8 de fev de 2018

Um ano de Android: a jornada de uma desenvolvedora profissional

Lara Martín

Meu nome é Lara Martín e estou escrevendo essa série de textos que narram minha jornada de aprendizado com o Android.

No primeiro artigo, falei da minha mudança brusca de carreira, migrando da biologia para a tecnologia, além dos primeiros passos em programação e meu primeiro emprego em controle de qualidade.

Agora vou continuar contando essa história, dando ênfase ao meu aprendizado e como me desenvolvi tecnicamente a ponto de virar uma desenvolvedora Android.

Como ingressei no universo da tecnologia

Neste texto, você entenderá como aprendi sobre desenvolvimento Android, desde o começo dos estudos até o domínio total da tecnologia. Espero que seja útil!

Importante ressaltar que todos os meus estudos a respeito do Android foram feitos durante meu tempo livre, pois eu tinha um emprego em tempo integral.

Passei muitos finais de semana e noites em claro estudando – e, ainda assim, não posso dizer que meus estudos acabaram. Aqui falarei sobre a época de transição de meu trabalho em controle de qualidade para desenvolvedora Android.

Leia: 7 habilidades exigidas pelo mercado de Android Developers

Android Study Jam

Tudo começou em março de 2016, quando comecei a frequentar o Android Study Jam,organizado pela Women Techmakers Berlin em parceria com o Berlindroid Android Developers Group.

Por quatro meses, nós, alunas, fizemos o curso gratuito Desenvolvimento Android para iniciantes, da Udacity. Enquanto isso, nós nos encontrávamos duas vezes ao mês para testes de controle de qualidade com instrutores voluntários da comunidade Android local.

Ao final, tínhamos que desenvolver um aplicativo simples e apresentá-lo ao resto do grupo. O meu foi escolhido entre os melhores e acabei ganhando uma bolsa de estudos para o programa Nanodegree Android Basics.

Não sabia que esse seria o prêmio. Foi uma grata surpresa!


Screenshot do meu primeiro app

Android Meetups

Logo que ingressei no Android Study Jam, começaram os encontros mensais sobre Android, organizados pela GDG Android Berlin.

Percebi que demoraria um tempo para me familiarizar com o conteúdo apresentado. Na primeira vez, não entendi nada. Na segunda, entendi um pouco. E assim as coisas seguiram.

Fazer parte desse tipo de evento ajuda a me manter atualizada a respeito das tendências, e estou sempre aprendendo conceitos que não exploraria sozinha. Além disso, participar desse grupo é muito divertido e me permite conhecer muita gente interessante.

Leia: 5 jogos de programação para você treinar suas habilidades

Programa Nanodegree Android Basics

Obviamente, continuei fazendo o curso da Udacity que havia ganho do Android Study Jam.

No primeiro curso, aprendi noções básicas de visualização, como compor um layout e algumas interações do usuário. O outro curso me ensinou a gerenciar várias telas, fragmentos e navegação no aplicativo.

Outros dois cursos vieram a seguir: um sobre fundamentos do networking e outro sobre o banco de dados do SQLite.

Tive que desenvolver vários projetos e submetê-los à avaliação dos revisores da Udacity. O maior desafio sempre foi preencher todos os requisitos adequadamente.

E ter os projetos revisados por outros desenvolvedores fez com que eu aprendesse ainda mais a respeito de cada um deles.

Terminei o programa Nanodegree em outubro.

Conferências

Minha primeira conferência em tecnologia foi em outubro de 2016. Ganhei a entrada, mas confesso que não gostei muito. Fui sozinha e não me interessei pelo que estava sendo discutido. Mas tudo bem. Nem sempre as coisas acontecem como esperamos e isso não pode nos desmotivar.

Porém, minha segunda conferência foi completamente diferente. Eu adorei! Foi a DevFest de Hamburgo, organizada pela GDG Hamburg.

Havia uma vasta gama de palestras sobre Android: MVVM, Realm, Firebase, VR, Google Maps e muito mais. Com muitos desses tópicos eu sequer teria contato, não fosse o evento. As conferências são uma ótima maneira de se manter atualizado.

Obviamente, eu não perderia a DevFest Berlim! E fui para trabalhar como voluntária. Minha intenção era ajudar a comunidade que tanto esforço faz para que esses eventos aconteçam. E, mais uma vez, a DevFest foi sensacional!

Quero ir a muitas outras DevFests e eventos como o droidcon. Tenho esperança de um dia ir ao Google I/O.

Projeto de estimação: Aplicativo de clima

Estava na hora de praticar minhas novas habilidades e me recomendaram criar um projeto de estimação, onde eu pudesse tentar coisas novas.

Criei um aplicativo de clima com o objetivo de tentar novas bibliotecas, padrões de arquitetura e conceitos de design.

Tela do meu aplicativo


Segue o link para o repositório do Github: _laramartin/android_weather_

Google Growth Engine

Logo depois, fui contatada pela Udacity Berlim para que minha história fosse apresentada como exemplo na European Scholarships campaign, um evento voltado a bolsas de estudo. Essa experiência foi muito inspiradora e me motivou a seguir adiante.

Fazer parte do projeto incluiu filmagem profissional e interação com o departamento de relações públicas do Google – o que, depois, foi exibido no site do Google Growth Engine.

Além disso, no dia do lançamento do programa de bolsas de estudo, tive a oportunidade de falar com a imprensa de Berlim e, juntamente a alunos e gerentes da Udacity, participei de um debate com cem pessoas na plateia.


Nunca fiquei tão nervosa em toda minha vida

Android Fast Track e certificado de desenvolvedor Android

Por fazer parte dessa campanha, fui premiada com uma bolsa do Android Fast Track e, com isso, pude me preparar para o exame que dá o certificado de desenvolvedor Android.

Tive três meses para me preparar e, nesse ínterim, completei dois dos primeiros cursos do programa Nanodegree Desenvolvedor Android.

O conteúdo desse curso inclui tópicos mais avançados como ContentProvider e Service.

Em abril de 2017, afastei-me do trabalho por uma semana para dedicação exclusiva ao exame e à entrevista. Na primeira etapa eles dão 48 horas para você corrigir e adicionar recursos a um projeto Android.

Depois disso, passei por uma entrevista online. Não precisei me preparar muito para tudo isso, pois tinha o conteúdo do curso ainda fresco em minha mente. Passei no exame na primeira tentativa e consegui meu certificado de desenvolvedor.

Leia: Os 10 cursos gratuitos mais populares da Udacity em 2017

Programa Nanodegree Desenvolvedor Android

Mesmo após conseguir o certificado, eu continuei o programa Nanodegree Desenvolvedor Android. O que difere esse programa do outro, mais básico, é a complexidade do conteúdo e o projeto final.

Claro que demanda certo grau de conhecimento em desenvolvimento Android, familiaridade com Java, mas é o que prepara para o trabalho efetivo como desenvolvedor Android.

Enquanto escrevo este artigo, já completei 70% do atual programa Nanodegree.

A importância de ter um mentor

O mentor é alguém que dá conselhos. O que não significa que seja a pessoa responsável pela resolução de seus problemas, muito menos um professor. É o guia ao longo do processo de aprendizado.

Não precisa ser uma pessoas estimada ou um especialista. Seu mentor deve ser uma pessoa que acompanha seu progresso e dá o suporte e a motivação de que você precisa para seguir adiante.

Tive a sorte de o meu mentor morar comigo. Meu marido. E foi ele quem me inspirou nas horas mais difíceis e me incentivou quando pensei em desistir.

Leia: Passo a passo: saiba como criar um app do zero

Qual foi o resultado de tudo isso?

Minha equipe deixou clara a vontade de todos para que eu me tornasse uma desenvolvedora Android. Por isso estou, neste exato momento, passando pela transição da minha posição no controle de qualidade para o desenvolvimento Android.

Estou, inclusive, trabalhando com as primeiras etapas da programação. O objetivo agora é me familiarizar com essa nova atribuição.

Também quero terminar meu programa Nanodegree Desenvolvedor Android, além de uma longa lista de outras coisas que pretendo estudar:

  • Kotlin
  • Java
  • Arquitetura e depuração de códigos
  • RxJava
  • Animações, transições, etc.
  • Dagger (e injeção de dependência, em geral)
  • Ciência da computação

Tenho a sensação de que nunca aprenderei o suficiente. Não existe um momento em que poderei dizer que cheguei ao fim do processo. Não que eu ainda me sinta uma novata.

Mas vejo pelos meus amigos - mesmo os mais experientes - que o aprendizado nunca termina. A profissão de desenvolvedor de softwares requer constante atualização, porque os conceitos e tecnologias estão em exponencial evolução.

E é isso que o manterá competitivo no mercado: o aprimoramento contínuo.

Conclusão

Gostaria de agradecer:

  • O Women Techmakers Berlin pelo excelente trabalho desenvolvido em favor das mulheres no ramo da tecnologia
  • Udacity e o Google pela criação do maravilhoso conteúdo dos cursos; a comunidade Android em Berlim por me ter me recebido tão bem
  • E, por fim, um agradecimento especial à equipe da que faço parte. Foram eles que proporcionaram a oportunidade de progresso e aprendizado no desenvolvimento Android. Foi isso que me tornou uma desenvolvedora Android profissional.

Agradecimentos especiais para Miquel Beltran, Christian e Łukasz Izmajłowicz

Artigo originalmente publicado na plataforma Medium

Sobre o autor
Lara Martín