30 de abr de 2018

Ele conquistou a matemática e abriu sua própria startup de AI

Udacity Brasil

A inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) chamou a atenção de Carlos Antunes em uma aula de sua graduação em análise e desenvolvimento de sistemas em Caxias do Sul. Passou três anos estudando o tema por conta própria até que, no início de 2017, começou o Nanodegree Deep Learning.

“Eu não pensava ainda no mercado de trabalho e foi puramente para obter conhecimentos”, lembra ele, que hoje faz um bacharelado em engenharia de computação e uma pós-graduação em ciência de dados e Big Data.

Até o fim daquele ano, no entanto, Carlos já daria aulas sobre o tema, teria cofundado sua própria startup – que atualmente oferece uma solução de inteligência artificial para empresas – e vencido o medo da matemática intensa exigida pela área.

A estrutura e os exemplos do Nanodegree foram essenciais para que ele superasse essa barreira: “aprendemos o porquê das coisas funcionarem e vemos que não tem mágica nenhuma”.

Parte da inspiração estava presente na sala de aula online. “Os professores do programa Nanodegree são especialistas renomados que praticamente criaram ou ajudaram a criar tudo que se conhece hoje como inteligência artificial."

As aplicações de deep learning

Antes de continuar, é bom esclarecer o que é o deep learning: trata-se de uma classe de algoritmos de machine learning, as chamadas redes neurais artificiais, que ganharam seu nome por basearem sua estrutura naquela do cérebro humano. As redes neurais artificiais têm seus "neurônios" organizados em camadas e, quanto mais camadas se utiliza, mais poderosas são suas inferências.

”Uma rede neural nada mais é do que um aparelho matemático desenvolvido para se calibrar até que ele dê a saída correta para uma entrada”, resume Carlos. "São funções compostas, onde a saída de uma função é a entrada de outra e assim por diante.”

Entre seus usos atuais mais populares estão aqueles que já figuram no seu bolso ou computador, como sistemas de reconhecimento de voz automáticos utilizados por Siri, Cortana e Alexa, por exemplo, e as traduções automáticas do Google Translate.

Nas aulas do Nanodegree Deep Learning, Carlos aprendeu sobre as arquiteturas mais importantes de redes neurais e criou projetos usando cada uma delas, como geradores de imagens e músicas. "No fim, saí com um portfólio excelente com aplicações que resolvem a maioria dos problemas que o mercado tem, como reconhecimento de imagem, conversação em linguagem natural, geração de textos e predições em áreas diversas”, fala.

Saiu também com uma vontade: desenvolver seus próprios algoritmos de AI para o mundo.

Uma startup de inteligência artificial

Seus novos conhecimentos sobre o assunto logo chamaram a atenção dos colegas e ele começou a apresentar cursos sobre inteligência artificial na região e integrar um projeto de iniciação científica sobre o tema.

Foi nessa época que recebeu a proposta do atual sócio para empreender e trabalhar de vez como desenvolvedor de inteligência artificial. Ao longo de 2017, a dupla, que está na fase final do registro do nome da startup, criou uma ferramenta de gerenciamento para traduzir perguntas de linguagem natural para equações matemáticas.

Pense na seguinte pergunta: "De uma torre de observação de 50 metros, um barco é avistado a um ângulo de 4° movendo-se em direção à costa. Qual a distância percorrida pelo barco, se, 5 minutos depois, o ângulo do barco é de 12°?”

Como você solucionaria esse problema? É isto que o algoritmo faz: identifica qual é a equação envolvida e monta um passo a passo para solucioná-la.

O objetivo da ferramenta vai além de resolver algumas contas aleatórias. A ideia é que clientes de uma empresa possam interagir com o bot utilizando linguagem natural e resolver uma série de dúvidas, como emissão de boletos e apresentação de produtos.

Caso a dúvida persista, o sistema funciona como uma triagem e encaminha o cliente para um operador humano, ao mesmo tempo que registra a interação e aprende aquelas novidades para um atendimento futuro.

“Para agregar mais valor ao produto, pretendemos adicionar módulos de analytics para os gestores, também em linguagem natural”, empolga-se Carlos, destacando que já há uma versão beta a caminho.

Aproveitando as oportunidades do futuro

A decisão de empreender após o Nanodegree foi impulsionada por sua vontade de criar e desenvolver algoritmos novos de inteligência artificial, mas também para aproveitar uma oportunidade nascente e que deve moldar o futuro do trabalho.

"A tendência do mercado é retirar o ser humano de trabalhos repetitivos ou de padrão identificável e colocar robôs – físicos ou virtuais – para executar estas tarefas”, explica Carlos. "Este é um nicho pouco explorado, principalmente na minha região."

Com uma equipe é enxuta (hoje são 9 pessoas), Carlos assume diversos papeis: organiza a arquitetura e o desenvolvimento de aplicações de AI do front-end ao back-end, responsabilizando-se pela interface com o usuário e pela programação em si.

Mesmo com bastante trabalho pela frente, está otimista: ele e o sócio já estão na fase de análise de dados da primeira companhia-cliente e empolgados com o rumo da tecnologia. "Hoje vejo que a inteligência artificial é o mercado do futuro – e quem sair na vanguarda vai se dar muito bem”, conclui.

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Sobre o autor
Udacity Brasil

A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.