23 de ago de 2018

Redes sociais ou mídias sociais? O que você precisa saber sobre o assunto

Udacity Brasil

Há quem diga que, se você não está em nenhuma delas, praticamente não existe no mundo atual. Embora não seja verdade, essa nova máxima tem lá sua razão de ser. Esse artigo explica como as redes sociais se tornaram o que conhecemos hoje e por que, apesar das polêmicas, é importante entendê-las e saber manuseá-las para tirar o melhor proveito.

O que você vai aprender neste artigo:

O debate atual sobre redes sociais

As redes sociais do mundo digital revolucionaram a forma como a informação circula e as pessoas se conectam. Você pode perfeitamente existir fora delas, mas possivelmente será bem menos informado e conectado que seus colegas.

As redes sociais colocam pessoas distantes com interesses em comum em contato, facilitam a mobilização em torno de pautas sociais, podem tornar famosos pequenos negócios digitais, permitem encontrar vagas de emprego e começar relacionamentos amorosos. De acordo com uma pesquisa do Instituto Nielsen, as pessoas hoje passam mais tempo em redes sociais do que em qualquer outro tipo de site da internet. Há quase 1,5 bilhão de pessoas conectadas ao Facebook, segundo a empresa, que é por enquanto a mais popular entre as redes sociais existentes.

Em contrapartida, redes sociais foram mais recentemente associadas à depressão, bullying, assédio, vícios e à propagação de desinformação (as fake news) que levam à violência e consequências diversas, como debates sobre ética na tecnologia e questionamentos sobre resultados eleitorais.

Leia: Quais são as tendências do marketing digital em tempos de redes sociais?

Mas o conceito de redes sociais vai muito além da dicotomia de bem ou mal. Entender de verdade sua existência e seu funcionamento nos tempos atuais é essencial para usá-las de forma consciente, produtiva e benéfica.

O termo "redes sociais", aliás, é usado no Brasil de forma genérica para se referir ao que tecnicamente seriam as “mídias sociais”. Em inglês, a tradução “social media” (mídia social) é mais comum que “social network” (rede social). Especialistas do tema consideram, na verdade, que redes sociais são um tipo de mídia social.

Mas vamos explicar melhor:

O que é rede social

Redes sociais como conhecemos hoje são a combinação de um conceito sociológico com a tecnologia. O resultado disso foi a criação de um novo meio para a interação social.

Afinal, o que é rede social? O conceito sociológico é simples: rede social é o espaço ou estrutura que permite a interação entre atores sociais. Ou seja, as pessoas. O conceito precede a tecnologia e diz respeito a como as pessoas interagem, formam grupos, comunidades, enfim, sociedades.

É difícil estabelecer quando as primeiras "redes sociais contemporâneas" surgiram. Há quem atribua aos anos 1970 essa criação. Pois é, antes mesmo da popularização da internet – e daí você percebe por que é um conceito discutível.

Um marco mais fácil de distinguir é quando os fóruns e os bate-papos online foram criados em meados dos anos 1990. Perceba que, embora possam hoje parecer arcaicos, esses serviços já tinham em alguma medida alguns conceitos basilares das redes sociais atuais: pessoas falando simultaneamente de pontos geográficos distintos, conteúdo gerado pelos participantes e criação de perfis ou avatares pelos usuários, a fim de se conectarem com os outros.

Dali para a criação do Facebook e tudo que conhecemos hoje, passaram-se pouco mais de dez anos.

No vídeo acima, a lead global da escola de negócios da Udacity, conversa com profissionais de marketing digital

Redes sociais x mídias sociais: quais são as diferenças?

A diferença entre redes sociais x mídias sociais não é exatamente formal e uma fronteira bem tênue foi estabelecida para usar os dois conceitos de forma diferente. Mas já que ela foi posta, vamos identificar cada um deles:

Redes sociais

Se quando falamos de redes sociais nos referimos aos espaços de interação entre as pessoas (nesse caso, facilitados pela tecnologia), mídias sociais são os serviços de divulgação e compartilhamento de informações. Um detalhe importante: o conteúdo é todo gerado e compartilhado pelos usuários da mídia, sejam eles empresas, indivíduos, organizações ou coletivos.

Pense na mídia tradicional: jornais impressos, revistas, televisão. A informação parte sempre de uma mesma fonte e é entregue ao receptor – o consumidor. Nas mídias sociais, a informação vem de todos os lados – do consumidor, inclusive – e é transmitida para todos os lados. Por isso é possível afirmar categoricamente que as mídias sociais revolucionaram a forma como informações e ideias circulam pelo mundo.

Leia: Marketing digital: como as mídias tradicionais podem atrair a audiência hoje?

Mídias sociais

Uma mídia social, ao ter todo o conteúdo gerado e postado por seus usuários, pode facilitar a interação e troca de conteúdo entre eles, tornando-se assim uma rede social. Nesse sentido, pode-se dizer que rede social é uma subcategoria de mídia social.

A distinção entre mídias socias e redes sociais é relevante para marcas, por exemplo. Se em uma mídia social a prioridade é a divulgação de uma informação e fazer com que ela chegue ao maior número de pessoas possível, numa rede social a prioridade passa a ser a interação e o engajamento. Diferenciar os dois conceitos torna mais fácil estabelecer estratégias de marketing nas redes sociais. Mas vamos falar melhor sobre isso mais para frente.

Antes, talvez alguns exemplos sejam úteis para facilitar a compreensão. Abaixo, enumeramos algumas categorias de tipos de mídias sociais, inspirados em um post do Curtis Foreman, editor de conteúdo do Hootsuite– olha só, um sistema de gerenciamento de redes sociais. Ou melhor dizendo, de mídias sociais.

Essa divisão em tipos de redes sociais é feita aqui (e no post do Curtis Foreman) apenas para facilitar a compreensão do que estamos falando, mas as mídias sociais podem ser organizadas e analisadas de diversas outras formas. Como, por exemplo, uma lista com as melhores redes sociais ou com as redes sociais mais usadas no mundo.

Quais os tipos de redes sociais?

De relacionamento

Rede social é hoje praticamente sinônimo de Facebook. Um filme hollywoodiano com esse título não deixa dúvidas. O Facebook é atualmente o maior espaço de conexão entre pessoas, ao permitir a criação de comunidades temáticas (fechadas e abertas), mensagens privadas e páginas de personalidades e empresas. A rede, definitivamente, facilita o contato, seja entre indivíduos, organizações, marcas etc.

Leia: Como funciona o algoritmo de ranqueamento do Facebook hoje

Mas outras redes sociais existem com a mesma intenção, em menor proporção e mais foco: Twitter e WhatsApp, por exemplo, cumprem funções similares, com suas particularidades de uso.

Outras redes sociais têm foco específico em um tipo de relacionamento: você provavelmente já ouviu falar do Tinder, Grindr e OkCupid, cujo objetivo é promover relacionamentos amorosos ou encontros. O LinkedIn, por sua vez, mira relacionamentos puramente profissionais e é cada vez mais importante para recrutadores.

Compartilhamento de conteúdo

As redes de relacionamento são apenas um dentre os tipos de redes sociais. Outro é aquele de compartilhamento de conteúdo, formado por mídias cuja interação entre os usuários é mais restrita. Embora essa interação seja possível, ela não é o principal objetivo da mídia social em questão.

O atualmente popular Instagram é um bom exemplo. O atualmente menos popular Snapchat é outro. E há também o YouTube. Em todos eles você compartilha registros audiovisuais: casuais, profissionais, autorais, tutoriais – que seja. O objetivo é que outras pessoas acessem o seu conteúdo.

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Aqui é um exemplo bom de como as fronteiras entre mídia social e rede social são tênues: se no Facebook e no Twitter é perfeitamente possível compartilhar conteúdos como fotos e vídeos, como nas demais mídias de compartilhamento de conteúdo, plataformas como Instagram e YouTube também permitem interações entre pessoas, como nas redes sociais.

O objetivo principal de cada serviço, porém, permite fazer uma sutil distinção. Se você ou sua empresa não têm conteúdo constante para compartilhar, por exemplo, não faz sentido ter uma conta em uma mídia social de compartilhamento de conteúdo, que pode parecer defasada ou "abandonada" com o tempo.

Fóruns de discussão

Como dissemos, possivelmente o mais antigo tipo de mídia social é o fórum de discussão ou sua outra encarnação, a sala de bate-papo.

O propósito aqui é encontrar, compartilhar e debater informações, opiniões, perspectivas e ideias. São espaços ideais para lançar tópicos aleatórios e encontrar pessoas interessadas em levá-los adiantes.

Quora e Reddit talvez sejam hoje os exemplos mais populares, pelo menos no mundo ocidental (na China, por exemplo, as plataformas sociais costumam ser outras). Uma volta por qualquer um desses dois serviços te leva a debates que vão das estratégias políticas dos partidos nas eleições de 2018 a raças de pombas, passando pelo mais recente clipe da Anitta. Todos eles com um engajamento expressivo, colocações relevante e memes.

São assim ótimas fontes de pesquisa para entender comportamentos, estar antenado sobre temas da atualidade, encontrar pautas jornalísticas, interesses sociais e personagens inusitados.

Os fóruns, mais que as redes sociais, têm ainda a peculiaridade de preservar identidades, o que promove a liberdade tão manifesta de expressões, algo que tem sido bastante discutido como "bom ou ruim" nos últimos anos.

De nicho ou de interesse

O objetivo aqui é conectar pessoas em torno de um interesse em particular. Seja ele cinema, literatura, música, política, entre muitos outros temas.

A graça é que, diferentemente de uma comunidade do Facebook que faz a mesma coisa (você pode participar de um grupo dedicado a discutir futebol, ou a discutir gibis da Mônica), essas redes sociais têm outros recursos específicos para o tema em questão.

O goodreads, por exemplo, permite dar notas aos livros que você já leu, criar listas de títulos que pretende ler, receber sugestões de leituras, dar sugestões de leitura e comentar nas escolhas de seus contatos. O Letterbox e o Last.fm têm recursos semelhantes, mas para filmes e música, respectivamente.

De avaliação por consumidores

O nome é bem autoexplicativo: são os sites usados para avaliar restaurantes, hotéis, lojas, produtos e serviços por aqueles com mais experiência e interesse: os consumidores.

As resenhas honestas, feitas por amadores, ajudam outros usuários a escolherem para onde ir ou o que comprar. Da mesma forma, esses aplicativos são úteis para ajudar a impulsionar negócios ou identificar clientes insatisfeitos – permitindo assim reverter crises.

Exemplos populares de mídias de avaliação por consumidores são o Yelp, o TripAdvisor e o Foursquare.

Marketing nas redes sociais

Como você pode ver, há muitos tipos de redes sociais. Aqui, foram citados alguns, mas tanto Curtis Foreman quanto outros especialistas e interessados no tema citam uns diversos outros.

Algumas dessas mídias são essenciais para o seu negócio. Outras, nem tanto. Avaliar qual mídia social é útil para você faz parte da elaboração de estratégias de marketing nas redes sociais.

Essa estratégia é feita por um profissional da área, o analista de mídias sociais ou o gerenciador de redes sociais, que lança mão também de inúmeras ferramentas de monitoramento de redes sociais para tornar seu trabalho mais eficiente e seus resultados mais interessantes.

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Basicamente, o que esse profissional vai fazer é avaliar seu negócio, suas possibilidades e seus objetivos. Depois disso, vai elaborar e aplicar estratégias para impulsioná-lo a partir das mídias sociais.

Por exemplo, essas são as algumas perguntas a serem respondidas a partir do momento em que você decide se lançar na gestão de mídias sociais:

Qual é o meu público alvo? Em que rede social ele está?

Se a escolha de mídia social se der pelo público alvo, uma marca encontrará millennials no Snapchat, enquanto que serviços para um público mais velho devem concentrar seus esforços no Facebook, Twitter ou fóruns.

Qual é a natureza do meu negócio?

Restaurantes, por exemplo, encontram um terreno fértil para postar fotos de pratos atraentes no Instagram, atraindo clientes com olho maior que a boca (no fundo, todo mundo). Já lojas de casa e decoração têm seu lugar no Pinterest – autodenominado quadro de inspirações.

Qual é o meu objetivo com a divulgação nas redes sociais?

O objetivo com a divulgação, por sua vez, é crucial para se definir que tipo de conteúdo gerar. Você pode, por exemplo, pretender gerar "brand awareness" (literalmente, consciência de marca). Ou, talvez, você queira aumentar o número de visitas em seu site. E, claro, em última instância, todo mundo quer impulsionar as vendas.

Qual é minha capacidade de produção de conteúdo e gerenciamento?

Outro ponto a se levar em consideração é sua capacidade de produção de conteúdo. Se você é um pequeno negócio com poucos recursos e sem acesso a uma equipe de produção de vídeo, pouco sentido faz pensar no YouTube como rede social para agir, por exemplo. A solução pode ser começar de forma mais simples, com posts impulsionados no Facebook e no Instagram ou com inserções inteligentes em outras mídias.

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É importante saber que uma estratégia de marketing para mídias sociais vai muito além de obter curtidas e compartilhamentos em posts. Ela tem a ver com resultados reais e perceptíveis para o seu negócio, ainda que a médio ou longo prazo.

Ela não se resume a criar conteúdos divertidos ou virais pontuais, mas a tornar isso parte de uma narrativa que faz com que uma marca ou um negócio façam parte da vida das pessoas em algum nível. E tão importante quanto tudo isso é preservar valores da empresa na hora de passar para a prática.

Criar conteúdo tendo tudo isso em mente não é fácil, ainda mais num meio tão naturalmente dinâmico. Para tanto, é necessário estar atualizado em relação às estratégias e ferramentas de gerenciamento e engajamento mais usados atualmente – e a Udacity pode te ajudar.

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.