6 de jun de 2017

Realidade Virtual: afinal, como ela vem sendo usada?

Udacity Brasil

A realidade virtual — ou VR — não faz mais parte só da imaginação ou da ficção científica. Uma das maiores tendências do mercado, ela consiste em uma tecnologia que mergulha o usuário em um ambiente virtual, proporcionando sensações reais de pertencimento e interação com este ambiente. Na prática isso significa que os elementos virtuais precisam enviar estímulos para o usuário de modo que ele os perceba utilizando o maior número possível de sentidos.

Dados do IDC mostram que, em 2016, a expectativa era de que os produtos de VR gerassem 2,3 bilhões de dólares em receitas em todo o mundo.

Um breve histórico da VR

A primeira tentativa de imitar a realidade no mundo virtual surgiu em 1950, quando a Força Aérea dos Estados Unidos construiu simuladores de voos para testes. Em 1958, essa tecnologia sofreu avanços notáveis, quando a Philco criou protótipos de capacetes e monitores que permitiam ao utilizador sentir e visualizar um espaço criado artificialmente.

Mas o grande marco da realidade virtual foi em 1980, quando o norte-americano Jaron Lanier, músico e cientista da computação, iniciou a produção de simuladores de VR. Nos anos 1980 e 1990, esta tecnologia já estava presente na indústria de entretenimento, mas ainda era cara e inacessível.

Foi só em 2012 que a VR se tornou mais acessível, quando Palmer Luckey, um universitário de 21 anos, descobriu como fabricar óculos de realidade virtual. Ele se tornou a sensação do Kickstarter, site de financiamento coletivo, levantando US$ 2,4 milhões em 30 dias. Empreendedores experientes e executivos de negócio apostaram na ideia de Luckey e impulsionaram as vendas dos óculos, que dão ao usuário uma visão tridimensional da realidade criada pelos computadores.

Assim, pesquisadores e cientistas constataram que a realidade virtual poderia revolucionar muito mais do que a indústria dos jogos e entretenimento. Hoje, a tecnologia que tenta imitar a realidade como a percebemos — permitindo enxergar detalhes com profundidade e ter sensações reais de movimentos — pode ser explorada e aplicada nas mais diferentes áreas de conhecimento.

A seguir, apresentamos algumas delas.

Educação

A humanidade desenvolveu a visão de forma mais avançada que a audição para captar e entender as coisas. Quando o homem precisava caçar, a noção visual avançada era essencial. Assim, fornecer experiências visuais sempre foi a maneira mais eficaz de permitir ao homem melhor observar e entender em seus processos de aprendizado.

As instituições educacionais já estão usando a realidade virtual a favor do ensino. Ambientes de imersão são favoráveis aos processos de aprendizagem e têm um enorme potencial para facilitar o entendimento dos alunos. Aprender como o corpo humano funciona, por exemplo, pode ser mais fácil por meio de óculos que permitem a visualização detalhada de processos fisiológicos complexos, que, sem a ajuda da realidade virtual, podem ser também muito abstratos.

Jornalismo

Iniciativas jornalísticas como a do The New York Times ajudam a demonstrar como a realidade virtual é uma tecnologia promissora e aplicável nas mais variadas áreas de conhecimento. No ano passado, o NYT distribuiu os óculos VR do Google — Cardboards — aos seus assinantes e passou a produzir reportagens em 360º. Os óculos de papelão possuem duas lentes de aumento e são bem acessíveis, ao preço de 50 reais. Com ele, as pessoas podem se mover no espaço virtual e assistir às notícias do NYT como se estivessem participando delas.

Marketing

Grandes marcas de todo o mundo estão apostando na produção de conteúdo em realidade virtual. O uso da VR em campanhas de marketing e estratégias de relacionamento deslumbra os clientes e contribui para o incremento dos negócios. A tecnologia faz com que essas marcas se destaquem na mídia e saiam na frente de concorrentes menos ousados e atualizados.

Em 2016, a Dior ofereceu uma imersão aos convidados nos bastidores do desfile da marca em Paris. Por meio do Dior Eyes — headsets VR —, os consumidores vivenciaram momentos inesquecíveis no evento.

No lançamento da novela O Sol Nascente, a Rede Globo também produziu um vídeo em 360º para que os telespectadores visitassem o novo cenário do folhetim da emissora. A navegação também podia ser feita pelos óculos Cardboard do Google.

As marcas que quiserem inovar nos formatos de conteúdo e surpreender os consumidores devem considerar o investimento em tecnologias de realidade virtual como uma boa estratégia digital.

Arquitetura

Os arquitetos podem usar a realidade virtual para apresentar projetos aos clientes. Essa tecnologia transmite aos clientes a fascinante sensação de estar no ambiente que está sendo projetado. Com a realidade virtual implantada na apresentação dos projetos, os arquitetos poderão tornar experimentáveis espaços ainda em construção, os quais, tradicionalmente, seriam apresentados apenas no papel, sem oferecer qualquer experiência sensorial ao cliente. Com a VR, o cliente não precisa fazer um esforço de abstração para imaginar do nada uma construção, o que, é claro, aumenta as chances de sucesso nas vendas.

Engenharia

Na engenharia civil, a VR é uma possibilidade igualmente interessante no que diz respeito à satisfação dos clientes. O uso de ferramentas de CAD para o desenvolvimento de projetos de edificações e a geração de modelos 3D ajuda principalmente na identificação de problemas na fase inicial de um projeto.

Óculos VR propiciam visitas virtuais dos clientes a ambientes projetados em 3D. É basicamente um sistema visual do tipo visor, embutido em um dispositivo de acelerômetro que capta os movimentos da cabeça do usuário e simula virtualmente a sensação de passear por um ambiente virtual similar ao que será, em breve, concreto.

Medicina

A realidade virtual também pode ter aplicações ultraeficazes em vários campos da medicina. A criação de um mundo digitalizado vem contribuindo para o treinamento de médicos e outros profissionais da saúde, já que oferece um ambiente seguro de estudo, em que se torna possível visualizar conceitos e treinar procedimentos sem colocar a vida de pessoas em risco.

Como exemplo disso, a VR também permite a simulação de procedimentos cirúrgicos. O ensaio cirúrgico pode garantir melhores resultados operatórios, uma vez que o médico pode treinar o procedimento antes de realizar a cirurgia no paciente. Dentre as aplicações em estágio de teste laboratorial, estão, além do planejamento cirúrgico e da educação médica, a imagiologia médica em 3D, a endoscopia virtual, a biomecânica, a telecirurgia, os mundos artificiais e a biossimulação.

Outra contribuição da realidade virtual para a medicina é para os tratamentos de gerenciamento de dor de pacientes. Um exemplo é colocar o paciente que sofreu uma queimadura num ambiente virtual de neve (e que portanto remete à sensação de frio) para enganar o cérebro, minimizando a dor por meio do efeito placebo. Outros programas que usam a VR são para o tratamento da dor fantasma, relatada por pacientes que sofreram amputações de membros. Tais programas ajudam a atualizar a conexão do cérebro com o membro.

Psicologia

A VR também vem sendo usada no tratamento de problemas de saúde mental. Além do restabelecimento psicológico de pacientes que saíram do coma, por exemplo, a realidade virtual tem sido usada para ajudar pessoas que sofrem de stress pós-traumático, por meio de alguns programas de tratamento que permitem restabelecer a consciência. Eles são aplicados a veteranos de guerra e sobreviventes de acidentes graves, com resultados bastante positivos.

Os ambientes criados pela VR ainda auxiliam no tratamento da ansiedade e fobias, da dependência de álcool e drogas, entre outros distúrbios mentais. A construção de ambientes virtuais exatamente iguais aos da realidade concreta provoca a imersão total dos indivíduos em cenários planejados, de maneira que o cérebro dos usuários desfaça a concepção de uma experiência paralela e reaja como se de fato estivesse naquela situação.

A realidade virtual também vem sendo testada para o tratamento de pessoas que sofrem de autismo, por meio de ambientes virtuais que facilitam a interação delas, contribuindo para o treinamento de habilidades em situações sociais comuns, como entrevistas de emprego e encontros românticos. Da mesma forma, pacientes que estão em recuperação e permaneceram muito tempo em um hospital podem ser transportados para parques e praças virtuais.

Se você é um programador, deve ficar atento ao uso da realidade virtual em diversas áreas e se informar sobre as opções de qualificação para desenvolvimento de projetos de VR específicos. Para ficar por dentro delas e muito mais, siga a Udacity no Facebook!


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