10 de set de 2018

Tecnologia em recursos humanos: robô da Pernod Ricard trabalha pelo WhatsApp

EXAME.com

Imagine que você esteja pensando em tirar suas férias e marcar uma viagem, mas surgiu uma dúvida sobre a data e é um sábado. Você vai ter que esperar até segunda-feira para mandar um e-mail, receber a resposta e só depois comprar suas passagens.

Até o mês passado, esse poderia ser um problema dos funcionários da Pernod Ricard. E então, Alex foi contratado no departamento de Recursos Humanos.

Ele trabalha 24 horas e nos finais de semana, sempre disponível para todos: é só mandar uma mensagem no WhatsApp. Ele pode tirar as dúvidas sobre folha de pagamento, 13º salário, despesas corporativas, capacitação e treinamento, entre outras coisas.

Sua equipe adorou. “Se cada colaborador tirar férias uma vez por ano são 450 dúvidas do tipo que o time de RH precisa responder. Isso toma tempo, que poderia se dedicar a fazer atividades que elevem o trabalho a outro patamar, de mais valor e menos operacional”, comenta Isabela Camanho, diretora de RH da Pernod Ricard Brasil.

Alex é um robô. Ele – ou Ela, pois Alex não tem gênero definido – é um programa que utiliza inteligência artificial (o famoso sistema Watson, da IBM) e a simples interface do WhatsApp para conversar com os 450 funcionários da Pernod Ricard espalhados pelo Brasil e tirar suas dúvidas diárias.

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A diretora de RH explica que foram mapeadas as perguntas comuns da área e programadas no Alex, mas que ele está aprendendo constantemente. Quando uma pergunta ainda não cadastrada é feita, eles ensinam o robô de acordo com as políticas da empresa.

O desenvolvimento e acompanhamento do Alex fica com a área sob responsabilidade de Trajano Leme, gerente de projetos da Pernod Ricard Brasil. Ele explica que as perguntas e conversas são monitoradas pela área, preservando o anonimato do funcionário que fez a pergunta.

“Escolhemos uma interface amigável, do WhatsApp, com capacidade multimídia de interação. Ele pode verbalizar, mandar áudios e vídeos, inclusive disseminar rapidamente vídeos corporativos. Nosso objetivo final é sanar as dúvidas em definitivo, ele está em etapa de aprendizado ainda, mas vamos eliminar a procura do RH para resolver essas questões”, explica ele.

Segundo Leme, eles já podem contabilizar uma economia de 60 horas de trabalho do departamento de RH e dos funcionários. Aumentando a produtividade e agilidade das interações. Contanto perguntas e respostas, já foram quase 7 mil diálogos feitos em pouco mais de um mês.

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A tecnologia em recursos humanos na prática

E a receptividade para Alex foi excelente. Os funcionários da empresas viajam muito para representar marcas e o gerente de projetos já recebeu depoimentos positivos sobre o robô. “Uma funcionária teve uma dúvida e estava no meio do sertão. Ela contou que não precisou recorrer a ninguém no escritório e resolveu de imediato seu problema”, diz.

Foi uma surpresa como a interação com o robô foi natural, sem necessidade de treinamento, e com o diálogo fluindo sem problemas. No final do processo, os funcionários chegam a agradecer Alex e se despedir.

Do lado do RH, acabou o trabalho repetitivo e constante. “Continuamos atendendo às pessoas, mas podendo agregar mais valor ao nosso trabalho”, conta a diretora.

Tudo indica que o novo colega de trabalho veio para ficar. E pode se tornar cada vez mais comum encontrá-lo em outras empresas. No Brasil, 14% dos executivos entrevistados pela Randstad planejam aumentar o nível de automação e robótica nos próximos 12 meses. Para 38% dos entrevistados, a estratégia tecnológica do empregador transforma ou tem impacto positivo no negócio.

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Pavel Kerkis, diretor da Randstad Sourceright, confirma que o uso de inteligência artificial como solução da área de Recursos Humanos já começou e que a tendência é aumentar.

“Aqui, pensamos em soluções tecnológicas para a área de RH e recrutamento. Fora do horário comercial, podemos ativar o robô para responder questões de candidatos no processo seletivo. Também podemos resolver uma antiga reclamação dos candidatos, pois podemos garantir 100% de feedback”, fala Kerkis.

Essa é apenas uma ponta. Os programas já auxiliam nos processos na triagem de currículos, análise de entrevistas em vídeo e no agendamento automático de entrevistas presenciais.

“O trabalho da inteligência artificial é apenas complementar. Tudo ainda passa por um ser humano, mas ele pode programar métricas e gerar relatórios sobre os candidatos que auxiliam na escolha”, diz ele.

No vídeo, por exemplo, o robô pode analisar as emoções e reações do candidato quando uma pergunta é feita. Segundo o diretor, se é feita uma pergunta sobre suborno, a máquina observa a reação da pessoa à situação.

A integração de novas tecnologias no cotidiano das empresas já começou. Não se surpreenda quando seu próximo recrutador ou colega de trabalho for um robô.

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Artigo originalmente publicado pela EXAME.com

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