29 de ago de 2018

Reskilling: o que é e o que significa esse termo para o sucesso das empresas?

Udacity Brasil

Sua profissão parece diferente do que foi há alguns (poucos) anos? Não é impressão. Tudo está mesmo mudando rápido demais e você não é o único a sentir essas transformações. No mundo do trabalho, assim como em todos os setores da sociedade, os avanços tecnológicos estão criando novas realidades e alterando a rotina das pessoas.

No cenário atual, ganha destaque aquele profissional que estiver melhor adaptado e mais bem preparado para encarar toda essa mudança de paradigmas que tem acontecido. No futuro, é possível que a adaptação deixe de ser uma vantagem competitiva para se tornar regra do jogo.

Atualmente, qualquer relatório ou pesquisa sobre o futuro do trabalho aponta para uma mesma direção: o reskilling. Uma palavra da língua inglesa, reskilling resume o processo de aprender novas habilidades que permitam fazer um trabalho novo – ou fazer um mesmo trabalho de maneiras diferentes.

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Reskilling para lidar com as transformações

Em um momento histórico, em que algoritmos cada vez mais inteligentes tomam decisões de maneira automatizada, robôs participam de linhas de produção e as pessoas interagem como nunca com uma porção de telas, o novo fica ultrapassado muito rapidamente. Nada permanece como era. As novidades chegam a todo instante, em velocidade acelerada.

O fato é que, para sobreviver, as empresas precisam acompanhar esse ritmo frenético. Por outro lado, elas não podem (e nem devem) substituir toda a sua antiga mão de obra por uma equipe completamente jovem e conectada, que encara a tecnologia como algo natural – até porque ela não existe ainda. É aí que entra o papel do reskilling.

Até mesmo o Fórum Econômico Mundial já reconheceu a importância do reskilling. Segundo o Fórum, à medida em que os tipos de habilidades necessárias no mercado de trabalho mudam rapidamente, os trabalhadores individuais terão que continuar aprendendo novas habilidades ao longo da vida se quiserem alcançar carreiras satisfatórias e recompensadoras.

Ainda de acordo com o Fórum Econômico Mundial, o reskilling é igualmente importante para as empresas como estratégia de requalificação e aperfeiçoamento de seus profissionais. Ele permite também que os gestores encontrem os talentos de que necessitam rapidamente e contribui com uma abordagem socialmente responsável em relação ao futuro do trabalho.

Ou seja, a requalificação e a reciclagem da força de trabalho funcionam como alavancas que fomentam o crescimento econômico futuro e aumentam a resiliência da sociedade diante dos avanços tecnológicos. Mas por que isso é tão necessário?

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Reskilling e os trabalhos repaginados

Apesar da intensidade das transformações parecer inédita, não é de hoje que as profissões mudam constantemente. Onde estão as telefonistas do passado, antes indispensáveis para as chamadas telefônicas? E os datilógrafos, que manuseavam tão bem as máquinas de escrever? E os arrumadores de pinos de boliche, que faziam aquilo que um aparelho robótico hoje faz tão rapidamente?

A grande questão é que agora a tecnologia está tão avançada que as transformações são mais intensas e profundas. As posições e os cargos dentro das empresas vão naturalmente se adaptando às necessidades do momento e do mercado – e os profissionais devem estar dispostos a mudar junto.

A sociedade está caminhando para um mundo onde veículos autônomos irão tornar obsoleto, por exemplo, o trabalho de motoristas. Nesses novos tempos, médicos também já não serão tão necessários assim para interpretar exames de imagens, algo que poderá ser feito por máquinas inteligentes.

A ONG WorkingNation, que visa comunicar as atuais mudanças do mundo do trabalho e educar as pessoas sobre o assunto, produziu um vídeo que explica o que tem acontecido com os empregos.

"Há 3,3 milhões de anos a humanidade vem desenvolvendo tecnologias para tornar nossas vidas mais fáceis. Essas invenções nos tornaram mais eficientes e permitiram que não tivéssemos que fazer muito esforço para sobreviver", diz a narração do filme.

E se avanços tecnológicos como robótica, identificação por radiofrequência, computação e rede de alta velocidade ajudam a automatizar um número crescente de tarefas repetitivas, a fase em que entramos agora – graças ao maior poder computacional, algoritmos mais potentes e enorme número de dados – inclui até mesmo os empregos que exigem altas habilidades.

"Não sabemos como o futuro será, mas sabemos que milhões de pessoas terão de enfrentar transições difíceis", continua o vídeo da WorkingNation. "Estamos vivendo mais do que nunca e teremos que trocar de emprego mais vezes ao longo da vida. Precisaremos aprender novas habilidades para não ficarmos para trás."

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As principais habilidades para reskilling

Um relatório feito pela consultoria PwC e pela FGV sobre o futuro do trabalho ouviu 113 organizações de diferentes setores e concluiu que, dentro da nova lógica, as empresas buscam por um trabalhador com múltiplas habilidades e capacidades intelectuais.

Em suma, esse profissional deve usar as novas tecnologias e acompanhar seu ritmo acelerado de evolução, além de ser flexível para organizar serviços customizados, segundo informa o relatório.

Os entrevistados no estudo elencaram as principais características esperadas dos profissionais dos novos tempos. Confira alguns exemplos:

  • Uso da criatividade, da tecnologia e das potencialidades individuais
  • Capacidade de exercer liderança e habilidade na formação de equipes
  • Capacidade de exercer autonomia
  • Capacidade de colaborar ou trabalhar em equipe

Adaptação, velocidade e conexão

"Estamos vivendo um momento de enxurrada de dados, informações, novas tecnologias e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Isso exige que os profissionais interpretem e tomem decisões rapidamente. O acesso, a escala e a velocidade da informação estão mudando a forma de trabalhar", afirma Sergio Alexandre, sócio da PwC Brasil, em entrevista à Udacity.

Para Alexandre, do ponto de vista das organizações, investir em reskilling é necessário para conseguir tirar melhor proveito dos profissionais, desenvolver novos produtos e atender melhor os clientes.

"A maioria dos funcionários é digital até a porta da empresa, mas, depois dali, se torna analógico. As empresas não podem ser digitais só no discurso. Elas precisam ajudar os funcionários a serem digitais lá dentro. Esse é o movimento do reskilling hoje, para ajudar na transformação digital aplicada a novos modelos de negócios", diz ele.

Outro tema destacado por Sergio Alexandre é a questão da hierarquia. Para ele, os profissionais devem estar cada vez mais abertos e preparados para lidar com estruturas hierárquicas menos rígidas dentro das empresas, em um ambiente onde as decisões são tomadas de forma mais horizontal.

"Já vi empresa que tirou todas as salas e todos os funcionários agora trabalham juntos, em um grande espaço compartilhado. Há apenas sala para reuniões. Isso cria uma dinâmica de inovação", explica ele. Trata-se de um modelo open plan, muito frequente entre empresas que já nasceram inovadoras e digitais. No Brasil, alguns exemplos de empresas que aderiram a um ambiente de trabalho mais colaborativo e menos hierarquizado incluem multinacionais como Unilever e Alelo.

Reskilling na prática

O foco de iniciativas de reskilling pode ser entendido atualmente sob a ótica de três "lentes":

  • Habilidades de negócios: voltadas ao negócio em si, incluindo especialidades como marketing, design organizacional e finanças

  • Habilidades humanas: relacionadas a user experience (UX), relacionamento com o cliente, comunicação, pensamento crítico, adaptabilidade, solução de problemas, liderança, criatividade e inovação

  • Habilidades tecnológicas: incluem uma ampla gama de habilidades em tecnologia da informação, desde ciência de dados até a aplicação de inteligência artificial

Para que as empresas possam competir e prosperar nesta nova era, os CEOs precisam de mão de obra que possua esses três conjuntos de habilidades. Segundo a PwC, companhias que se destacam são aquelas que focam na experiência humana enquanto investem em tecnologia e atraem funcionários que funcionam bem em equipes multidisciplinares e influenciam outras pessoas na organização – que têm o talento certo no momento certo.

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As soluções de reskilling atuais, no geral, se enquadram nesses temas e são voltadas principalmente para trabalhadores com mais anos de empresa e com idade mais avançada, após os 40 ou 50 anos.

"A grande maioria das empresas tem uma média de idade alta de seus funcionários – cerca de 40 e poucos anos", afirma Alexandre. "Essas pessoas não tiveram tanta experiência com as novas tecnologias, por isso precisam do reskilling. A companhia não pode e não deve demitir todo mundo com mais de 40 ou 50 anos e contratar apenas jovens. Isso não é coerente. Os funcionários têm valor para o negócio, e por isso é importante treiná-los."

O estudo CEO Survey da PwC trouxe uma boa notícia sobre o assunto: os presidentes das companhias estão cientes da importância do reskilling. De acordo com a pesquisa, cerca de 40% dos CEOs dizem ter uma compreensão clara de como a inteligência artificial e a robótica podem melhorar a experiência do cliente, e 93% acreditam que precisam fortalecer as habilidades de seus funcionários – como trabalho em equipe e comunicação – que são complementos necessários à experiência digital.

Outro estudo da PwC, Work Force of the Future, mostrou que 74% dos funcionários afirmam estar prontos para começar a aprender novas habilidades.

Tomando a dianteira da mudança

Apesar de muitas empresas estarem apostando no reskilling de seus funcionários, o fato é que o profissional não precisa ficar esperando a companhia tomar a dianteira. Ele mesmo, ao reconhecer uma defasagem em sua formação ou perceber determinada limitação em seu background frente às inovações tecnológicas, pode buscar essa reciclagem por conta própria para alavancar a carreira.

"O primeiro passo é a pessoa saber o que quer para sua carreira e entender o que precisa fazer ou aprender para dar o próximo passo. Depois, ela deve encarar as possibilidades para preencher essa lacuna e, por fim, colocar o plano em prática", diz Sergio Alexandre, sócio da PwC Brasil. "Sempre que tiver um gap, o reskilling pode ajudar."

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.