17 de jul de 2018

Trabalhar com blockchain: conheça 3 caminhos para aproveitar a oportunidade

Udacity Brasil

Se você atuou no mercado de tecnologia de qualquer maneira nos últimos anos, já deve ter ouvido falar em blockchain. A estrutura descentralizada por trás do Bitcoin e de outras moedas virtuais tem se revelado uma das áreas mais promissoras da tecnologia, visto que tem muitas outras aplicações potenciais.

De acordo com um relatório do grupo MarketsandMarkets, o mercado global de blockchain deve crescer para 2,3 bilhões de dólares até 2021. Em 2016, foram 210 milhões de dólares. Naturalmente, o assunto tem chamado a atenção de profissionais que querem se preparar para essa nova oportunidade, sejam eles empreendedores ou desenvolvedores.

Há uma ressalva: embora esteja em crescimento, o mercado para trabalhar com blockchain ainda é relativamente pequeno. Por isso, vale a pena entender como ele funciona e o que faz um desenvolvedor de blockchain para entender como se destacar de fato.

Assista ao webinar: Blockchain: o que é e como funciona

As áreas de atuação de um profissional de blockchain

Embora o termo “desenvolvedor” seja usado de maneira meio geral, de acordo com Marison Souza, CIO e arquiteto de blockchain da startup TruBR, há três áreas distintas nas quais um profissional pode se encaixar para trabalhar com blockchain:

  • Arquitetura
  • Operação
  • Desenvolvimento

O trabalho de cada uma dessas áreas se assemelha ao de alguém nessas posições em outros setores de TI, mas com as particularidades desse mercado.

Arquiteto de blockchain

O arquiteto de blockchain é responsável por idealizar a maneira como o blockchain funcionará. Todas as questões referentes à estrutura da rede, seus nós, o tamanho dos blocos, a criptografia, enfim: todas as “regras” com base nas quais a blockchain funciona serão determinadas por esse profissional. Por isso, ele precisa ser alguém com um conhecimento profundo de infraestrutura.

Nessa capacidade, o profissional precisa ter um sólido conhecimento teórico de redes distribuídas e descentralização. De certa forma, é possível considerar que Satoshi Nakamoto, a pessoa (ou grupo de pessoas) responsável pelo artigo pioneiro que deu origem ao Bitcoin, foi o primeiro arquiteto de blockchain. No documento, ele delineia a arquitetura essencial para o funcionamento de sua moeda virtual descentralizada.

Operador de blockchain

Quando a Bitcoin foi de fato implementada, isso foi trabalho de um operador de blockchain. Se o arquiteto é quem idealiza a maneira como o blockchain funcionará, o operador é o responsável por tirar do papel aquela arquitetura.

Ele é o responsável pela implementação e pela manutenção do blockchain e nesse sentido precisa dialogar bem com o arquiteto para que a visão dos dois não tenha divergências – que, num sistema sofisticado como esse, poderia se tornar falhas fatais.

Para realizar bem seu trabalho, segundo Souza, um operador de blockchain deve ter um conhecimento pleno de Linux e entender muito bem de Docker, já que tudo no blockchain roda em containers - uma forma de organização de arquivos que permite “isolá-los” do resto do sistema.

Também por esse motivo, é desejável que ele tenha experiência com Kubernetes, o sistema de gerenciamento de containers. Conhecimento de infraestrutura de redes também é importante, e nesse sentido é bom ter experiência com Java.

Desenvolvedor de blockchain

Finalmente, o desenvolvedor de blockchain é a pessoa responsável pelo desenvolvimento de smart contracts e de outras aplicações que rodam em cima do blockchain. Se a ideia é usar blockchain para algumas das aplicações descritas acima, como armazenamento de dados ou a criação de programas e jogos que rodam em blockchain, o papel desse profissional será central aos trabalhos.

Os requisitos para um desenvolvedor de blockchain variam de acordo com o sistema em que ele trabalhará. Alguém que pretenda atuar como desenvolvedor no blockchain do Ethereum, por exemplo, precisará entender bem de Solidity, a linguagem de programação desenvolvida para a plataforma. Se a plataforma for Hyperledger, outro blockchain popular, será necessário conhecer Java, Go ou pelo menos JavaScript com Node.js.

Com relação à remuneração, Souza considera que ela fica acima da média do mercado. A TruBR, por exemplo, não costuma realizar contratações CLT, mas trabalha com profissionais em termos de pessoa jurídica ou consultoria.

Nessa competência, segundo Souza, a hora avulsa de trabalho do profissional custa de 250 a 300 reais. Para um mês fechado de 160 horas de trabalho, cobra-se de 25 mil a 30 mil reais. Em outras áreas, diz ele, um profissional não ganharia esse tanto.

Leia: Cansou de ler sobre o assunto? 8 vídeos entender Bitcoin e blockchain

O que é preciso saber para trabalhar com blockchain?

Os requisitos para trabalhar com blockchain, especificados acima para cada um desses papeis, variam conforme a área de atuação. Mas apenas atendê-los não significa que você encontrará um trabalho facilmente: no Brasil, essas vagas ainda estão abrindo.

Segundo Souza, há ainda uma falta de informação no mercado sobre o que é a tecnologia e quais as possibilidades de aplicação de blockchain. Ele diz que ainda é comum receber solicitações de empresas que querem usar blockchain apenas como um meio de aumentar a segurança de seus bancos de dados, por exemplo.

Solicitações como essa, que ficam muito aquém do potencial total do blockchain, mostram que ainda não se entende bem o que é possível de se fazer com essa tecnologia.

Por esse motivo, é importante que os profissionais dessa área saibam comunicar bem o valor que seu conhecimento pode agregar ao trabalho de uma empresa. Quem quiser atuar nesta área precisa estar preparado para encarar também esse lado do pioneirismo.

O que é blockchain? A websérie da Udacity explica. Assista aqui!

Isso gera outra situação incomum: muitas empresas grandes ainda não estão buscando profissionais para atuar com blockchain de maneira muito organizada: a falta de informação acerca da tecnologia acaba levando a empresa a buscar por profissionais de maneira equivocada e pouco eficiente.

O resultado é que, em muitos dos trabalhos com blockchain, acaba-se exigindo que o profissional realize um pouco das três tarefas descritas acima. Isso significa que, no processo de contratação, demanda-se dele o domínio completo do conhecimento necessário para atuar nas três áreas ao mesmo tempo.

Como seria de se imaginar, são poucos os profissionais capacitados para tal, o que cria uma barreira de entrada considerável no mercado de trabalho nessa área. É por esse motivo, segundo Souza, que raramente um desenvolvedor consegue arrumar um emprego em blockchain assim que sai da faculdade: normalmente, precisa já ter alguma experiência para poder encarar os diversos desafios de um cargo desse tipo.

Mesmo assim, a área deve crescer consideravelmente nos próximos anos. Assim como a ciência de dados, que cada vez mais começa a se revelar como algo valioso para muitos negócios, o blockchain deve se tornar cada vez mais cobiçado – e os profissionais interessados nessa tecnologia também.

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A Udacity, conhecida como a "Universidade do Vale do Silício", é uma plataforma online e global que conecta educação e mercado para ensinar as habilidades do futuro – de data science e marketing digital à inteligência artificial e desenvolvimento. Hoje, há mais de 7 mil alunos ativos no país e 50 mil pelo mundo.