aumentada para seus celulares. A solução da Apple para os iPhones se chama ARKit, e a do Google, para Android, é o ARCore.

Caso você já queira se aventurar por esse universo, o site Digital Trends compilou uma lista de apps para iOS e Android.

O mercado de realidade aumentada: desafios e oportunidades

Ambos ARKit e ARCore têm a vantagem de permitir que desenvolvedores de realidade aumentada criem experiências que possam ser vivenciadas em dispositivos que muita gente têm. Porém, hoje em dia apenas os iPhones e celulares Android mais potentes conseguem dar a seus usuários uma experiência de realidade aumentada agradável.

Essa restrição de público, na visão de Rogerio, se tornou um dos principais obstáculos que o mercado enfrenta atualmente, que cria um mercado restrito e profissionais que ainda estão se qualificando.

“Os desenvolvedores ainda estão aprendendo o que dá para fazer, e as pessoas ainda estão aprendendo como usar. Mas quem está trabalhando com isso ainda está num estágio inicial, pesquisando. Não tem muitos caminhos desenvolvidos, regras e boas práticas."

Parte do motivo por trás disso é que, mesmo para desenvolvedores, a tecnologia ainda é pouco acessível. “Como é algo caro, tem pouca gente desenvolvendo, o que acaba em menos criações e, por isso, menos usuários”, comenta.

Segundo Rogerio, um DevKit do Magic Leap – o conjunto de equipamentos que um desenvolvedor precisa ter para criar experiências para esse óculos de realidade aumentada – custa cerca de 5.000 mil dólares.

O essencial para que a realidade aumentada se popularize, na visão dele, é que toda essa tecnologia se torne mais barata – tanto para o desenvolvedor quanto para o consumidor. “Quando estiver em qualquer mobile ou quando tiver óculos com um preço realmente acessível, aí o mercado cresce mais”, opina.

Segundo uma pesquisa recente da Markets and Markets, não deve levar muito tempo: o valor do mercado de realidade aumentada deve saltar de 11,1 bilhões de dólares em 2018 para mais de US$ 60 bilhões até 2023. A demanda virá de setores diversos, de saúde ao varejo.

Rogerio concorda com o tempo estipulado e aposta na popularização da tecnologia e de seus aparelhos. “É um caminho sem volta”, conclui.

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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.