WhatsApp: como o app se tornou uma poderosa ferramenta de negócios para brasileiros

Udacity Brasil
11 de abr de 2018

Você conhece alguém que tenha smartphone e não utilize WhatsApp? É muito provável que não. O aplicativo que dispensa apresentações foi criado no Vale do Silício em 2009. Desde então, seu crescimento foi exponencial, até atingir a atual marca de 1,3 bilhão de usuários ativos mensais em 180 países – sendo 120 milhões apenas no Brasil.

Mas como nasce um sucesso como esse? A história do aplicativo é cheia de curiosidades e teve início com os norte-americanos Jan Koum e Brian Acton. Os engenheiros de computação trabalhavam no Yahoo antes de largar tudo para se dedicar ao app que estavam criando. Com o passar dos anos, o WhatsApp – que sempre foi basicamente gratuito, com um opção de compra que poucos utilizavam – cresceu tanto que fez mais que substituir o velho SMS: despertou a atenção de uma gigante da tecnologia.

No início de 2014, o Facebook comprou o WhatsApp em um notável negócio de US$ 19 bilhões. O fundador Koum continua na empresa até hoje, mas Acton anunciou sua saída do Whatsapp no final de 2017 para se dedicar a uma fundação sem fins lucrativos na área de tecnologia e comunicações.

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WhatsApp em números

O WhatsApp é simples e funciona bem. Esse parece ser o segredo para tamanha popularidade. Ele se propõe a conectar pessoas sem cobrar nada e permite que familiares, amigos e empresas se comuniquem com eficiência a qualquer momento, de qualquer lugar do mundo. Basta ter acesso à internet.

Mensagens de voz, texto, fotos, vídeos, links, gifs, memes... Tudo isso pode ser compartilhado no WhatsApp. Mas as facilidades do aplicativo não param por aí. Ele também permite o envio de PDF, documentos, planilhas e apresentações de slides de até 100 MB de maneira prática. Para completar, existe a versão WhatsApp para web e para baixar no computador, o que amplia ainda mais suas possibilidades de uso.

É claro que esse mercado não é fácil: há concorrentes diretos como Kik, Telegram, Line e WeChat, mas nenhum deles atingiu sua magnitude. O WhatsApp segue sendo, de longe, o mais famoso dos apps do tipo e o que tem a maior base de usuários – e isso pode ser ótimo para negócios.

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Os números no Brasil

Uma pesquisa do DataFolha com mais de 2 mil brasileiros revelou que o WhatsApp costuma ser acessado por 92% dos usuários de smartphone, e 82% dizem que ele está entre seus apps preferidos. Ainda de acordo com o estudo, 42% dos entrevistados afirmam que utilizam o aplicativo para fins comerciais. Desses, 59% fazem uso para falar com colegas de trabalho e 27% para se comunicar com clientes.

A Pesquisa Nacional de Varejo Online, realizada pelo Sebrae, também traz dados sobre o assunto. De acordo com o levantamento feito com 2,7 mil micro e pequenas empresas, quatro em cada dez recorrem ao WhatsApp no atendimento ao cliente. O surpreendente é que para 35% das empresas pesquisadas, o app é o principal canal para concretização das vendas online.

Outro estudo, do Analysis Group, mostrou que entre aqueles que usam o WhatsApp para fins de negócios, 45% fazem pedidos de compras pelo app e 43% utilizam a ferramenta para obter mais informações sobre um serviço ou produto e 39% dizem confirmar compromissos e reservas de serviços pelo aplicativo.

Um nicho de negócios

Números assim comprovam que o app se tornou uma ferramenta essencial na rotina da população e dos empreendedores. O corpo diretivo do WhatsApp sabe disso e viu um novo campo de atuação. Foi assim que, em janeiro de 2018, a multinacional anunciou uma novidade para o Brasil: o WhatsApp Business.

O aplicativo (ainda em versão beta, somente para Android) foi criado pelo WhatsApp para pequenas e médias empresas e chegou ao país pouco depois de ser lançado nos Estados Unidos, Indonésia, Itália, México e Reino Unido. A ideia é que as empresas possam gerenciar mensagens de clientes e consigam fechar negócios por meio do aplicativo de maneira mais profissional. Pelo menos por enquanto, o WhastApp Business será gratuito, mas a empresa já afirma que estuda uma forma de cobrar pelo serviço no futuro.

Segundo foi anunciado, as empresas poderão criar perfis especiais no aplicativo, com informações sobre horário de funcionamento, endereço e preços de produtos. Também será possível responder perguntas instantaneamente, por meio de mensagens automatizadas.

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O que o WhatsApp e um negócio social têm em comum

O limite para a utilidade do WhatsApp é a criatividade: cada negócio acaba descobrindo como a ferramenta pode ser mais útil em seu caso. Canal de vendas, comunicação direta com os clientes ou com o time, serviço de pré e pós-venda, ferramenta de feedback e marketing são algumas formas atuais.

A Kunla, startup brasileira de impacto social, é um case de como o WhatsApp pode ser usado de maneira criativa nos negócios. Fundada em junho de 2017, é uma plataforma de seleção de candidatos para vagas operacionais e intermedia o processo entre indivíduos e empresas contratantes.

A maioria dos candidatos para esse tipo de vaga vive em regiões periféricas e comunidades, e, muitas vezes, nem ficam sabendo que esses empregos existem – isso dentro de uma realidade nacional em que há 12,7 milhões de desempregados pelo país.

É aí que a Kunla atua: ela mantém contato com mulheres moradoras das comunidades e oferecem capacitação para que sejam agentes recrutadoras.

Na prática, são essas mulheres que ficam encarregadas de divulgar a vaga na comunidade e enviar os melhores currículos à Kunla. Sempre que uma contratação é fechada com um dos profissionais prospectados pela agente, ela ganha uma comissão – uma excelente forma de gerar renda para essas mulheres, mães que não podem trabalhar fora.

"O primeiro contato com as mulheres é pessoal: vamos até a comunidade, conversamos com elas explicamos o que é a Kunla", conta o engenheiro elétrico Marcelino Badin, cofundador e CEO da empresa. "Se ela tiver interesse, começamos a capacitação para se tornar uma agente, e toda a comunicação a partir de então é feita por WhatsApp", explica ele.

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Pelo WhatsApp, a Kunla dispara as vagas disponíveis para todas as suas agentes e elas começam a buscar os candidatos nas comunidades. O app também é usado por elas para enviar os arquivos dos currículos prospectados para a Kunla. Tudo online.

Agora que a empresa está crescendo (já são 500 as mulheres cadastradas com agentes), Marcelino já sabe que não será possível manter a operação por meio do WhatsApp. "O modelo de negócio da Kunla exige escala, com dezenas de milhares de agentes. Por isso estamos desenvolvendo uma ferramenta customizada para fazer essa comunicação", conta.

"Mas o fato é que o WhatsApp está sendo muito importante porque me ajudou a ir para o mercado logo de cara para testar a ideia, sem perder tempo desenvolvendo uma aplicação própria. Conheço muitos empreendedores que usam o WhatsApp para isso", finaliza.