15 de jun de 2018

Ele investiu em deep learning para fortalecer seu negócio

Udacity Brasil

Sessenta e três milhões e 290 mil. Este é o número de brasileiros atualmente com CPF restrito para fazer compras a prazo ou contratar crédito, segundo a pesquisa mais recente do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.

Filipe Guelber pensava nesse filão – agitado tanto em tempos de crise, quando credores buscam seus pagamentos, quanto em períodos de bonança, quando compras efusivas causam dívidas – na hora de fundar sua primeira startup, a mineira Bawi, que oferece soluções de deep learning para empresas que atuam no segmento de cobranças e onde ele é CEO.

“Operei por muito tempo no mercado de cobrança e via que o mercado carecia de inovação, que havia grande espaço para otimizar várias fases do processo”, lembra. “A inteligência artificial era a ferramenta ideal para oferecer essa melhoria.”

Com um plano traçado, Filipe montou uma empresa com mais de vinte pessoas e começou seu negócio. Só tinha um problema: a equipe não estava capacitada para trabalhar com esse nível de inteligência artificial (AI, na sigla em inglês). E para oferecer com sucesso um produto que utilizava a tecnologia, era preciso saber trabalhar com ela.

O jeito foi estudar. Filipe e outros quatro colaboradores se inscreveram no Nanodegree Deep Learning e montaram um grupo de estudos.

“O curso é bastante complexo e exigiu bastante”, lembra, destacando que o principal desafio de qualquer curso online é manter a disciplina do aprendizado. “Tínhamos encontros semanais para discutir uma parte do curso e éramos bastante rigorosos com quem não havia estudado. Certamente essa foi a chave para finalizarmos o curso – e é uma técnica que recomendo."

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As possibilidades do deep learning

Formado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Minas Gerais, fez carreira em tecnologia em grandes empresas e trabalhou com por três anos como Chief Technology Officer (CTO) em outra startup antes de empreender por conta própria.

O gosto por AI veio em pesquisas informais, e ele destaca as soluções inovadoras das quais a tecnologia é capaz como maior ponto de interesse. “É uma nova forma de resolver problemas, inimaginável até pouco tempo atrás.”

O deep learning em si é um ramo de AI especializado na construção de redes neurais, um tipo de modelo de machine learning inspirado no cérebro humano e organizado em dezenas, às vezes centenas de camadas. Cada uma adiciona um novo nível de complexidade e o resultado é uma ferramenta poderosa de processamento de dados.

Um exemplo desse poder é o AlphaGo, algoritmo de deep learning criado pela Google para aprender o jogo de estratégia Go, que tem um número maior de configurações do que existem átomos no universo (literalmente). Em 2016, o AlphaGo derrotou um mestre no jogo, o sul-coreano Lee Sedol, em um grande avanço para o campo de AI.

Ao empregar técnicas de deep learning, a Bawi, que já tem clientes em tempo integral, oferece maneiras de aumentar a taxa de conversão de empresas de recuperação de crédito, o que na prática se traduz como dívidas efetivamente pagas.

“Atuamos no pipeline da cobrança: na geração do lead, passando pelo engajamento e terminando na conversão”, resume Filipe. “Conseguimos selecionar quem a empresa deve cobrar da base de devedores baseado na chance de recebimento, por exemplo.”

Criando o momento certo

E se a tecnologia é por si só desafiadora, Filipe tem outros desafios, como tornar as aplicações de algo que parece futurista para muitos palpável. “Ainda é difícil explicar ao mercado como AI pode ajudar nos negócios de forma crível, sem que soe como enganação”, fala.

Outro ponto importante na hora de crescer o negócio é encontrar mão de obra qualificada. “Tive que literalmente formar todos que trabalham comigo hoje”, fala.

Por ser uma área nova, ele não tem problemas em contratar pessoas que aprendem na prática, algo que empresas de tecnologia também têm feito. “Procuro primeiramente por pessoas que tem fit cultural com a Bawi”, começa. “E tento contratar o máximo de pessoas inteligentes que conseguir, não importa a área de conhecimento ou experiência anterior.”

Pode parecer inesperado começar um negócio sem ter domínio completo da área, mas é algo comum em negócios inovadores, flexíveis e adaptáveis por natureza. "Empreender é muito mais uma sequência de erros que no final deram certo do que um modelo de sucesso linear e gradativo”, esclarece Filipe. E se isso significa formar a própria equipe com cursos, sem problemas.

Para quem cogita começar a estudar um tema novo ou apostar em uma ideia inovadora, o conselho de Filipe é simples: “O negócio é tentar. E se der medo, vai com medo mesmo”.

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Sobre o autor
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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.