4 de jul de 2018

5 startups de biotecnologia para conhecer

Udacity Brasil

Mudar nossas características genéticas. Curar doenças antes incuráveis. Mexer no genoma como se mexe em um código-fonte: essas são algumas das promessas que empresas de biotecnologia vêm fazendo nos últimos anos. E elas estão mais próximas da realidade do que você imagina.

A biotecnologia não é apenas uma área da ciência saída da ficção: trata-se de um setor de pesquisa com potencial altamente disruptivo em diversas frentes. E estamos prestes a colher os primeiros frutos das árvores plantadas por essas empresas, que vão desde novos medicamentos até novos alimentos.

Mantendo a analogia das árvores, há também uma série de companhias adubando essa área, dedicadas a pesquisar técnicas novas, mais eficientes e mais rápidas para processos que levam a esses frutos.

Abaixo, selecionamos 5 startups de biotecnologia que você precisa conhecer:

Synthego

Se você já pensou que o nosso código genético é meio parecido com as linhas de programação de um software, saiba que não foi o único. As pessoas por trás da Synthego tiveram a mesma ideia, e estão investindo na criação de plataformas que permitirão editar DNA humano da mesma maneira como hoje em dia alteramos códigos de programas.

Fundada por dois ex-engenheiros da SpaceX, a empresa diz já ter criado uma maneira de acelerar o processo de edição genética de vários meses para cerca de um mês. E mesmo com esse avanço, a Synthego considera que essa área, se comparada à computação, ainda está no patamar de algo da década de 1970.

Em entrevista à CNBC, o co-fundador da empresa, Paul Dabrowski, disse acreditar que, no futuro, poderá ser possível curar doenças genéticas tomando uma única pílula. Ele considera que o código genético é como se fosse um documento: “Nós já estamos bons em ler esse documento, mas agora vamos nos tornar proficientes para escrever nele”.

Dentre os produtos concretos que a Synthego cria para chegar até esse ponto está o ICE, um aplicativo web que permite que qualquer pesquisador faça upload de uma amostra de DNA. Feito isso, o programa consegue analisá-la em tempo real. A ICE consegue analisar até 700 amostras por vez e pode ser usada gratuitamente por pesquisadores.

Inscripta

Você já ouviu falar no CRISPR? Se não, saiba que trata-se de um avanço científico revolucionário na área da edição genética. A ferramenta é uma técnica que permite que cientistas façam edições precisas nos códigos genéticos de plantas, animais e até mesmo humanos. E a Inscripta pretende extrair todo o potencial dessa nova ferramenta.

A Inscripta produz enzimas, chamadas de nucleases, que podem ser usadas com a técnica CRISPR para tornar a edição genética mais rápida e precisa. E para produzir essas pesquisas, a startup tem duas frentes de atuação: pesquisar a utilização de enzimas já existentes ou usar engenharia genética para criar novas enzimas.

Dá para pensar da seguinte maneira: imagine que o nosso DNA é um documento de texto e o CRISPR é o software usado para abrir esse documento. O que a Inscripta faz é criar mais opções para esse software, como “copiar e colar”, “encontrar e substituir” e “correção ortográfica”, por exemplo (mas para o nosso genoma).

Além de criar essas novas ferramentas, a empresa também pesquisa maneiras de baratear e agilizar o processo de edição genética. E muitas das descobertas feitas pela Inscripta podem ser usadas por pesquisadores ou comerciais sem nenhum custo inicial.

Há bastante interesse no sucesso dessa pesquisa: no começo deste ano, a empresa recebeu um total de US$ 55,5 milhões em uma rodada de investimento. Segundo Bryan Roberts, membro do conselho de diretores da startup, trata-se de uma área tão promissora que até a velocidade impressiona: "temos experimentado em primeira mão como a capacidade e o custo do sequenciamento genético têm avançado mais rápido que a Lei de Moore".

Twist Bioscience

Com o desenvolvimento das tecnologias de edição e manipulação genética, a possibilidade de se comprar DNA está cada vez mais próxima. E a Twist Bioscience está se preparando para essa possibilidade desenvolvendo maneiras de produzir sequências de DNA em grande escala.

A ideia da empresa é criar uma espécie de “linha de montagem” de genomas. Para isso, a empresa pesquisa maneiras de miniaturizar e agilizar a edição e a síntese de cadeias genéticas. Nas palavras de sua CEO, Emily Leproust, a ideia é fazer isso de maneira tão rápida que “a clonagem vai se tornar obsoleta”.

Talvez você se pergunte: mas por que alguém compraria DNA? Na verdade, há diversos motivos para isso e o principal deles é pesquisa. Agilizando o processo de síntese de DNA, é possível dar aos cientistas muito mais capacidade de experimentação do que se este processo fosse feito de maneira lenta. Essencialmente, a Twist torna possível comprar DNA “por atacado”.

Imagine, por exemplo, que uma equipe esteja pesquisando alterações no gene de uma determinada bactéria. Com a ajuda da Twist, eles podem comprar rapidamente uma grande população dessa bactéria geneticamente modificada e estudar os efeitos dessa modificação.

Ou ainda: imagine que uma empresa crie uma levedura modificada para produzir uma substância desejável e precise de uma grande quantidade dessas leveduras. Por meio de engenharia genética em massa, a Twist consegue rapidamente produzir e vender essas leveduras.

O processo de compra de DNAs também é impressionante: a Twist tem uma plataforma online por meio da qual é possível informar o código genético que você deseja adquirir e saber, em tempo real, o preço de cada gene, como o vídeo abaixo mostra:

GW Pharmaceuticals

Como se edição genética não fosse por si só um assunto suficientemente polêmico, a GW Pharmaceuticals usa a técnica para realizar uma pesquisa ainda mais delicada. A empresa é dedicada a pesquisar medicamentos derivados da Cannabis, gênero de plantas conhecidas popularmente como “maconha”.

A companhia britânica deve lançar em breve um medicamento chamado Epidiolex, uma droga que tem como princípio ativo o cannabidiol, uma substância derivada da cannabis que não é relacionada com a droga psicoativa pela qual a planta é mais conhecida.

Segundo o The Times do Reino Unido, o Epidiolex ajuda a tratar formas raras de epilepsia que afetam principalmente crianças. Não há, até o momento, qualquer tratamento alternativo para esses problemas, e o acesso ao cannabidiol infelizmente ainda é difícil por conta de opiniões polêmicas relacionadas à planta que lhe dá origem.

A engenharia genética foi parte do que possibilitou essa descoberta: foi por meio de recursos de pesquisa como esse que a empresa conseguiu entender melhor as raízes genéticas das doenças que o remédio visa tratar.

Com base nesse entendimento, ela pode desenvolver o que pode ser o primeiro em uma nova linha de remédios anti-epiléticos, que podem ajudar os mais de 50 milhões de indivíduos afetados pela doença no mundo.

Impossible Foods

Imagine um hambúrguer suculento, cheiroso, com textura macia, que “sangra” quando é cortado ou mordido. Agora imagine um hambúrguer assim, só que vegetariano. Esse é o Impossible Burger, criação da startup Impossible Foods.

Os produtos da startup americana, antes restritos a alguns poucos locais, devem se tornar disponíveis nos mercados de lá ainda em 2018. É bem provável que, caso ela faça sucesso, ela expanda sua produção para outros países que consomem muita carne bovina, como o Brasil.

De acordo com praticamente todos os relatos da mídia estrangeira, o Impossible Burger consegue imitar perfeitamente o sabor, o cheiro e até mesmo a textura da carne bovina. Essa realização tem muito potencial de mercado: muitas pessoas que param de comer carne o fazem não porque não gostam, mas por outros motivos, como o desacordo com a produção industrial de carne. Para elas, um hambúrguer desses seria um sonho.

O segredo do sucesso do Impossible Burger para reproduzir esse sabor é um “truque” de engenharia genética e biotecnologia. Eles criaram uma levedura que produz uma substância chamada hemo, que é o conjunto de moléculas que guarda ferro na carne e é responsável por dar a ela seu sabor. O vídeo abaixo, da Wired, fala mais da empresa:

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